PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

JESUS, ESPIRITISMO E AS OPERÁRIAS DIVINAS DO CRIADOR (Jorge Hessen)



Jorge Hessen

A primeira das congregações cristãs surgiu na Galileia, e era composta principalmente de mulheres simples, do povo. Tais sustentáculos do Evangelho socorriam os mendigos, pedintes, coxos, aleijados. Na crise do Calvário, as mulheres galileias tiveram posição destacada ao pé da cruz. A “Casa do caminho” contou com a colaboração fundamental delas. Portanto, elas não foram simples coadjuvantes das passagens que marcaram os tempos apostólicos. Foram as testemunhas de momentos-chave daqueles tempos em que as mulheres eram tratadas como seres de “segunda classe”, porém o Cristo as tratava com respeito incondicional. 

No primeiro prodígio público do Mestre , nas bodas de Caná, é descrita a pujante fé exercida por Maria de Nazaré ao instruir os servos a obedecerem ao seu Filho amado: “Fazei tudo quanto Ele vos disser”. [1] Logo, as talhas de água foram enchidas, e o Senhor transformou a água em vinho atendendo ao pedido de ajuda de Maria para servir aos convidados do casamento. 

Junto à mulher de Samaria o Mestre comprova sua reverência a todas as mulheres, sem distinção de nacionalidade ou formação religiosa. Após marchar sob um sol causticante, o divino Carpinteiro parou para descansar e abater a sede. Iniciou uma conversa com aquela samaritana à beira do poço de Jacó e solicitou um pouco d’água. Gradualmente, ao longo da conversa, a samaritana assumiu um testemunho da divindade daquele homem, primeiro chamando-o “judeu”, depois de “Senhor”, então “profeta” e por fim de “Messias”. Ressalte-se que os judeus consideravam os samaritanos mais abomináveis do que quaisquer outros gentios e evitavam ter contato social com eles. Além do mais , nessa ocorrência, o Divino Rabi além de abandonar as tradições judaicas declarou pela primeira vez para a mulher que era o Cristo.[2]. 

O excelso Galileu informou que tinha a “água viva” [3]e os que bebessem dela jamais teriam sede. Assombrada, a samaritana fez outras indagações. O príncipe da Paz , então , revelou a desventura dela e seu atual relacionamento “impuro”. Embora ela pudesse ter-se sentido envergonhada, percebeu, porém, que Jesus lhe falou com benignidade, porquanto respondeu, absorta: “Senhor, vejo que és profeta”.[4] Ela, então, deixando o pote de água foi até a cidade e anunciou: “Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo?” [5] 

Jesus sempre atento às mulheres conhecia os detalhes da vida delas. Além disso, Ele as respeitava independentemente da condição moral de cada uma. Tal como ocorreu noutro episódio com a mulher adúltera. Embora os escribas e fariseus persistissem em provocar Jesus e a humilhar a adúltera, o Mestre, por compaixão da mulher caída, lançou a sentença aos acusadores: Aquele que de entre vós estiver sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. [6]. Condenando-se a si mesmos, os acusadores, um a um, afastaram-se humilhados, deixando apenas a frágil mulher diante do Governador da Terra que perguntou-lhe: “Onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor!. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais” [7].

Como observamos Jesus tratava as mulheres com compaixão e respeito, a despeito das suas histórias. Noutro episódio demonstrou empatia consolando a convertida de Magdala quando a encontrou em lágrimas no jardim do sepulcro. Narra o evangelista: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro” [8]. Ao ver que a pedra havia sido removida, Maria correu para procurar ajuda e para alertar os apóstolos de que o corpo de Jesus desaparecera. Ela encontrou Pedro e João, que correram ao sepulcro e somente encontraram as roupas de sepultamento. Então, os dois apóstolos partiram, deixando Maria sozinha no jardim da sepultura.

Madalena estava chorando no jardim que ficava junto à catacumba: a ideia de não saber o que havia acontecido com o corpo do Crucificado pode tê-la deixado desolada. Embora o Mestre lhe tenha aparecido e falado com ela, a princípio ela não O reconheceu. Mas então “disse-lhe Jesus: Maria!” [9] neste instante algo fez com que ela soubesse que se tratava de Filho de Deus. O reconhecimento foi instantâneo. Seus olhos em lágrimas brilharam de alegria. Depois de testemunhar o Senhor “ressuscitado”, foi pedido a Maria que testificasse aos apóstolos que Ele estava vivo. 

Madalena obedeceu. Embora os discípulos tenham se mostrado céticos a princípio [10], o testemunho da convertida de Magdala deve ter tido algum impacto. Mais tarde, os discípulos estavam reunidos para falar dos acontecimentos daquele dia, provavelmente ponderando o testemunho de Madalena , quando “chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco”. [11]

Historicamente o patriarcalismo ancestral tem dominado a trajetória do Cristianismo. Os donos da Igreja entronizaram um Deus “Pai” e não Mãe, um Criador e não Criadora, exaltaram os 12 apóstolos e não as apóstolas, exaltaram o filho de Deus e não filha. 

Mas sem sombra de dúvida que foram as mulheres que não só participaram, como protagonizaram boa parte dos momentos decisivos da Boa Nova. Recordemos Maria Salomé (esposa de Zebedeu), Maria [esposa de Cléofas], Maria (mãe de João Marcos), Maria e sua irmã Marta (irmãs de Lázaro) Lídia (mãe de Silas), Joana de Cusa, Loíde (avó de Timóteo) Eunice (mãe de Timóteo), Priscila (esposa de Áquila) Lídia (viúva digna e generosa) Suzana dentre outras que trabalharam nos “bastidores”. 

Prosseguindo no tempo, vamos identificar a força das mulheres no protagonismo da Terceira Revelação. Foram elas, as irmãs Fox, Florence Cook, Amália Domingo y Soler, Elisabeth D'Espérance, Eusápia Paladino, Roger, Plainemaison que colaboraram intensamente para a propagação da imortalidade. Allan Kardec teve incondicional apoio moral de sua consorte Amélie Gabrielle Boudet, estudou as arrebatadoras mediunidades das irmãs Julie Baudin e Caroline Baudin, Ruth Celine Japhet, Aline Carlotti e Ermance Dufaux. 

Para quem desconhece, saibamos que as irmãs Baudin psicografaram a quase totalidade das questões de O Livro dos Espíritos nas reuniões familiares dirigidas por seus pais e gerenciadas pelo mestre de Lyon. A senhorita Ruth Celine Japhet foi a medianeira responsável pela revisão completa do texto, incluindo adições do livro pioneiro do Paracleto. A jovem Aline Carlotti [12] era membro do grupo de médiuns através do qual Kardec referendou as questões mais espinhosas do Livro dos Espíritos, fazendo uso da Concordância dos Ensinos dos Espíritos.[13]

Afinal, não poderíamos deixar de bancar uma justa homenagem às personagens espirituais (populares entre os brasileiros), a saber: Maria Dolores, Meimei, Auta de Souza, ministra Veneranda, Sheila, Maria João de Deus (mãe de Chico Xavier), Joana de Angelis, irmã Rosália, Maria Dolores, Adelaide Augusta Câmara, Anália Franco, Anna Rebello Prado, Benedita Fernandes, Corina Novelino, Heigorina Cunha, Yvonne do Amaral Pereira, Zilda Gama.

Vão aqui as minhas sinceras reverências a todas as mulheres que fazem do atual Espiritismo um elo inquebrantável entre a Terra e o Céu.

Notas e referências:

[1] João 2:5
[2] João 4:9–29
[3] João 4:10
[4] João 4:19
[5] João 4:29.
[6] João 8:7–8 
[7] João 8:10–11
[8] João 20:1
[9] João 20:16
[10] Lucas 24:11
[11] João 20:19
[12] Era filha de sr. Carlotti, um dos iniciadores de Rivail nas pesquisas sobre os fenômenos mediúnicos
[13] Kardec cita essa última checagem em Obras Póstumas, p.270 (26ªedição da Feb).

É o Espirito que Desenvolve a Forma do Ser

       
José Sola
              
Uma grande maioria de nossos confrades espiritas, atidos a letra, mas completamente esquecidos da essência, afirmam auto e bom som de que o espirito não tem forma. 

E isto fazem por extrapolarem as questões apresentadas por Kardec, sem fazerem uso da lógica e da razão, sendo que a preocupação de nosso mestre Lionês, sempre foi a de passar tudo o que ouvia fosse dos homens ou dos espíritos pelo crivo da lógica e da razão, e aceitar como verídico ao que fosse sustentável ao ser analisado por esses parâmetros. 

Entretanto não pretendo apresentar aqui minha extrapolação como verdadeira, mas para ser analisada e discutida, pois não devemos apresentar uma opinião, ou uma extrapolação e entendermos de que temos a ultima palavra, então devo explicar-me e aguardar outros pareceres que respondam a lógica. A seguir transcrevo a questão apresentada por Kardec, e á resposta do Espirito da Verdade, e uma nota do tradutor Herculano Pires, vejamos.

88 - Os espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante?

- Aos vossos olhos, não aos nossos; sim. Eles são, se o quiserdes, uma flama, um clarão ou uma centelha etérea.

Apresentamos a nota do Professor Herculano Pires que foi o tradutor do livro dos espíritos que temos em mãos. 

“Todo este trecho se refere ao espirito puro, desprovido do períspirito. Necessário atentar para essas variações, para não confundirmos as explicações”.

Esta resposta se extrapolada a letra, parece afirmar categórica e definitivamente que o espirito não tem forma, e ponto final. E o Professor Herculano Pires adiciona uma nota, conforme acima informado, e é importante que está nota seja observada.

Mas o Espirito da Verdade, responde a Kardec aos vossos olhos, não aos nossos, sim. Entendo que se o espirito não apresentasse nenhuma forma, a resposta correta, é não, pois como é possivel não ter forma para nós e para os espíritos desencarnados sim. Então a resposta correta do Espirito da Verdade seria tem, mas vós não a podeis apreciar.

Mas como sempre o nosso mestre Lionês está correto, o espirito não tem forma, ele desenvolve a forma. Mas apresentar esta afirmativa sem explica-la detalhando esta possibilidade, não quer dizer nada, é apresentar uma premissa insustentável, é nos demorarmos à letra como comumente se costuma, então vamos explicar esta possibilidade desde o inicio.

Nós espiritas temos nos demorado em dificuldades para entendermos a evolução anímica, alguns confrades entendem que esta não existe, outros que a mesma existe, apenas a partir do reino animal, e esta dificuldade de apreciação a um fato tão visível, tão lógico e racional, só tem um motivo; nós cremos em um Deus que está externo ao universo, um Deus que cria a vida a partir do nada. Esta crença chama-se monoteísmo.

Entretanto o nosso mestre Kardec nos apresenta uma analogia, em o livro “A Gênese” afirmando que o universo esta para Deus, tanto quanto, nosso corpo esta para nosso espirito. E nos demorando atento ás obras de Allan Kardec, tanto quanto as de André Luiz, verificamos que nosso espirito esta no todo de nosso corpo, isto é, onde existe um órgão material, existe um órgão espiritual, ambos se demoram em uma simbiose infinita, espirito e matéria não se demoram dissociados. E em analogia Deus está radicado no todo do universo, Ele é a vida do mesmo. Esta é a crença em um Deus monista.

Compreendendo que Deus é a vida do universo, passamos a ver a criação, não mais como à elaboração de algo que não existia, e a partir de um nada, o Criador criou o universo e os infinitos elementos que o constituem, num determinado momento da eternidade.

Entenderemos o que significa ser Deus absoluto, e se O mesmo é absoluto, e esta no todo do universo infinito, o universo por sua vez também é absoluto.

E sendo absoluto, estando radicados Deus e universo, não entendemos que seja possivel acrescentar, ou subtrair algo ao Mesmo, pois qualquer uma dessas possibilidades o destituiria deste Seu atributo, e o mesmo não seria mais Deus.

E extrapolando a analogia apresentada por Kardec, podemos afirmar de que a substância esta para Deus, tanto quanto o plasma sanguíneo esta para nosso espirito. A substância é a energia que se manifesta de Deus na vida, esta contém como “semente” os infinitos elementos que o constituem, como um eterno vir a ser.

E quando da maturação da substância, num determinado momento da eternidade, é que o ser inicia sua caminhada rumo a indivualidade. Esta substância trás em seu núcleo, a centelha divina do Criador, entretanto não podemos chamar esta centelha de espirito, pois embora possua as infinitas propriedades do espirito, necessita ainda matura-las.

Um amigo querido me questionou quando afirmei que a matéria tem um principio inteligente, afirmando-me que a matéria não tem espirito, e é logico que lhe respondi que não, pois a centelha divina não deve ser chamada de espirito, entretanto estará a transformar-se no mesmo, a partir do reino animal.

Mas importa lembrar ainda de que no núcleo da substância não está contida apenas a centelha divina, mas também, o corpo energético, o psiquismo, e o elemento matéria - energia. E no momento da maturação estes elementos que formam o Ser (homem), não se manifestam dissociados, estes coexistem num único e mesmo momento, esta dissociação eu a apresento apenas como uma necessidade de estudo. (Apresento estes apontamentos de forma sintetizada, por havê-los detalhado em textos anteriores).

O Espirito da Verdade informa de que o espirito não tem forma, e está correto, pois a centelha divina no núcleo da substância não tem forma, entretanto a partir do momento em que a mesma inicia a sua caminhada rumo à individualidade no reino do minério, passa a desenvolver a forma, que define o Ser em sua característica individual, no momento evolutivo em que se demore.

E o elemento que lhe possibilita desenvolva esta propriedade é o corpo energético, pois como já o sabemos o corpo energético ou períspirito, é o elemento plasmático que possibilita a aderência das células ao espirito, o que nos leva a concluir de que o corpo energético coexiste com o espirito desde o reino do minério. Sem a centelha divina, que é o eu diretor da matéria, revestida do corpo energético, a matéria não tomaria forma alguma, se tornaria mesmo impossível à evolução da forma em sua contextura de matéria.

E nosso amigo Clarêncio também tem essa percepção, pois este amigo nos informa esta premissa em o livro “Entre a Terra e o Céu” no capitulo Conversação Edificante, pagina 132, escrito por Andre Luiz, através das mãos saudosas do médium Francisco cândido Xavier, vejamos.

“O prodigioso corpo do homem na Crosta Terrestre foi erigido pacientemente, no curso dos séculos, e o delicado veiculo do Espirito nos planos mais elevados, vem sendo construído, célula a célula na esteira dos milênios incessantes...”

Acreditar que não seja o espirito que desenvolve a forma, é afirmar que a matéria tenha esta propriedade, e estaremos desta maneira invertendo os fatores causa e efeito, pois a matéria seria a causa e o espirito seria o efeito.

E embora a pergunta de Kardec ao Espirito da Verdade haja sido por este apresentada no sentido de questionar a similitude da comunhão de origens dos seres vivos com a metempsicose, esta nos ajuda a entender que a centelha divina não tem a forma definida em sua essência, mas que estará definindo a forma do Ser, nos momentos variados de sua evolução.

“611. A comunhão de origem dos seres vivos no princípio inteligente não é a consagração da doutrina da metempsicose”? 

-- ”Duas coisas podem ter a mesma origem e não se assemelharem em nada mais tarde. Quem reconheceria a árvore, suas folhas, suas flores e seus frutos no germe informe que se contém na semente de onde saíram”? No momento em que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entra no período de humanidade, não tem mais relação com o seu estado primitivo e não é mais a alma dos animais, como a árvore não é a semente. No homem, somente existe do animal o corpo, as paixões que nascem da influência do corpo e o instinto de conservação inerente à matéria. Não se pode dizer, portanto, que tal homem é a encarnação do Espírito de tal animal, e, por conseguinte a metempsicose, tal como a entendem, não é exata.” 

Como nos informa o espirito da Verdade, o espirito realmente não tem uma forma definida, assim como não esta defina a árvore frondosa na essência da semente, mas é ele que ‘’possui em essência as infinitas formas que o espirito desenvolverá e manifestara na eternidade, dependendo de seu momento evolutivo. E estas formas ele as conservará arquivadas em seu inconsciente passado, para toda a eternidade, e este fato podemos apreciar quando do momento da reencarnação, pois isto a própria ciência, o demonstra. Quando no momento de gestação, o embrião revive momentaneamente as formas em que o espirito se demorou nos reinos inferiores da natureza, as mais fáceis de apreciar são as formas vividas no reino animal, e estas formas parecem coexistir como uma propriedade do espirito.

E porque dizemos isto, porque as formas animais, o espirito as revive momentaneamente no momento da reencarnação, isto quer dizer de que essas formas são consistentes, mas o espirito é suscetível de tomar formas monstruosas quando se demora vivendo a inferioridade, a violência, e a crueldade, entretanto estas formas não são registradas pelo espirito, as mesmas se desvanecem.

E para corroborar que é o espirito que desenvolve a forma, apresento as palavras de Alexandre dirigindo-se a Segismundo no momento em que este está vivendo a miniaturação, livro “Missionários da Luz” vejamos.

“- Segismundo ajude-nos! Mantenha clareza de propósitos e pensamento firme! .....

- Agora - continuou o instrutor – sintonize conosco relativamente à forma pré-infantil. Mentalize sua volta ao refugio maternal da carne terrestre! Lembre-se da organização fetal, faça-se pequenino! Imagine sua necessidade de tornar a ser criança para aprender a ser homem! ...... Surpreendido, reconheci que, ao influxo magnético de Alexandre e dos Construtores Espirituais, a forma perispiritual de Segismundo tornava-se reduzida. ......

“Por fim, com grande assombro meu, verifiquei que a forma de nosso amigo se assemelhava à de uma criança”. (paginas 214 e 215)

Verificamos nesta experiência de Segismundo que antes de ser depositado pela futura vovó já desencarnada no útero materno, o mesmo havia vivido o processo de miniaturização, entretanto se apresentava com as mesmas características que vivera na reencarnação anterior e que conservava na espiritualidade, o que quer dizer que o espirito conservava a forma.

E mais adiante verificamos o questionamento de André Luiz a Alexandre, pois André entendeu de que Segismundo fosse desenvolver um corpo físico idêntico ao anterior, e a resposta esclarecedora apresentada pelo mentor Alexandre, vejamos. 

“- Nosso irmão reencarnante apresentar-se-á, mais tarde, entre os homens, tal qual vivia entre nós”? Já que as suas instruções se baseiam na forma perispiritual preexistente, terá ele a mesma altura, bem como as mesmas expressões que o caracterizavam em nossa esfera?

Alexandre respondeu sem titubear:

“Raciocine devagar, André! Falamos da forma preexistente, nela significando o modelo de configuração típica ou mais propriamente, o uniforme humano. Os contornos e as minudencias anatômicas vão desenvolver-se de acordo com os princípios de equilíbrio e com a lei de herietariedade”. (Paginas 225 e 226)

E mais uma vez André Luiz corrobora que o espirito mantém a forma na espiritualidade, pois questiona Alexandre se Segismundo terá a mesma altura, bem com as mesmas expressões que o caracterizavam na esfera espiritual. 

Como nos informa Alexandre não podemos nos esquecer de que a configuração humana é o espirito quem a apresenta, entretanto, demorando-se em simbiose, espirito e matéria se complementam se completam, e a matéria participa com o espirito na formação do corpo físico através da genética, cor da pele, tamanho da boca, nariz, cor dos cabelos, olhos etc., mas a configuração humana, cabeça tronco e membros, é uma propriedade do espirito.

Necessitamos tomar muito cuidado em nossas extrapolações, pois alguns confrades afirmam que o espirito não tem sexo, e se o espirito não tem sexo e o mesmo é um mecanismo da evolução, então temos que admitir de que a matéria é que tem a propriedade de gerar essa força. Afirmamos de que o espirito não tem forma, entretanto as formas fazem parte da vida, todos os elementos que podemos apreciar tem uma forma que os define que os caracteriza, mas se não é o espirito que desenvolve essa forma, temos que admitir de que a matéria é a causa, o espirito é o efeito.

Com todas estas propriedades que atribuímos à matéria, ficamos em duvida como atuará a Lei Divina para aferir responsabilidade de culpa por uma transgressão vivida pelo Ser, pois se a matéria tem essas propriedades, poderá ter ainda outras que submetam o espirito, e o levem a praticar atos que contrariem os desígnios de Deus. 

Entendo que esta não poderá se fazer vigente, corrigindo um espirito, por um ato praticado por este desde que o espirito o praticou subordinado a uma propriedade da matéria, se isto acontecesse, está Lei não seria justa, equitativa, e sabia. 

E temos ainda algo a lembrar, todos os videntes nos informam haverem visto o espirito de um amigo ou de um familiar, na configuração humana, nunca como uma centelha informe, ou uma fagulha luminosa. Embora encontremos alguns médiuns em que a faculdade de vidência não aflorou por completo, e estes não conseguem ver o espirito, mas apenas a luz que este irradia, ou quando o espirito seja de uma evolução maior, pois a diferença vibracional do médium para com o espirito é grande, e não permite aconteça a vidência clara do espirito presente. 

E mais nas obras de André Luiz, Emmanuel, Humberto de Campos, e de muitos outros espíritos, nunca nos apresentaram uma citação informando-nos de que os espíritos se apresentam como uma centelha informe.

E temos ainda aqueles confrades que acreditam que com a evolução do espirito na eternidade, este perde a forma, transformando-se numa centelha iluminada, mas informe; será?

Parece-me de que adotando esta possibilidade, estaremos corroborando o panteísmo, pois a crença panteísta é de que o espirito com a evolução volta a fazer parte do todo, isto é, perde a sua individualidade.

E alguns espiritas entendem de que com a evolução o espirito perde sua configuração, sua individualidade, e se transformam em uma centelha, uma flama divina, o que não é diferente do pensamento panteísta. Algum confrade no intento de defender esta possibilidade me dirá, mas uma centelha é uma individualidade, concordo, mas uma individualidade indefinida; ou será que está centelha, esta flama, tem uma forma? 

Mas vamos agora verificar as palavras do Professor Herculano Pires já supracitadas, “ Todo este trecho se refere ao espirito puro, desprovido do períspirito.” Entendo que estas palavras do nosso querido Herculano pretendem separar o espirito do períspirito e demais elementos que compõe o Ser, apenas para estudo, pois como já vimos no discorrer deste texto, os mesmos coexistem em um único e mesmo momento.

Logico não temos como analisar, e por esta mesma razão não podemos afirmar que estes quatro elementos, se demorassem em simbiose enquanto ainda contidos no núcleo da substância. Entretanto quando da maturação desta, a lógica e a racionalidade, nos autorizam a afirmar que sim, pois conforme explicitado, sem o corpo energético em simbiose com a centelha divina, não seria possivel as células de matéria aderir a esse principio inteligente.

E lembramos ainda de que o corpo energético ou períspirito não se dissocia em momento algum do eu diretor da matéria. Quando encarnados nos demoramos revestidos pelo períspirito, desencarnamos e o períspirito nos acompanha na espiritualidade, e ao reencarnarmos o espirito após haver vivido o processo de miniaturização, conforme nos Informa o mentor Alexandre em o livro “Missionários da Luz” escrito por André Luiz, através da psicografia de Francisco C. Xavier, retorna novamente para a vida material. E não podemos nos esquecer de que o períspirito é o mesmo, não construímos um períspirito a cada reencarnação. (Para um maior esclarecimento desta possibilidade, verificar o texto “Concepção do Períspirito”, pois neste texto eu extrapolo este tema).

E quanto ao espirito despojar-se do períspirito, quando atinja uma evolução maior, não concerne, pois na questão 22 do “Livro dos Espíritos” o Espirito da Verdade informa Kardec com estas palavras, vejamos. Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria, para vós, porém, não o seria. Nesta afirmativa Kardec de alguma forma se antecipava a ciência quando na atualidade nos revela a matéria em outra dimensão, ao mensurar o elétron, o próton, o neutrino, etc.

E é a física quem nos informa de que os átomos são divisíveis ao infinito, isto quer dizer de que as partículas de matéria se dividem ao infinito, para formar corpos de matéria em outras dimensões, corpos estes que atendam ao espirito em sua evolução na eternidade.

E esta lógica reforça a premissa de que o períspirito acompanha o espirito em sua evolução na eternidade, pois a matéria para aderir ao espirito necessitara do períspirito. Algum confrade me dirá de que não existe mais esta necessidade, pois a matéria neste momento evolutivo se demora em uma dimensão sutil, o necessário para aderir ao espirito. Entretanto não podemos nos esquecer de que o espirito também evolui, pois é este o eu diretor que conduz todos os elementos que coexistem em simbiose na formação do Ser e, portanto vai se tornando sempre mais rarefeito.

E mesmo porque, o corpo energético (períspirito), é o elemento plasmático que possibilita à aderência da matéria a centelha divina desde o reino do minério, pois sem esse corpo energético, as células de matéria não teriam como se agrupar, e iniciar o desenvolvimento das múltiplas formas que compõe o reino mineral.

Não nos é possivel entender de que um elemento que coexiste com o espirito a partir do reino do minério, evolui com o mesmo, tornando-se mais sutil, mais rarefeito através da evolução, venha a deixar de existir jamais, pois no universo nada morre tudo se modifica e se transforma o universo é um esterno vir a ser. 

Então como sempre nosso mestre Kardec esta correto, nós é que nos atrapalhamos um pouco, nos perdemos na letra e não penetramos a essência. 

Espero ter deixado esclarecido de que a centelha divina (espirito), realmente não tem forma, mas é ele quem desenvolve a forma, nos infinitos momentos evolutivos do ser.

Se a centelha divina ou o espirito tivessem uma forma definida, não aconteceriam as mutações das formas através da evolução anímica, a mesma prevaleceria sempre, a qualquer momento da evolução do Ser.