PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

domingo, 24 de janeiro de 2016

A Mensagem Maior Vivida com Jesus e Kardec (*) e Diálogo Fraterno (*)


A Mensagem Maior Vivida com Jesus e Kardec (*)

Jorge Hessen

Estimado Chico Xavier; viemos de São Paulo, com dois objetivos:
- O primeiro, trazer até você o abraço carinhoso de todos os nossos companheiros da USE, no momento em que você se encontra às vésperas de completar 50 anos de atividade mediúnica, na Seara do Mestre;
- E, em segundo lugar, levar conosco a sua mensagem a nossos irmãos de ideal que vibram amorosamente em sua direção.
Assim sendo, caro Chico, por ordem perguntaríamos:

107 – Processo de Unificação
P – Como deverá agir o dirigente espírita, no Centro Espírita, para colaborar com o processo de unificação das sociedades espíritas?
R – Não tenho qualquer autoridade para tratar do assunto, com a importância que o assunto merece. Creio, porém, que os companheiros responsáveis pela divulgação da Doutrina Espírita estarão em rumo certo, conduzindo a idéia espírita co coração da comunidade, envolvendo o conhecimento superior no trabalho, tão intenso quanto possível, do amor ao próximo. O serviço aos semelhantes fala sem palavras e, através dele, os sentimentos se comunicam entre si.

108 – Espiritismo e Comunicação de Massa
P – Como devemos compreender a divulgação da Doutrina Espírita, em face das modernas técnicas de comunicação de massa?
R – Admito seja nossa obrigação servir sempre à Causa do Bem de Todos, formando, assim, o preciso ambiente para que se manifeste a colaboração dos Espíritos Superiores. No caso, lembro-me do trabalho da aviação; sem aeroporto conveniente, o avião não encontra pouso seguro. Se o espírito encarnado não colaborar no bem, será muito difícil o intercâmbio com os Espíritos Elevados.

109 – Divulgação Doutrinária
P – Como favorecer a cooperação dos Espíritos Superiores na planificação das idéias de propaganda da Doutrina Espírita?
R – A resposta será mesmo: estudar sempre, com a aplicação dos ensinamentos nobres que venhamos a colher. Nesse sentido, sempre noto que o diálogo entre grupos reduzidos de estudiosos sinceros, apresenta alto índice de rendimento para os companheiros que efetivamente se interessam pela divulgação dos princípios Kardequianos.

110 – Unificação da Doutrina Espírita
P – Por fim, caro Chico; gostaríamos de levar sua mensagem aos nossos irmãos da USE que prestam sua colaboração, em várias áreas de trabalho que o Centro Espírita nos oferece.
R – Caro Amigo, o seu desejo muito me honra, mas sinceramente, a meu ver, não temos qualquer mensagem maior que o convite à divulgação e ao conhecimento da Doutrina Espírita, vivendo-a com Jesus, interpretada por Allan Kardec. Penso que, nesse sentido, deveríamos refletir em unificação, em termos de família humana, evitando os excessos de consagração das elites culturais na Doutrina Espírita, embora necessitemos sustentá-las e cultivá-las com respeitosa atenção, mas nunca em detrimento dos nossos irmãos em Humanidade, que reclamem amparo, socorro, esclarecimento e rumo. Integrar-nos na vida comunitária, vivendo-lhe as necessidades e as lutas, os problemas e as provas, com a luz do conhecimento espírita, clareando atitudes e caminhos; para nós, a meu ver, deveria ser uma obrigação das mais simples. Não consigo entender o Espiritismo, sem Jesus e sem Allan Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que os nossos princípios alcancem os fins a que se propõem. Não conseguindo pensar de outro modo, peço a Jesus a todos nos esclareça e abençoe.

(* - Entrevista ao Jornal Unificação, de São Paulo/SP, e publicada em sua edição de julho/agosto de 1977, com o título: “Nosso jornal entrevista Chico Xavier”).







Diálogo Fraterno (*)

No exato momento em que as forças vivas da família brasileira lembram o aniversário de cinqüenta anos de labor mediúnico do nosso querido médium espírita Francisco Cândido Xavier a ser verificar em julho próximo, é justo que recordemos nosso encontro com o citado médium, em termos doutrinários, e isto no mês próximo passado.
Procuremos registrar aqui, com a maior fidelidade possível, o conteúdo desse encontro, o diálogo que mantivemos, com vistas ao mais perfeito conhecimento por parte de quantos se interessam pelo assunto, assumindo nós, todavia, a responsabilidade do pensamento traduzido, a fim de evitar aborrecimentos ao nosso querido médium.
Inicialmente, nosso encontro foi uma resposta satisfatória a uma carta que lhe endereçamos em que fazíamos uma apreciação crítica do movimento espírita em geral e do de unificação em particular, confiando-lhe, assim, as nossas preocupações doutrinárias.
Suas palavras ainda ressoam em nossa acústica doutrinária, convidando-nos a uma meditação, séria em torno do Espiritismo que revive o Cristianismo primitivo em sua simplicidade e que tem na máxima “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” a sua expressão máxima.

111 – O Problema da “Elitização”
- Jarbas, amigo, precisamos conversar desapaixonadamente sobre o nosso movimento. É preciso que nós, os espíritas; compreendamos que não podemos nos distanciar do povo. É preciso fugir da tendência à “elitização” no seio do movimento espírita. É necessário que os dirigentes espíritas, principalmente os ligados aos órgãos unificadores compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. É indispensável que estudemos a Doutrina Espírita junto às massas, que amemos a todos os companheiros, mas sobretudo, aos espíritas mais humildes sociais e intelectualmente falando e delas nos aproximarmos com real espírito de compreensão e fraternidade. Se não nos precavemos, daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas apenas falando e explicando o Evangelho de Cristo, às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais e confrades de posição social mais elevadas. Mais do que justo evitarmos isso. (repetiu várias vezes) a “elitização” no Espiritismo, isto é, a formação do “espírito de cúpula”, com evocação de infalibilidade, em nossas organizações.

112 – Suposta Pureza Doutrinária
P - Então, caro Chico, o problema não é de direção, ou, melhor diríamos, de administração espírita?
R – Não, o problema não é de direção ou administração em si, pois precisamos administrar até a nós mesmos, mas a maneira como a conduzem, isto é, a falta de maior aproximação com irmãos socialmente menos favorecidos, que equivale à ausência de amor, presente no excesso de rigorismo, de suposta pureza doutrinária, de formalismo por parte daqueles que são responsáveis pelas nossas instituições; é a preocupação excessiva com a parte material das instituições, com a manutenção, por exemplo, de sócios contribuintes ao invés de sócios ou companheiros ligados pelos laços do trabalho, da responsabilidade, da fraternidade legítima; é a preocupação com o patrimônio material ao invés do espiritual e doutrinário; é a preocupação de inverter o processo de maior difusão do Espiritismo fazendo-o partir de cima para baixo, da elite intelectualizada para as massas, exigindo-se dos companheiros em dificuldades materiais ou espirituais uma elevação ou um crescimento, sem apoio dos que foram chamados pela Doutrina Espírita a fim de ampará-los na formação gradativa.

113 – Verdadeira Pureza Doutrinária
Naquele instante, recordamos que Allan Kardec, deixou bem claro na introdução ao Livro dos Espíritos que o caminho da Nova Revelação será de baixo para cima, das massas para as elites, porque “quando as idéias espíritas forem aceitas pelas massas, os sábios se renderão à evidência”.
Recordou, ainda, o dever imperioso de todos nós de evitar a deturpação da mensagem dos Espíritos, como aconteceu com o Cristianismo oficializado por Constantino. A Doutrina dos Espíritos veio para restaurar o Cristianismo, mas na sua feição evangélica primitiva, entendendo-se que em Espiritismo Evangélico é respeitar e auxiliar, amparar e elevar sempre, entendo-se que os melhor e os mais cultos são indicados a se fazerem apoio de seus irmãos em condições difíceis para que se alteiem ao nível dos melhores e mais habilitados ao progresso.
Aí está a essência de nossa conversação.
Nesse sentido, ressaltou muito bem o nosso irmão Salvador Gentile em Anuário Espírita-1977:
“Por mais respeitáveis os títulos acadêmicos que detenhamos, não hesitemos em nos confundir na multidão para aprender a viver, com ela, a grande mensagem”.
Depois deste diálogo, penetramos mais profundamente nas palavras do Dr. Bezerra de Menezes em “Unificação, Serviço Urgente mas não apressado”:
“É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos mensageiros divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios”.
“Respeito a todas as criaturas, discriminações, evidências individuais, injustificáveis privilégios, imunidades, prioridades”.
“Amor de Jesus sobre todos, verdade de Kardec, para todos”.

Em essência esse pensamento é repetido pelo mesmo Espírito em mensagem que vai publicada noutro local de “O Triângulo Espírita”.

Emmanuel também é incisivo em “Aliança Espírita”.

Educarás ajudando e unirás compreendendo.

Jesus não nos chamou para exercer a função de palmatórias na instituição universal do Evangelho, e, sim, foi categórico ao afirmar: “Os meus discípulos serão conhecidos por muito de amarem”.

Cumpre-nos, dessa forma, meditar melhor a mensagem dos Espíritos, mas, sobretudo, aplica-la em nosso movimento espírita, em nossas casas espíritas, e, principalmente, em nosso movimento de Unificação, aplicação esta que vem sendo a tônica de toda a vida de nosso médium Chico Xavier. Aliás, ninguém mais do que ele viveu e vive o verdadeiro sentido da unificação e que é o retrato acima.



(* -Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense: “Um encontro fraterno e uma Mensagem aos espíritas brasileiros”).