PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Os Dois Fundamentos (Mateus, 07:24-27)

Arnaldo Rocha

Aqueles que minhas palavras
Ouvem e lhe dão atenção
São como homens prudentes
Que sobre a rocha edificarão;

E descerão as chuvas,
E as torrentes virão,
E soprarão os ventos;
Porém, suas casas não cairão.

Mas aqueles que minhas palavras
Ouvem e não lhe dão atenção
São como homens néscios
Que sobre a areia construirão;

E descerão as chuvas,
E as torrentes virão,
E soprarão os ventos,
E, decerto, suas casas se tombarão.

E grande será a ruína... 
Assim, disse o Mestre Jesus
Para aqueles que quisessem
Seguir a verdade e a luz...

"Que queres conosco, Filho de Deus?

"Que queres conosco, Filho de Deus?

Jane Maiolo (*)



Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara. [2]

Aos primeiros dias do ano 30 a cidade de Jerusalém recebia a visita de um ilustre desconhecido galileu,Jesus,o chamado Cristo.[3]


Aqueles, como hoje,eram dias difíceis de subjugação, exploração, desvalorização da criatura humana e saturada violência.


Nesse painel conflituoso chega o Mestre,o nosso Modelo e Guia ,para apresentar Deus-Pai, iluminar consciências, consolar aos aflitos de todos os jaez e mostrar o caminho para retornar ao aprisco divino.A feição de imã, que possui campo magnético específico Jesus atraia e atrai à todos quer pelo consolo que proporciona, para a simples satisfação da curiosidade , ou para a cura do corpo físico.


Na sua grandeza espiritual não prescindiu e não prescinde da colaboração dos humildes pescadores,coletores de impostos, comerciantes e mulheres, dando-nos a generosa lição que toda a obra de edificação no Bem requer o espírito de colaboração dos seus seareiros, cadastrando todos os homens de boa vontade á Seara Divina.


 E confirmou tal convite e tarefa 18 séculos depois na obra da codificação kardequiana (Allan Kardec) ‘ O Evangelho Segundo o Espíritismo’ [4]cujo título ‘Os Obreiros do Senhor’ nos traz a seguinte convocação: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão!”


A seara do Mestre é o campo da vida , no qual todos nós somos chamados a laborar, mas raríssimos são aqueles que suportam e enfrentam os temporais conflituosos do campo de ação , seja na vida íntima ou na vida social.Talvez por está razão que o trabalhador do Cristo é constantemente assediado pelas forças constrangedoras da consciências empedermidas temporariamente no clima do mal e na faixa vibratória da ociosidade.Influência ainda possível devido a operarmos em sintonia moral indesejável.


Não resta a menor dúvida de que o Cristo aguarda nossa singela cooperação na Seara bendita dos afazeres espirituais, sociais e morais .Ainda há muito o que fazer, há muito que evangelizar,há muito a não temer, há muito que nos desvendar e conhecer.Porém ,há muito que aperfeiçoarmos em nível de sentimentos superiores.


O Movimento Espírita é a Seara imensa solicitando trabalhadores simples, justos e comprometidos com a mensagem libertadora do Evangelho.


O salário de cada um será o valor da consciência tranquila pelo dever cumprido.A responsabilidade da tarefa ainda assusta os pequeninos seareiros que estão na colheita pela própria regeneração.


Estamos presenciando o final de um ciclo na Humanidade e bem aventurados aqueles que atendem o apelo do Alto para o trabalho renovador sem prejudicar a obra.Sem dúvida somos espíritos em condição evolutiva mediana ,mais podemos ser seareiros fiéis a mensagem do Grande Seareiro como nos indica Eric Stanislas no livro ‘O Céu e Inferno’ no capítulo 3[5]:


“Ah! irmãos, quanto bem por toda parte,quantos doces pensamentos elevados e simples como vós, como a vossa Doutrina, estais chamados a semear na longa rota que tendes a percorrer; mas, também, quanto tudo isso vos será tributado antes mesmo do momento em que vós a isso teries direitos!”


Aos primeiros dias do ano 2015 Jesus continua aguardando o cadastro dos seus pequeninos seareiros .E inadvertidos, questionamos: "Que queres conosco, Filho de Deus? 

Referências Bibliográficas
:

[1]Mateus 8:29
[2]Mateus 9:37-38
[3] XAVIER, Francisco Cândido. Boa Nova, ditado pelo Espírito Humberto de Campos, cap. 03, RJ: Ed FEB, 1990
[4]KARDEC, Allan Kardec. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 3ª edição .FEB. Rio de Janeiro, 2007. Cap.XX, item 5.
[5] KARDEC, Allan Kardec.O Céu e Inferno.Tradução de Salvador Gentile,6ª Edição.Araras/SP,1934


 

*Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Dirigente da USE Intermunicipal de Jales. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Jornal O rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP Blog do Bruno Tavavres Recife/PE-Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita. janemaiolo@bol.com.br -

O "outro" e "eu"

Antonio Cesar Perri de Carvalho


Há uns tempos ouvi um interlocutor relatando as críticas que faziam a um conhecido dele. Depois de ouvi-las opinou que o personagem montado pelas críticas nada tinha a haver com a pessoa que ele também conhecia. 

Esse fato nos veio à mente ao acompanharmos, recentemente, uma entrevista no programa “Roda Viva” (TV Cultura) com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, atendendo à pergunta sobre as continuadas críticas que recebeu dos governos que o sucederam, comentou que ao analisar as informações verificou que em realidade haviam criado um outro “personagem”. E agora o tempo passou… 

O episódio remete a registro do conhecido poeta e escritor argentino Jorge Luís Borges, ao escrever o conto: “Borges y yo”, incluído no livro O fazedor: 

“Ao outro, a Borges, é a quem as coisas acontecem. Eu caminho por Buenos Aires e me demoro, acaso já mecanicamente, para olhar para o arco de um vestíbulo e porta interna; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo seu nome em uma lista de professores ou num dicionário biográfico”. Comenta as diferenças que ele sente entre o Borges que divulgam e ele próprio. Ao final, encerra o conto: “Eu não sei qual dos dois escreve esta página”. 

Realmente, além das críticas há também certos endeusamentos. Por ocasião das evocações do cinquentenário de suas tarefas mediúnicas, Chico Xavier respondeu a uma entrevista: “Sou sempre um Chico Xavier lutando para criar um Chico Xavier renovado em Jesus e, pelo que vejo, está muito longe de aparecer como espero e preciso…”1 

A resposta de Chico Xavier é muito coerente com sua maneira simples de ser e também com a assertiva de seu orientador espiritual: 

“Sem dúvida, estamos muito longe, infinitamente muito longe da perfeição… Cabe, porém, a nós, aprendizes do Evangelho, a obrigação de confrontar-nos hoje com o que éramos ontem e, a nosso ver, feito isso, cada um de nós pode, sem pretensão parafrasear as palavras do apóstolo Paulo, nos versículos 9 e 10, do capítulo 15, de sua Primeira Epístola aos Coríntios: – ‘Dos servidores do Senhor, sei que sou o menor e o mais endividado perante a Lei, mas com a graça de Deus sou o que sou…”2 

Evidente que os relatos em pauta devem merecer reflexões e pautadas na questão 621 de O livro dos espíritos: “Onde está escrita a lei de Deus? – Na consciência”, e, também em O evangelho segundo o espiritismo (Cap. VI. Item 8): “O sentimento do dever cumprido vos dará o repouso do Espírito e a resignação”. 

Porém frente às provocações e insinuações – típicas do mundo em que vivemos -, vale a reflexão com base em comentário de Emmanuel: 

"Se muitos companheiros estão vigiando os teus gestos procurando o ponto fraco para criticarem, outros muitos estão fixando ansiosamente o caminho em que surgirás, conduzindo até eles a migalha do socorro de que necessitam para sobreviver. É impossível não saibas quais deles formam o grupo de trabalho em que Jesus te espera".3

Bibliografia:

1.      Carvalho, Antonio Cesar Perri. O homem e a obra. Cap. Cinquentenário de mediunidade. Ed.USE.
2.      Xavier, Francisco Cândido. Benção de paz. Cap.1. Ed. GEEM.
3.      Xavier, Francisco Cândido. Material de construção. Cap. Crítica e Serviço. Ed. IDEAL.