PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

domingo, 17 de abril de 2016

COMPLEXIDADES DO PERISPÍRITO


Fernando Rosemberg


 O fato é que: se tão pouco sabemos da Alma, do Espírito imortal que há em nós, no tocante ao Corpo Espiritual, parece que já sabemos um tanto mais. E note-se que: se caminhamos da Matéria ao Espírito, também o nosso conhecimento se faz da Matéria ao Espírito, sublimando a ambos: o Espírito, propriamente falando, e o conhecimento que, de forma igual, se amplia e se sublima ao vasto campo da espiritualidade.

Entretanto, da Matéria ao Espírito de nossa composição humana e bio-somática, patenteia-se uma outra composição não detectável pela vista humana, o Perispírito consoante estudos de Allan Kardec e muitos outros pesquisadores do tema. E o fato é que, do ponto de vista bíblico, dir-se-ia que tudo se iniciara com o apóstolo Paulo em uma de suas formidáveis epístolas. Mas, contrariando a tal, tenho informações de que os humanos primitivos já o conheciam e o chamavam de Corpo Sombra e, de lá pra cá, o vimos ser taxado de Corpo Etérico, de Kha, de Ochema, de Corpo Astral, de Carro Sutil da Alma e que, mais recentemente ainda, recebera o nome de Corpo Energético, Bioplásmico ou Bioplasmático.

Assim, já vimos que Kardec, em suas lições doutrinárias, ministrava que o Homem é composto por:

-Espírito: centelha anímica imortal;

-Perispírito: corpo invisível que, na reencarnação, se enraíza e se une molécula por molécula, dirigindo a formação fetal; e o,

-Corpo Bio-Material humano, resultado daquela direção e organização perispirítica.

Sendo que a informação do referido do Corpo Mental viera depois, sobretudo com o espírito André Luiz. Entretanto, o que mais me chama a atenção no Espiritismo é justamente esta sua mobilidade incessante e saudável, fazendo e refazendo, ampliando e aprofundando nossos saberes que avançam mais e mais, e que, segundo preceitos doutrinários, seus limites estão no infinito que não tem fim.

Assim, avançando um tanto mais que Kardec (1804-1869), se nos depara a figura ímpar de Gabriel Delanne (1857-1926), o missionário responsável pelos aspectos científicos do Espiritismo. Para ele, o perispírito:

“ ... é a sede dos estados conscienciais pretéritos, o armazém das lembranças, a retorta em que se processa a memória de fixação, e é nele que o Espírito se abastece quando necessita de cabedais intelectuais para raciocinar, imaginar, comparar, deduzir, etc. Também receptáculo de imagens mentais, é nele que reside, finalmente, a memória orgânica e inconsciente”. (Vide: “A Evolução Anímica” – Gabriel Delanne – Feb).

E confirma, mais ainda, noutra de suas obras, que:

“A memória não reside no cérebro, está contida no perispírito”. (Vide: “A Reencarnação” – Gabriel Delanne – Feb).

Sem dúvidas que, com Emmanuel, sábio Espírito diretor da lavra mediúnica xavieriana, pode-se apurar muito mais. No opúsculo que estampa o seu próprio nome: “Emmanuel” (Feb – 1937), Capítulo 24: “O Corpo Espiritual”, o caro leitor vai se deparar com uma das mais intrigantes páginas do Espiritismo moderno, conquanto sua síntese doutrinária. Mas vamos devagar, pois que o tema, como tudo no Espiritismo, é de uma complexidade inimaginável; e o perispírito não escaparia de tal propriedade.

Reiniciemos, pois, com uma indagação:

Poderia ser o perispírito a sede da memória e de tantas outras potencialidades como o quer o notável Gabriel Delanne?

E, para Emmanuel, mais que tudo isso, pergunta-se:

Poderia ser o perispírito, além de santuário da memória, ser a sede das faculdades, dos sentimentos e da inteligência?

Parece que não, que não pode ser assim. Pois que tais potencialidades pertencem ao Espírito e não ao perispírito. Mas haveria alguma forma de se compreender tais potencialidades do Espírito, extensíveis ao perispírito? De tal ponto de vista, penso que sim; é bem possível que sim! Pode-se, pois, compreender as assertivas de Delanne e de Emmanuel, tal como uma espécie de reflexo, de faculdades notoriamente espirituais, porém, extensíveis ao campo perispirítico, e que, ao se analisá-lo em si mesmo, especifica e exclusivamente, pode-se cair na ambigüidade – não tão grave assim, é claro – de se tomar o efeito pela causa, porém, sem prejudicar-se o sistema completo integralizado por Espírito, perispírito e corpo físico animado por eflúvios vitais.

Neste caso, então, dir-se-ia que o perispírito é a sede das faculdades, da inteligência, da memória e dos sentimentos.

E isto porque sua análise está se fazendo ao seu campo exclusivo e, portanto, e, especificamente, dele mesmo, conquanto saibamos que tais potências dependem da Vida, da Inteligência, da Memória e dos Sentimentos que lhe fora insuflada pelo Ser principal, ou seja, pelo seu agente tonificador que é o Espírito imortal.

Mas, por sua complexidade, o assunto requer novos entendimentos. Não queiramos tudo saber do Espiritismo, de sua extrema profundidade, numa só existência planetária. Ora, se temos toda uma vasta imortalidade pela frente, que tenhamos um pouco de paciência, pois que estamos, apenas, e tão só, adentrando as iluminadas páginas de nossa imortalidade espiritual; imortalidade que, careceria de sentido se não fosse para o aprendizado de todo o sempre, e, que, portanto, se não for para hoje, será para o amanhã, e, depois do amanhã, no futuro de proporções imorredouras, imensuráveis.

Assim, pois, a vida, em sua multidão de fenômenos involuntários, e que se verifica no soma físico de todas as criaturas reencarnadas, demonstra, positivamente, que o perispírito é, de fato, detentor de potencialidades e automatismos que escapam à nossa frágil compreensão por sua inteligência, sua capacidade de reter informações pretéritas na forma de registros informacionais bastante precisos de nossa grande aventura palingenésica.

Ora, há algo de inteligentíssimo em mim mesmo, em meu corpo de tão complexas funções, e, do qual, Eu, pessoalmente, e, portanto, de forma consciente, não participo, não tomo conhecimento de forma alguma. Funções tais como: funcionamento ritmado e perfeito da dinâmica cardíaca; das diversas glândulas; das filtragens renais; dos trabalhos gastrintestinais; da aspiração oxigenada, permuta dos gases nos alvéolos pulmonares e respectiva expiração do gás carbônico, e tantas outras funções que se nos passam desapercebidas no transcurso de toda uma existência terrena.

E, com razão, se indaga:

A quem cabe, pois, o exercício de tais funções em mim mesmo? Se eu não as exerço, quem as faz por mim? Diz-se que é o perispírito e seus automatismos fisiológicos instalados e aderentes à máquina física dotada de vida biológica e material. Mesmo sendo tudo executado de forma mecânica e automática, é algo, ainda assim, bastante inteligente e porque não dizer, de uma notória capacidade para algo que nos parece ser não-inteligente, mecanizado, automatizado. E, portanto, o que eu vejo ali não parece ser apenas alguma forma de inteligência primitiva, instintiva e maquinal. Parece ser algo superior ao básico, ao primitivo e maquinal, ou seja, acima do estritamente mecânico do automatismo perispiritual.

Mas há mais! Muito mais! Para que eu estivesse hoje fisicamente corporificado neste Mundo terreno, algo fora acionado nos registros imponderáveis de mim mesmo, e, sem que eu soubesse ou saiba – pois que de tal não tomei conhecimento e não se toma conhecimento – para dirigir, recapitular a filogênese e magnificamente orquestrar aquela pequenina célula zigoto durante os nove meses de minha gestação.

Gestação que acabara por culminar neste complexo fisiológico do corpo humano, do qual sou um dirigente meio inconsciente do referido complexo, pois que, de tal, ou seja, de muitas coisas dele mesmo, de suas enigmáticas funções, eu não tomo conhecimento, pois que vem a tratar-se, para mim, de um mistério, de tantas e tantas funções, das quais, Eu, pessoalmente, muito pouco entendo, e que são, repito, de uma inteligência mui interessante, para não dizer, muitíssimo expressiva, pois que, de tudo isso, repito, Eu não participo conscientemente e nem imagino saber de tais.

Há, portanto, mais que a minha Inteligência, mais que a minha Consciência desperta, outra forma de inteligência em mim mesmo, e, também, algo sofisticada, pois que não só plasmara, dirigira e organizara este corpo físico e biológico, como também consegue dirigi-lo sabiamente em suas tantas funções, e, que, de fato, pudera memorizar todas as fases filogenéticas do Ser como informações pretéritas, para que pudesse, pois: recapitular e, pois, recriar a vida, concedendo novas oportunidades ao Ser componente de sua integração principal, ou seja, do Espírito que ainda cresce, quer crescer e evoluir sempre, pois que tal é meta de Determinística Lei.

Então, é possível sim, é inevitável sim, falar-se de uma inteligência e de uma memória perispiríticas, não é mesmo? Sendo que, tais fatos, pois, fazem-nos refletir seriamente acerca do imponderável de nós mesmos, e que, por sinal, tanto desconhecemos; fazem-nos pensar que exista, de fato, uma inteligência e uma memória profunda nos escaninhos do Ser principal, pois que registrada está no organismo perispirítico de sua atuação espiritual.

E, mais ainda, é possível que tais registros estejam gravados no que o instrutor André Luiz descreve como Corpo Mental, que, por sua vez, reflete-se e imprime-se no perispírito, o que poderia, certamente, nos conduzir a uma síntese da complexidade humana, onde:

No consciente ou cérebro atual e presentemente consolidado, temos:

-Inteligência e memória superficiais: de nossa vida de relação e que se representam por uma faixa insignificante da integralidade espiritual;

No subconsciente ou cérebro remoto e preteritamente consolidado, temos:

-Inteligência e memória ancestrais: da vastidão de nossas experiências transpostas e tecnicamente comprovadas por diversos pesquisadores do tema em todo o Mundo.

No mais, um grande abraço do amigo de sempre, e, para sempre:

Fernando Rosemberg Patrocinio:
Fundador de Casa Espírita Cristã, Coordenador de Estudos Doutrinários, Articulista, Palestrante e Escritor de diversos e.Books gratuitos em seu blog:

-filosofia do infinito-, ou, eletronicamente: