PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

terça-feira, 1 de agosto de 2017

TERAPIA DE VIDAS PASSADAS: EVIDÊNCIA DA REENCARNAÇÃO?

Por Leonardo Paixão (*)
 
Em um assunto que traz inserido em si múltiplas disciplinas, tão-só ficar no aspecto teórico há de se circular em teorias, no entanto, contraditoriamente, ainda que se tenha a vivência prática seja tendo passado pelo processo terapêutico de regressão à vidas passadas seja como terapeuta, a convicção ou não da existência da reencarnação é subjetiva. Não temos nenhuma pretensão de respondermos de modo definitivo à questão proposta e que é o título deste artigo.
 
No decorrer de algumas décadas, a Terapia de Vidas Passadas (TVP) vem tomando vulto e cresce o número de pessoas buscando a formação para atuarem com tal terapia (1), bem como há muitas pessoas desejosas de realizar tal terapia e, é bom se falar, mesmo pessoas devotadas ao estudo e convictas da reencarnação, trazem conceitos errôneos a respeito da TVP e do processo hipnótico que pode ser  usado (e geralmente é) para o acesso às memórias remotas.
 
Esclareçamos alguns destes pontos e então passemos ao relato de algumas experiências realizadas em nossa prática profissional enquanto terapeuta.
 
Muitos questionamentos surgem quando se fala a respeito de Terapia de Vidas Passadas e, consequentemente, sobre hipnose. As primeiras perguntas geralmente feitas são: "A pessoa regredida pode ir e não voltar?" e "A pessoa hipnotizada pode não conseguir sair do transe hipnótico?". Respondendo à primeira pergunta, em primeiro lugar, ela deixa bem claro que quem a faz não tem o mínimo de conhecimento de tal processo terapêutico. Não, não há possibilidade de uma pessoa regredir a uma vida passada e não voltar, pelo simples fato de que não se vai a lugar algum, o que ocorre é que na regressão a pessoa acessa memórias, a priori, fatos por ela vividos em outra (s) vida (s) e que estão arquivados em seu inconsciente.
 
A resposta à segunda pergunta é: Não, pois a hipnose, ao contrário do que a maioria acredita, não conduz a um estado de sono, é um estado de concentração focalizado. Orientado por um hipnotizador experiente, o corpo da pessoa relaxa e estando concentrada a pessoa tem a sua memória aguçada. "Quando hipnotizado, você não está adormecido. Seu consciente está sempre a par do que você está vivenciando nesse estado, e sua mente pode comentar, criticar e censurar. Está sempre no controle do que você diz. Alguns hipnotizados veem o passado como se assistissem a um filme. Outros ficam mais intensamente envolvidos, tendo mais reações emocionais. Outros ainda "sentem" mais do "veem" as coisas. Mais tarde, a pessoa recorda tudo o que foi vivenciado durante a sessão de hipnose.
Não há perigo na hipnose. Ninguém que eu tenha um dia hipnotizado ficou preso ao estado hipnótico. Você pode emergir do estado de hipnose sempre que quiser. Ninguém jamais teve seus princípios éticos e morais violados. Ninguém nunca agiu involuntariamente. O controle é todo seu. A mente atual permanece consciente, observadora, analista. O paciente pode sempre comparar os detalhes e eventos recordados com os de sua vida atual" (WEISS, Brian. A cura através da terapia de vidas passadas. Rio de Janeiro: Sextante, 2007. Cap. 2 - Hipnose e Regressão. pp. 13 e 14).
 

Alertamos que psicóticos (esquizofrênicos, psicopatas, por exemplo) não se há de hipnotizar nem regredir, porque eles não entram em hipnose e nem regridem, eles surtam, o ego deles se cinde e poderão ter de tomar acentuada medicação ou mesmo precisar de internação. E aqui se responde a uma outra pergunta:
"Quem pode ser hipnotizado? Teoricamente todas as pessoas podem ser hipnotizadas. Visto que hipnose é o nome dado a uma ou mais articulações específicas do pensamento, sendo mais difícil em pacientes que apresentam dificuldades de fixação da atenção. Pode-se pensar em duas situações distintas a saber: a dificuldade de focalização da atenção (indução) e a contra indicação do uso de transe ou hipnose que se dará devido a uma dificuldade de manutenção de um raciocínio lógico, como em indivíduos psicóticos. Mas a maior contra indicação seja a inabilidade do terapeuta" (2). Somente profissionais experimentados há anos poderão perceber a possibilidade de tal tratamento em casos tais.
 
Após estas considerações básicas e necessárias para se desmistificar pré-conceitos vejamos algumas experiências. Experiências estas que só realizamos após feita de forma minuciosa, detalhada, a ficha anamnética do cliente, onde constarão informações sobre diagnósticos médicos, sobre o uso de medicação, sobre avaliação psicológica, o que nos dará suporte para no diálogo terapêutico efetuado após (em geral na sessão seguinte) percebermos da necessidade ou não de uma regressão a vidas passadas, por vezes, uma regressão de memória à infância pode ser suficiente, mas, sabemos que há casos em que, mesmo havendo trauma na infância, a lembrança deste trauma não faz desaparecerem os sintomas que fizeram a pessoa procurar o tratamento. Foi o que houve com a paciente Catherine e que levou ao Dr. Brian Weiss a um novo mundo: o da Terapia de Vidas Passadas. A história de Catherine é narrada no livro "Muitas Vidas, Muitos Mestres", o primeiro de uma série de outros em que o Dr. Weiss descreve suas experiências com Terapia de Vidas Passadas. Passemos aos relatos (3).
 
Feita a indução hipnótica e verificados os efeitos fisiológicos do transe hipnótico, induzimos a senhora F. a um maior relaxamento, inicio o processo levando-a aos seus quinze anos de idade e ela se vê na sua festa de quinze anos (havia dito que ela fosse a um momento feliz dessa idade). Sugiro agora para que se lembre de quando tinha cinco anos de idade e após ela estar neste período de sua memória, induzo a que ela acesse memórias mais antigas, neste momento a sra. F franze a testa e sua respiração fica "pesada", pergunto se ela sente algo ou vê alguma coisa, a resposta vem: "Dor no peito" (com a mão direita ela aponta que a dor se situa no lado esquerdo). Em seguida ela diz estar vendo muita gente, não consegue ver direito, vê as pessoas como vultos. Pergunto sobre a dor no peito. Passou.
 
F. continua a ver, relata agora que vê tudo azul, azul claro ("parece o céu", ela diz). Sente que está em um campo, escuta música. Pergunto que tipo de música, ela responde: "Música cigana". Começo a perguntar sobre detalhes como roupas, etc.
 
"Estou vestida com uma sai preta, blusa vermelha. É dia. As mulheres vestem saia longa e os homens calça, bota e colete".
 
Está escurecendo e ela vê agora carroças enfeitadas em círculo. Digo para me dizer que época é. "Época das fazendas. Época da escravidão" (início do século XIX, informação dada pela cliente após a regressão).
 
"Como você se chama?" - pergunto.
"Luzia".
"Você é nova, madura, idosa...?"
"Nova. Dezenove/vinte anos".
 
Relata agora que vê outras meninas conversando descontraidamente em uma carroça grande com lenços enfeitando o veículo.
 
"Qual o local em que estão?"
"Mato Grosso. Antes estávamos em um lugar de cachoeira".
 
Como ela não consegue ver nem perceber mais nada nesse ponto, sugiro que ela avance os anos. Se vê mais velha, está com uma criança, não é filho/a dela. Ela trabalha em uma fazenda, veste roupa de camponesa e um lenço na cabeça. Ela ficava no casarão, em volta há casinhas onde ficam os demais que lá trabalham.
 
Sugiro que ela agora veja o momento e a causa de sua morte. Se vê com pouco mais de oitenta anos deitada em uma cama, no seu quarto dentro do casarão. É um quarto simples com cama, armário de duas portas, uma mesa e uma cadeira. Ela morre devido à pneumonia. Digo para me relatar o que vê após a morte. Ela vê um campo aberto, árvores altas, há sombra. Está sozinha. Pergunto sobre pessoas que pudessem a reencontrar e ela diz que não se casou. Insisto se ela não vê ou percebe alguém que a recebesse nesse momento. Passam-se minutos e ela diz que uma senhora clara aparece e lhe diz: "Minha filha", é a sua mãe e lhe explica o acontecido. Peço que se adiante para o momento em que se aproxima o momento de uma nova encarnação. Descreve que está em um hospital, trabalhando. Tem medo. Medo de viver sozinha. Sua mãe se propõe a voltar com ela.
 
Há uma ansiedade grande, a mãe retorna como sua irmã, ela relata agora que está em outro país, há muitos prédios, prédios muito altos; Nova York ela diz (aqui há um ponto interessante, pois antes dela falar Nova York, havia pensado em tal cidade. Teria o operador sugerido à cliente tal cidade? Porém, ela estava a ver os prédios antes a surgirem em sua memória. Ou o operador percebeu por telepatia o que a sra. F. logo em seguida falou, o nome da cidade? São perguntas para o nosso estudo). Continuemos com o relato.
 
Seu pai está em um escritório, trabalha em um desses prédios, é um executivo importante, usa terno. o nome dele é Paul; ela se chama Mary Angel (pergunto sobrenome, mas, ela não consegue se lembrar), sua irmã se chama Anne. ela descreve o escritório: janela grande de vidro, "parece quase tudo de vidro", há uma mesa grande, livros. Ela trabalha com o pai, é uma advogada , usa terninho, saia longa, é loira, estatura média, olhos castanhos cor de mel. O pai tem cabelos grisalhos, ela diz. Pergunto em que século se está e ela responde : "Século XX". Pergunto também se ela é casada e ela responde que é solteira. Peço para se adiantar no tempo. Ela está agora na idade de cinquenta anos.
 
Está em uma festa, não sabe se é Natal ou Ação de Graças; está casada, tem dois filhos,, uma menina de oito anos e um menino de dez anos. Se vê com uma roupa como de aeromoça. Estão reunidos a família dela e do marido (avó, avô, tio, o pai dela, os filhos). Diz que a mãe dela morreu quando ela era uma criança e que o pai trabalhava muito para sustenta-los. Tem um sentimento muito grande para com o pai, gostava muito dele. Peço que avance ainda mais no tempo. Ela se vê agora com 70 anos, está no hospital, tem problema cardíaco, ela diz não doer. Está com visitas: irmã, marido, filhos (o filho se casou diz ela). Sugiro que ela vá ao momento de sua morte. Sente falta de ar; desmaiou; vê outra cama; está deitada; é outro hospital. O pai dela está presente. Peço que agora vá à reencarnação após Mary Angel.
 
É mulher também. É pobre. Usa uma saia rasgada, blusa e chinelo. Tem uma família grande, cuida de muitos netos. Mora em favela (Rio de Janeiro). Seu nome é Maria do Carmo Alves Silva. Pergunto sobre o ano que está, é a década de 40/50. Não consegue ver mais nada desta vida e peço que vá à encarnação seguinte e ela retorna à vida atual se vendo aos doze anos na escola. Encerro a sessão. Agora é hora de conversar sobre os conteúdos vistos, conversa que se desenrola no decorrer de alguns dias.
 
Enviei para o Messenger da sra. F. a seguinte imagem de arranha céu na cidade de Nova York na década de 30:
 
 
 
"Depois me diga se, em vendo esta imagem, teve alguma sensação. A sua descrição está plausível com o que havia à época. O prédio maior na foto é o Empire State".
 
 
Sra. F. - "Me arrepiei quando vi essa imagem. Lembro que vi uma torre como se fosse um troféu. Igual a esse prédio mais alto. Sei lá. Tá dando pra entender o que tô falando?"
 
"Sim, perfeito, como estamos trabalhando com lembranças, a visualização de imagens vai fazendo você ter avivamento da memória que está em seu inconsciente profundo".
 
 
"Tô toda arrepiada. Muito interessante".
"Muito legal. Não lembro se cheguei a falar dessa torre no dia".
 
"Falou de um prédio muito alto com janelas de vidro...Exatamente assim que esses prédios eram/são. E o interessante é que você não tem simpatia por Nova York, pelo idioma inglês, etc. Estas pesquisas são para ter elementos para escrever um artigo onde possamos ter evidências da reencarnação, é ciência isso".
 
 
A sra. F. diz não ter mesmo simpatia pelo local e em pelo idioma inglês. Há a questão do se sentir só em três encarnações seguidas, permitindo-me relatar o fato aqui, a sra. F. disse-me que matei a charada quando lhe falo a respeito:
 
"Uma hipótese é de que como Mary Angel você teve filhos, mas, como filha sentiu falta da mãe e também como Maria do Carmo você cuidou de uma prole sozinha, a sensação de não "dar conta do recado" ou o medo de que, por algum motivo os seus filhos fiquem sem sua presença, pode, talvez, explicar tal coisa (a de que os filhos que se possa ter fiquem sem sua presença, há este bloqueio nesta vida que a impede de realizar o desejo de ter filhos)".
 
"Só com tempo pra te contar. Tem tudo a ver com o que você citou acima sobre meus filhos ficarem sem minha presença. Matou a charada. Foi uma revelação  (mediúnica através de médium que desconhecíamos à época, a sra. A. P.) que já tive e que tem tudo a ver com minha encarnação atual e com o que você falou" (importante ressaltar que as vidas vivenciadas pela sra. F. nenhuma foi a que lhe foi revelada, o fato de havermos percebido pela pesquisa das narrativas e conversa posterior o bloqueio nela citado e a sua palavra de que "tem tudo a ver' com a revelação tida anos antes nos leva a pensar em evidências, até pelo fato que tal revelação a auxiliou a resolver conflitos no seio familiar).
 
Revelações mediúnicas a respeito de vidas passadas vindas por sensitivos (médiuns) outros que não a própria pessoa, necessitam ser muito bem averiguadas para que não nos deixemos impressionar e assim nos deixamos mistificar. Sim, é verdade, algumas pessoas têm a faculdade de perceber psiquicamente eventos do passado, elas acessam o que está arquivado no Fluido Universal ou Registros Akhásicos dos orientais. Transcrevamos um trecho do capítulo 7 - As Experiências de renovações da memória" - da obra "A Reencarnação", do pesquisador e espiritista Gabriel Delanne:
 
"É lógico, pois, prosseguir a regressão da memória até além dos limites da vida atual de um paciente, por meio da ação magnética. Assim fizeram os espiritistas e os sábios de que falei neste capítulo. Sem dúvida, os resultados não são sempre satisfatórios, de vez que nem todos os pacientes se acham aptos a fazer renascer o passado. Isto se deve a causas múltiplas, e a principal resulta, ao que parece, do que se poderia chamar densidade espiritual, isto é, imperfeição relativa desse corpo fluídico, cujas vibrações não podem achar a intensidade necessária para ressuscitar o passado, de maneira suficiente, mesmo com o estímulo artificial do magnetismo. Acontece por vezes, entretanto, que, durante o estado de sono ordinário, a alma, exteriorizada temporariamente do corpo, encontra momentaneamente condições favoráveis para que o renascimento do passado possa produzir-se.
Pode suceder que essa renovação seja acidental, como em relâmpagos, no estado normal. Assiste-se, então, a uma revivescência de imagens antigas que dão àquele que as experimenta a impressão de que já viu cidades ou paisagens, ainda que nunca lá fosse".
 
Cabe aqui também colocarmos estas advertências de Yvonne Pereira, escritora e médium respeitada e que passou por regressão espontânea de memória tanto quanto a teve ativada por seus Guias Espirituais:
 
"(...) Cumpre, porém, advertir que, nestas páginas, tratamos de recordações diretas que o indivíduo possa ter de suas migrações terrestres do pretérito e não de revelações transmitidas por possíveis médiuns. Baseando-nos nos próprios códigos do Espiritismo, com eles acreditamos que tais revelações, com exceções raríssimas, são sempre duvidosas e nenhum de nós deverá dar a elas grande apreço, porque os mistificadores do Invisível frequentemente se divertem à custa de espíritas curiosos e invigilantes, servindo-se de tais revelações, ao passo que, por sua vez, o médium poderá deixar influenciar-se pelas excitações da própria imaginação e dizer, como sendo da parte de um instrutor espiritual, o que a sua própria mente criou, pois tudo isso é possível e até previsto pelas instruções da ciência espírita e pela prática da mesma. O que sentirmos dentro de nós, o que a nossa própria consciência nos revela, as visões que, voluntariamente, nossos Guias Espirituais nos proporcionarem durante o sono provocado por eles próprios, o que recordamos, enfim, até à angústia, à saudade, ao desespero, à convicção real e não fantasiosa, e o que a nossa própria vida confirma; ou o que recordamos até ao benefício da consolação, da emoção balsamizante, da esperança no futuro e mesmo da alegria santa do nosso espírito, isso sim, poderemos aceitar como testemunhos da verdade vivida em outras etapas reencarnatórias" (PEREIRA, Yvonne do Amaral. Recordações da Mediunidade. Capítulo 3 - Reminiscências de Vidas Passadas. 6. edição. Brasília, DF: Federação Espírita Brasileira, 1989. pp. 43-44). 
 
Antes de nos estendermos em mais estudo e citações, passemos ao relato do segundo caso de regressão por nós realizado. Aqui transcreverei a gravação (como já posto em nota, autorizada pela cliente que, mesmo nos disse que podíamos por-lhe o primeiro nome, mas, preferimos manter apenas a inicial).
 
Feita a indução hipnótica na sra. R. inicio o processo de regressão.
 
"Como você está se sentindo?"
"Bem".
"Relaxada, não é?"
"Agora vamos começar o processo. Tudo bem?"
"Hãhã" (expressão de concordância).
"Assim que eu contar do 5 ao 1, você vai estar com cinco anos de idade" (faço a contagem pausadamente).
"Cinco anos de idade você tem agora. Como que você se sente? Tá feliz?"
"Tô".
"E nesta felicidade você está vendo o que?"
"Estou brincando, de boneca".
"A boneca tem nome?"
"Tem. Maria Eduarda".
"Agora que você está bem relaxada tranquila, vamos voltar mais ainda no tempo, voltar mais ainda no tempo, mais ainda no tempo..."
(Sugiro, mas, há longa pausa e a sra. R. diz não ver nada. Algumas pessoas tem mais dificuldade para acessar sua memória).
Pergunto se ela percebe alguma coisa e digo que as memórias são dela e que eu sou só um condutor, um auxiliar. Há novamente, longa pausa sem resposta. Até que ela começa a falar:
"Me sinto feliz. Não vejo nada. Apenas me sinto feliz".
 
Peço para ela identificar esse ambiente que a deixa tão feliz, mas, ela não consegue ir além. Então digo que ela se direcione para vida em que há algo que a incomode. Algo que possa representar a solução de alguma questão atual.
 
Choro muito intenso. Digo para ela chorar. Pergunto porque ela chora. É uma angústia profunda.
 
"Tenho vontade de ir embora".
"Está perdida? Se sente sozinha?"
"Sim".
"Sabe por que está sozinha?"
"Não".
"Sozinha você não está. Há sempre pessoas ao nosso redor" (aqui usamos da intuição por termos percebido que o local descrito era uma região extrafísica).
"Está escuro?"
"Sim" (o choro angustiado continua).
"Há vegetações no local? Árvores?"
"Há pessoas vestidas com roupas claras e você se tranquiliza porque sabe que agora é um momento de socorro. É um momento em que você é retirada e não está mais sozinha. E depois deste momento, o que você sente?" (Diz da vontade de deitar e de agradecer aos que a socorreram).
 
Sugiro que após deitar e relaxar, ela se levanta e está em um campo. Que aprendeu várias coisas e que agora precisa por em prática as lições e que para isso ela precisa atravessar os portais que dão acesso à matéria e vamos ao momento de uma outra vida.
 
"Sinto muito amor" (ela se vê criança junto aos seus pais).
 
Peço para ela avançar no tempo e que vá para a idade juvenil.
 
"O que esta jovem está sentindo?"
"Estou triste".
"Por que? Há perda na família, há alguém doente ou outro problema?"
(Ela se mostra aflita e pergunto sobre o motivo real da aflição).
"Preciso fazer uma escolha".
"Qual escolha você deve realizar?"
(Neste meio tempo, peço que eu possa conversar com esta memória dela. Ela diz se chamar Luisa e ser da Espanha. Pergunto em qual local e ela diz que é de um vilarejo. Continua a sessão em conversa com a personalidade Luisa.)
"Qual a escolha você tinha de fazer?"
"Me casar".
"Era a pessoa que você queria casar?"
"Não".
"O que você fez?"
"Fugi"
"Fugiu com quem amava?"
"Sim"
"O que te levou a tomar essa decisão corajosa?" "Quem era essa pessoa?" "Seus pais gostavam dessa pessoa?"
"Minha mãe sim. Meu pai não".
(Ela diz que seu pai não parava em casa. Pergunto se ele viajava a negócios ou para guerra ou a serviço de algum superior).
"Ele era muito bravo" (usava espada, um provável militar).
(Ela não gostava de quando o pai estava em casa).
Pergunto em que século se está. Ela diz ser início do século XIX).
"Depois que você foge como fica a vida?"
"Saudade da minha mãe".
"Não pode mais vê-la, não é?"
"Não" (choro muito sentido).
 
Sugiro para ela avançar no tempo onde está próximo o momento da morte.
 
"Como você se sente?" "Quantos anos você tem?"
"Cinquenta e sete".
"Vamos buscar o momento de sua morte. O que você sente, o que acontece com seu corpo?"
"Eu não me mexo".
"Vamos para o momento em que você morre e desperta?"
Sente que há pessoas por perto.
Pergunto sobre o marido, se ele está junto a essas pessoas e ela diz que ele não está lá, continua na Terra.
"Pergunto o que ela sente com a memória do mundo espiritual. Ela diz sentir paz. Pergunto sobre aprendizado. "O que você aprendeu?"
"Faltou obediência a meu pai".
"Valeu a pena não obedecer a seu pai para viver um grande amor?"
"Valeu, mas..."
"A separação de sua mãe..."
Digo a ela que ficou o aprendizado da coragem, mas faltou o aprendizado da renúncia, pois se tivesse obedecido ao seu pai, não teria angústia da falta da mãe. Digo que a cada vivência aprendemos algo, que ela aprendeu a seguir os caminhos do coração e deu o aprendizado ao pai de que não se tem o controle de tudo. Que ela vai ter de retornar a aprender a renunciar. Tudo isso é possível aprender e muitas coisas podem ser modificadas e que, apesar de muitas vivências a vida é uma só e as experiências são momentos para nosso aprendizado. Com a sra. R. tranquila, faço o processo de retorno à vida atual. Encerra-se a sessão.
 
Após a sessão, R. diz-nos sobre sua família atual e como há semelhanças com o que ela percebeu na regressão. Em criança, sem qualquer motivo, ela tinha pavor do pai e não gostava de quando seu pai ficava em casa. Isso foi diminuindo à medida que ela foi crescendo. Seu pai, pelo contrário, muito a amava. Seu irmão amava ao pai e este o desprezava, com o tempo tal coisa foi desaparecendo. Temos aqui um grupo familiar de volta onde as relações se repetem, em que a filha continua filha e os pais continuam pais. Talvez o irmão tenha sido o amado com quem ela fugiu, isso devido a hostilidade do pai em relação ao filho, estamos no campo da suposição. A mãe dela que estava aguardando, ao ouvir a gravação em que a filha está em momento de choro, diz que não é invenção, este é um choro real da filha, que ela está realmente vivendo alguma coisa e mais, que intuiu ser ela a mãe que ajudou a filha a fugir com o amado e que hoje faria a mesma coisa. A sra. R. diz que entende agora o bloqueio que tem de não querer sair de peto da mãe, de não mudar de cidade, mas, agora, sairia, por saber que pode ver a mãe, que não indo a lugar distante, ela sim, mudaria de cidade por motivos profissionais dela ou do futuro esposo. É bem interessante notarmos mudanças de comportamento, pensamentos, desaparecimento de sintomas em caso de fobias, após sessões de regressão de memória. Se uma fantasia ou fantasias do inconsciente podem promover tal coisa é algo a se pensar, pois imaginação e fantasias não promovem efeitos curativos conforme afirma o Dr. Weiss em seu livro "Muitas Vidas, Muitos Mestres". E aqui cabe uma observação importante, a sra. R. foi de início a um plano extrafísico (região espiritual) e como é evangélica a sua concepção de vida após a morte é completamente diferente da concepção de uma pessoa reencarnacionista. Seria tudo isso uma fantasia? Há diversos outros casos narrados em obras diversas, de pesquisadores diversos com Hellen Wambach, Brian Weiss, Lívio Túlio Picherle, Hermínio Miranda, Ian Stevenson, Hernani Guimarães Andrade, estariam todos estes autores habituados com o rigor científico, equivocados, enganados pelas fantasias do inconsciente de seus pesquisados?
 
Este artigo já vai longo e é hora de o encerrar e, para isso o fazemos com mais uma citação do livro Recordações da Mediunidade, de Yvonne Pereira, cap. 3 - Reminiscências de Vidas Passadas:
 
"(..) a observação de sábios investigadores das propriedades e forças da personalidade e a prática dos fenômenos espíritas, dão-nos a conhecer substanciosos exemplos de que nem sempre o véu do esquecimento é totalmente distendido sobre a nossa memória normal, apagando as recordações de vidas anteriores, pois a verdade é que de quando em vez surgem indivíduos idôneos apresentando lembranças de suas existências passadas, muitas delas verificadas exatas por investigações criteriosas, e a maioria dos casos, senão a totalidade deles, revelando tanta lógica e firmeza nas narrativas, que impossível seria descrer-se deles sem demostrar desprezo pela honestidade do próximo. De outro lado, o fenômeno de recordação de vidas passadas parece mais raro do que em verdade é, uma vez que podemos ter estranhas reminiscências sem saber que elas sejam o passado espiritual a se manifestar timidamente às nossas faculdades, aliás, a maioria das pessoas que as recordam, ignorando os fatos espíritas, sofrem a sua pressão sem saberem, realmente o que com elas se passa". p. 34.
 
A Terapia de Vidas Passadas é um campo para pesquisas, que tenhamos cada vez mais homens e mulheres que se aprofundem nas pesquisas para assim auxiliar a humanidade a caminhar mais um passo na evolução.
 
Notas:
(1) - A Terapia de Vidas Passadas não é reconhecida como prática psicoterapêutica pelos Conselhos de Medicina e Psicologia, ficando então no campo das Terapias Alternativas.
 
 
 
(3) Os relatos foram autorizados pelas clientes.
 
(*) Leonardo Paixão é trabalhador espírita em Campos dos Goytacazes, RJ, colaborando com um grupo de amigos do Ideal no Grupo Espírita Semeadores da Paz.
 
No campo profissional é Terapeuta Holístico. Tem formação em Teologia e Normal Superior. No momento estuda Psicanálise.
 
É Magnetizador experiente, tendo sido instrutor no curso de Magnetismo por ele promovido no Grupo Espírita Semeadores da Paz no início deste ano.
Leitor assíduo de pesquisadores como Hermínio Miranda, Jacob Melo, Carlos Bernardo Loureiro, Ian Stevenson, Brian Weiss, Carl Gustav Jung.