PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

terça-feira, 8 de março de 2016

AUTISMO: ABORDAGEM ESPIRITUAL (*)


 Nilton Salvador

Desinteressado de qualquer espécie de comunicação com seus semelhantes, murado dentro de si mesmo, o autista vive em um mundo de isolamento e alienação. Os cientistas que buscam implodir essa barreira trabalham baseados em hipóteses diversas e conflitantes, utilizando uma gama imensa de abordagens e terapias. 

Ignoram apenas um aspecto, “o de que o ser humano, como espírito imortal, preexiste à atual existência, a qual é conseqüência de atos e pensamentos de muitas encarnações anteriores, nos mistérios dos séculos. Nada mais plausível do que recorrer a conceitos espirituais para a compreensão e a terapia do autismo ou de qualquer outro problema de comportamento”, como ensina Herminio C. Miranda.

O que dizer depois disso, quando ele vê o autista sob a ótica da psicologia espírita e o conflito de uma alma fugindo de si mesma? Afinal, como começam a dizer alguns estudiosos mais arrojados, há vida antes da vida, vida depois da vida e vida entre as vidas.

E alertamos para “que tratem com o devido respeito às minorias. Sem racismo, sem machismo, sexismo ou preconceitos de qualquer natureza. Mesmo porque o preconceito é coisa burra, que se torna ainda mais evidentemente tola quando posta no contexto da realidade espiritual. Somos espíritos imortais, sobreviventes e reencarnantes. Sexo, raça, cor, nacionalidade, posição social não passam de posições transitórias, por mais que durem nossas vidas na carne”.

Conflitos entre mundos diferentes

Descobre-se em pesquisas de diversos autores de notável saber sobre o tema que uma autista vivia numa zona fronteiriça, terra de ninguém entre um território que ela consideraria mais tarde, com melhor nível de lucidez, “meu mundo” e o outro lado, onde ficava “o mundo”, pois eles não se mostram nada interessados em vir ao nosso encontro, já que há na mente do autista nítida distinção – ainda que inconsciente – entre o “meu” mundo e o “dos outros”. Quanto menos contatos com a vida no mundo, melhor. A pessoa que está naquele corpo físico recusa-se a executar qualquer programação que a leve a ser aprisionada pelas rotinas da vida material.

Não se considera na atualidade (há uma polêmica constante) que o autismo é uma desordem biológica. A ciência continua a discutir sua origem. Os especialistas tratam de cada caso dentro de seu ponto de vista cético/científico para expressar suas teorias, pois desde Leo Kanner, o descritor da síndrome em 1943, quase nada mudou para definir o conceito da síndrome.

Cada autor expõe seu ponto de vista de análise de uma forma que, discutida ou comparada, nada altera no status quo da doença. Alguns mais corajosos, digamos assim, afirmam que o autismo é de natureza biológica, enumerando outras doenças que danificam o sistema neurológico. Em seguida, sou obrigado a me decepcionar quando a ciência não considera o autismo como psicose, mas sim como distúrbio global do desenvolvimento.

A meu ver, um contraria o outro. Todos são suscetíveis no cuidado de não querer ferir algum colega que se adiantou ou tem receio que, na frente, a crítica ou a ética médica sejam muito duras com suas opiniões.

Diferentes graus de autismo

Ficamos com o pensamento de que a impressão é que não há propriamente autismo, mas autistas em diferentes estágios, graus e níveis de distúrbios mentais e emocionais. O máximo que se poderia fazer em termos de consenso seria dizer que, dentre os sintomas básicos atribuídos à síndrome, cada autista apresenta diferentes ênfases sobre esta ou aquela característica.

Em outras palavras, a pessoa é autista não porque tem o cérebro danificado, mas tem o cérebro danificado porque não quis ou não conseguiu transmitir a ele, no período crítico da formação, os comandos mentais necessários ao seu correto desenvolvimento.

Pois bem, após esta exposição na qual enveredamos por diversos caminhos, onde quero chegar? Ora, tudo isto faz parte do lado bio-psico-sócio-espiritual, linha mestra enfocada, mas não admitida pela ciência como um todo. Senão, vejamos.

Despendemos todos os esforços para superar dificuldades que se encontram em nosso caminho. O que não fazemos é porque deixamos de refletir que reveses ou contratempos passageiros foram criados por nós mesmos, com nosso livre arbítrio, pelo mau uso da energia divina durante inúmeras encarnações aqui na Terra.

Devemos acreditar que aquela massa compacta de energia mal qualificada e gerada na nossa consciência por todo um esforço concentrado em prol dos nossos autistas é agora de uma espessura bem mais fina do que foi há algum tempo.

Nosso esforço em afastar coisas rudimentares de nossa consciência humana apenas produz bons frutos em nossa árvore da vida. Perseveramos em nossos propósitos. Dirigimos a atenção aos nossos amigos siderais e, muito mais depressa do que imaginamos, obtemos vitoriosas conclusões.

O indivíduo, quando encarna, traz em suas mãos uma agulha e, através do orifício desta agulha, passa o fio da vida. Cada ser humano deve concluir o seu modelo e ninguém pode tirar a agulha das mãos do próximo, nem dar um ponto sequer no modelo da vida de seu semelhante. Assim como o orifício é condicionado à eficácia da agulha, assim também o espírito é o doador da vida do homem. A personalidade humana, ou o ser externo, representa o exemplo da agulha usada para unir as partes do modelo, que deve se manifestar através das experiências individuais de cada pessoa.

Por misericórdia, a lei divina permite intervenções, selecionando os fios dos pontos errados da costura, afastando-os do modelo enquanto se processa a purificação do espírito. A lei divina também permite à vida, por meio de contemplação, meditação ou outra forma de esforço, oferecer ao indivíduo que se encontra no caminho espiritual o auxílio de seres perfeitos, quando estes revelam que maneira os pontos devem ser costurados. Também pode ser apresentado ao costureiro, ou seja, o espírito protetor, um molde ou desenho do modelo previsto. No entanto, a verdadeira costura deve ser executada pelo esforço do próprio indivíduo, do princípio até o fim.

E quando falamos de um autista? A única diferença é que, neste caso, existe um interlocutor (médium) experiente e que já atravessou inúmeras etapas com ele, pois muitas vezes uma simples frase proporciona uma forma-pensamento que permite ao autista compreender que um esforço autoconsciente deve preceder o apelo.

Muitas vezes, os amigos siderais transformam modelos errados em perfeitos e, quando eles os vêem, desejam novamente trazer à tona o plano perfeito da vida, da beleza, compreensão e paz.

Usando o autocontrole

Quando um autista aprende que é necessário um autocontrole e começa a transformar todo erro que o uso do fio da sua própria vida proporciona em seu coração, trazer o domínio sobre toda energia e vibração em seu próprio mundo e depois, com maiores possibilidades de aptidão, dar o prêmio da alegria aos seus protetores.

Para os sábios, a vida é uma bondosa professora que distribui as grandes dádivas diretamente do seu silencioso coração. Para as pessoas de compreensão limitada, a vida é uma professora severa, apenas com a intenção de ensinar cada expressão para seu autista.

Se o autista pudesse demonstrar reflexão, falando quando ouve ensinamentos freqüentes mais do que seu próprio silêncio, então seus corpos mental, sentimental, etérico e físico estariam suficientemente preparados para ouvir um hino, a linguagem dos pássaros e compreender o delicado silêncio da noite.

Quando o autista consegue isto é porque está sintonizado com a vida física de tal maneira que pode submergir seu próprio coração pulsante, onde vive seu santo ser crístico.

(*) Artigo publicado na edição 13 da Revista Cristã de Espiritismo.

MEDIUNIDADE XAVIERIANA


Fernando Rosemberg
Ora, sabemos bem, desde a publicação do “Tratado de Espiritismo Experimental”, mais conhecido como “O Livro dos Médiuns” (Allan Kardec – 1861), que uma mensagem ditada por um Espírito comunicante poderá ser mais ou menos afetada pela aparelhagem mediúnica durante o processo em que a mesma é transmitida, pois que tal fenômeno tem estrita relação com a sua capacidade, seus conhecimentos atuais e os arquivados em seu perispírito.

Com efeito, verifica-se que, por uma espécie de fusão fluídica entre seus corpos etéreos (perispiríticos) é que se inicia o intercâmbio entre o Espírito livre (emissor) e o Espírito do médium (receptor) reencarnado no Mundo terreno. Havendo a concordância do médium a tal comando, verifica-se o circuito mediúnico por onde vai percorrer-se a corrente mental, isto é, o pensamento que se queira transmitir, sendo que a vestidura do mesmo pela palavra vem a seguir, quando então, o primeiro retira do cérebro do segundo os componentes que possam dar forma ao que queira transmitir.

Existem, porém, algumas dificuldades a se transpor desde o início do intercâmbio.

-Primeiro: terá de se fazer uma espécie de associação entre duas mentes que, por mais se afinem, intelectualmente e moralmente, são diferentes entre si.

-Segundo: havendo a associação mental e a permissão do médium para tal expediente, este deverá, conquanto o domínio e o comando mental do comunicante, assimilar e compreender o seu pensamento, pois que, embora parcialmente fundidos um no outro, são Seres de identidades próprias e distintas;

-Terceiro: o médium deverá exprimir o pensamento estranho o mais exato possível, pois existem conceitos que estão muito acima do seu entendimento, inexistindo, pois, palavras e códigos gramaticais que possa torná-los inteligíveis ao seu entendimento.

Isto quer dizer que os ditados que o médium obtém estão a reproduzir, quanto à forma e ao colorido, o cunho mesmo de sua personalidade, do que lhe é estritamente pessoal; do que se conclui que: se ao Espírito pertencem a informação e o conceito, ao médium pertencem a interpretação e a forma que, certamente, serão influenciadas pelas qualidades inerentes à sua personalidade, seu particular e exclusivo campo psíquico-emocional.

Com efeito, se o pensamento do Espírito comunicante pode ser, de alguma forma, influenciado pela instrumentação mediúnica, pode ele, então, ressentir-se da imperfeição dos meios à sua disposição e não reproduzir exatamente aquilo que se cogitava e se gostaria de transmitir.

Mais ainda: por qualquer desarranjo psíquico ou emocional do médium poderá ocorrer que a mensagem recebida não seja o mais fiel retrato do pensamento comunicante, sendo tal irregularidade possível de suceder mesmo com os melhores, mais perfeitos e moralizados médiuns existentes. Recordemos, para tanto, a Nota da Editora constante no livro psicografado por Xavier: “O Consolador” (Emmanuel – 1940 – Feb), em que referido Espírito corrigiu o texto da questão 378 do livro, devido, em suas palavras mesmas, a perturbações na filtragem mediúnica, onde o seu pensamento fora prejudicado.

Obviamente que com um médium de tamanha envergadura, como Francisco Cândido Xavier, tais ocorrências constituem raríssimas exceções face aos refinamentos de sua avançada instrumentação mediúnica e inegável condicionamento ético e disciplinar. Mas serviram para mostrar que também ele estivera sujeito a tais contingências, e isto em razão de uma existência, como a de todos nós, repleta de dores, árduas provações, rotinas comuns, estafantes trabalhos profissionais e demais preocupações de todo e qualquer Ser humano que, mesmo exercendo rigorosa disciplina sobre si, ainda, assim, pode afetar a recepção mediúnica.

E mais: em estando Xavier dotado de uma sofisticada aparelhagem receptora, aparelhagem que, por sinal, trata-se dele próprio (Espírito e Perispírito) jungido às disposições orgânicas de seu veículo somático, que, por sua vez, sujeitam-se a interferências e oscilações de todo e qualquer Espírito reencarnado, óbvio se demande tempo para que o conjunto todo se harmonize por completo. Mas, ainda aí, há outro problema, pois o campo em que labora o Espírito livre é inteiramente diverso do nosso. Exceto pelos Espíritos de condições medianas, dir-se-ia que estamos no relativo de nossas grosseiras concepções, e os Espíritos, no infinito de sutilezas cósmicas inconcebíveis.

Lembrando, pois, que a transformação da força contida no pensamento cósmico, em elementos do nosso cotidiano, pode acarretar distorções no seu pensamento prejudicando e alterando a essência conceptual originária, de sua ideação.

Fernando Rosemberg Patrocinio:
Fundador de Casa Espírita, Coordenador de Estudos Doutrinários, Articulista, Palestrante e Escritor de diversos livros digitais (e.Books) dispostos gratuitos na Web-Artigos, bem como em seu mais recente blog:

filosofia do infinito
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