PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

domingo, 15 de novembro de 2015

Parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas, 18:09-14)

Arnaldo Rocha

Esta parábola Jesus contou
Aos que só em si confiavam,
Desprezando outras pessoas,
Porque justos se achavam:

- Dois homens foram ao templo
Desejando orar para Deus;
Um deles era Publicano
E o outro, membro dos Fariseus.

O Fariseu, orando em pé,
A si mesmo exaltou:
- Meu Deus, graças vos rendo
Porque igual aos outros eu não sou...

E continuou a falar,
Como se fosse um insano,
Que a ele não se comparava
Nem mesmo aquele Publicano,

E que os outros homens
Eram ladrões, adúlteros e injustos;
Dando claramente a entender
Que ele fazia parte dos justos.

E seguiu a dizer, assim:
- Duas vezes por semana eu jejuo,
E pago o dízimo de tudo
O quanto eu possuo.

O Publicano, ao contrário,
Mantendo-se distante,
Não ousava erguer os olhos
Aos céus, naquele instante,

Apenas batia no peito
E clamava com ardor:
- Meu Deus, tende piedade de mim,
Que sou um reles pecador...

- Digo-vos -acrescentou Jesus -
Que este, enfim, retornou
Para os seus justificado,
E não aquele que se exaltou;

Porque aquele que se exalta
Será, afinal, humilhado,
E aquele que se humilha
Será, por fim, exaltado.

Aproximação e fuga

Jane Maiolo


Desta vez, quero vos ver não somente de passagem, mas espero demorar-me algum tempo convosco, se o Senhor o permitir. [1]

O “apóstolo dos gentios”, na sua primeira carta aos coríntios , após recomendar-lhes o que era necessário para o cumprimento das atividades da igreja, manifesta seu desejo de permanecer entre os irmãos de fé um pouco mais. Estar na presença daqueles que nos edificam é valiosa oportunidade de evolução .

Desde os primórdios da Humanidade experimentamos um processo contínuo de aproximação e fuga que colaboraram na nossa estruturação enquanto indivíduos. Aproximamos daquilo que nos interessa e fugimos daquilo que nos ameaça ou cobra-nos novos posicionamentos.

Os primeiros organismos vivos iniciaram um processo de troca de informações químicas com o meio externo há milhões de anos a fim de nutrir-se de substâncias essenciais à sua subsistência e também de repulsão de fragmentos químicos que lhes seriam danosos para a sobrevivência.” [2]

De onde vem essa inteligência instintiva desses seres tão primários? São enigmas não resolvidos pela Ciência Moderna. Aproximação e fuga são posicionamentos tão constantes no nosso cotidiano que não percebemos o automatismo dessas ações na nossa vida .

O espírito pensante vive e evolui num processo semelhante, ora se aproxima das verdades que lhes renovam as energias fisiopsíquicas e espirituais , ora foge desse compromisso individual e intransferível que é a evolução.

Em todos os períodos da Humanidade temos recebido notícias, ensinamentos e exemplos de missionários que tentam por todos os meios nos aproximar das verdades eternas, conforme nos assevera Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, questão 622. [3]

A misericórdia divina é sempre rica de recursos.

Retrocedendo no tempo é possível avaliar como tratamos todos aqueles que de uma forma ou de outra intermediaram essa aproximação com aquilo que é sublime. A verdade sempre nos afronta de tal forma que não conseguimos conviver com seus representantes. O processo de fuga representa um adiamento à aquisição dos valores eternos necessário a todos os espíritos.

Desde a vinda de Abrãao , o primeiro patriarca do povo hebreu, responsável pela tarefa de apresentar-nos o Deus Único, estamos fugindo da proposta espiritual de redenção.

Assassinamos os profetas da antiguidade, serramos o Profeta Isaias ao meio, queimamos uns tantos outros no azeite, crucificamos alguns no madeiro maldito, decapitamos , ateamos a fogueiras tantos outros que ousavam falar de justiça, ética, perdão e amor ao próximo. Em tempos de ódio, perseguição e guerra a presença do amor e da verdade eram sentimentos insuportáveis. Não poupamos nem mesmo o Cristo Divino, representante inigualável do Amor, assassinamos-os com requintes de loucura e insensatez.

É de se notar que nosso histórico espiritual não é muito recomendado ,mas assim caminha a Humanidade, com passos de formiga e sem vontade, como entoou o cantor moderno.[4]

Registra o nobre escritor Humberto de Campos, no livro Crônicas de Além-Túmulo , no capítulo 15, intitulado “A ordem do Mestre” que Jesus interrogava João, o discípulo amado, sobre como andam os deveres cristãos no mundo, onde Ele deixara o exemplo maior do Amor e o Evangelista responde: “- Vão mal, meu Senhor. Desde o Concílio Ecumênico de Nicéia, efetuado para combater o cisma de Ario em 325, as vossas verdades são deturpadas. Ao arianismo seguiu-se o movimento dos iconoclastas em 787 e tanto contrariaram os homens o Vosso ensinamento de pureza e de simplicidade, que eles próprios nunca mais se entenderam na interpretação dos textos evangélicos.”[5]

Talvez seja por tantos atritos e desentendementos acerca de uma doutrina sempre tão acessível a todos os entendimentos que continuamos a criar tantas fórmulas de desvios , destruição e violência contra nós mesmos. Continuamos a aniquilar aqueles que representam o amor, a caridade e a paz como fizemos com Martin Luther King, Mohandas Karamchand Gandhi, Al Hajj Malik Al-Shabazz, mais conhecido como Malcolm X e tantos outros conhecidos ou não.

Jesus na sua Sabedoria Infinita percebendo a dureza ainda instalada em nossos corações decide um novo programa , capaz de restaurar a verdade e nos proteger das nossas próprias alienações.

Um plano audacioso e eficaz. Seu novo plano é enviar alguns dos missionários, já “mortos”, impedindo-nos de matá-los novamente, para serem portadores da 3ª etapa da Revelação Divina , o Consolador Prometido, que chegaria em tempo oportuno e reestabeleceria a paz e libertaria consciências .

Humberto de Campos registra o primoroso plano do Cristo no citado livro ,dirigindo-se a João: “- Se os vivos nos traíram, meu discípulo bem-amado, se traficam com o objeto sagrado da vossa casa, profligando a fraternidade e o amor, mandarei que os mortos falem na Terra em meu nome.”[6]

Assim ,Jesus , o Cristo de Deus, envia o Paracleto em tempo mais que necessário, na esperança de não mais destruirmos aquilo que é capaz de nos elevar enquanto criaturas de Deus.

É tempo de aproximarmo-nos dos ensinamentos do amor para vivê-lo em toda sua plenitude.Fujamos sempre daquilo que nos macula a pureza do coração e nos impede de crescer espiritualmente .Tal qual os primeiros organismos somos hoje espíritos sedendos de substâncias capazes de nutrir nossa alma e edificar nossa vontade de retornar ao aprisco Divino, e se o Senhor assim o permitir demoraremos mais tempo , desta vez, no caminho do amor.

Referências  bibliográficas:
[1] 1Coríntios 16:7
[2]  Facure, Nubor Orlando. Artigo – “O enigma da consciência”, (coloque aqui o  local: editora, ano)
[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB , 2007. Perg. 622
[4]Letra da música composta por  Lulu Santos – “Assim caminha a humanidade”.
[5] XAVIER, Francisco Cândido. Crônicas de Além túmulo ,ditado pelo Espírito Humberto de Campos , cap. 15-Brasília /DF:  Ed FEB.
            [6] Idem.


            *Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Dirigente da USE Intermunicipal de Jales/SP. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales/SP. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Jornal O Rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP –Blog Bruno Tavares Recife/PE-Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita. janemaiolo@bol.com.br -

Em Eurípedes Barsanulfo confirma-se que o Espírito de Verdade é Jesus

Paulo Neto
Temos atendido aos convites de confrades para fazer a palestra intitulada “Espírito de Verdade, quem seria Ele?”, que, por sinal, temos visto que a resposta do público é bem positiva.
Tomamos conhecimento de que um confrade fez circular, pela internet, um texto que nos parece ter o objetivo de contestar a nossa opinião, no qual afirma, em título, que as “Psicografias de Eurípedes Barsanulfo confirmam: o Espírito de Verdade é João Batista”.
A base da palestra é a nossa extensa pesquisa intitulada “Espírito de Verdade, quem seria Ele?” ([1]), onde, essencialmente, nas obras da Codificação Espírita, pode-se concluir que se trata mesmo de Jesus, embora isso ainda cause surpresa a alguns confrades. Inclusive, percebemos que isso não é bem-aceito, por um reduzido grupo, que não aceita a possibilidade de Jesus se comunicar com os homens. Tudo bem, mas, de nossa parte, ainda preferimos acreditar em suas palavras: “Não vos deixarei órfãos, voltarei a vós.” (João 14,18). E, para falar bem francamente, não conseguimos entender o porque disso, pois, a nós, parece ser mais difícil a um Espírito Puro encarnar entre os homens do que se comunicar com eles. E Jesus fez os dois.
O confrade tomou como base de seus argumentos contestatórios a obra Eurípedes, o médium de Jesus, que contém as comunicações recebidas pelo médium durante o período de 1906 a 1909. Cita alguns trechos, com os quais sustenta sua tese. Parte deles transcreveremos e, para que visualmente fique mais fácil a identificação, iremos destacá-los, sombreando o pano de fundo na cor cinza azulado. O que estiver em negrito é grifo do original.
1ª transcrição ([2]):
O médium Aristides sonambolizado [sic] disse:
Oh! Meu Deus, não sou digno de ver a beleza esplendente de um trono refulgente, de um trono iluminado pelos arcanjos, que abaixam reunidos em um só foco num quadro fluídico e que vem ao meu encontro.
Acham-se à frente nosso bom Bittencourt Sampaio, Vicente de Paulo e São João Batista, o imperador da nossa doutrina. (…)
Excerto de comunicação do espírito de Floriano Peixoto em 1906.
Não sabemos as razões pelas quais o Espírito Floriano Peixoto designa João Batista de “o imperador da nossa doutrina”, pois até o presente momento nunca vimos essa designação ser atribuída a nenhum Espírito como tendo essa função em relação à Doutrina Espírita.
Ademais, não podemos nos esquecer de que Kardec deixou bem claro que:
O Espiritismo não é mais a obra de um único Espírito como não é a de um único homem; é a obra dos Espíritos em geral. Segue-se que a opinião de um Espírito sobre um princípio qualquer não é considerada pelos Espíritos senão como uma opinião individual, que pode ser justa ou falsa, e não tem valor senão quando é sancionada pelo ensino da maioria, dado sobre os diversos pontos do globo. Foi esse ensino universal que fez o que ele é, e que fará o que será. Diante desse poderoso critério, caem necessariamente todas as teorias particulares que sejam o produto de ideias sistemáticas, seja de um homem, seja de um Espírito isolado. Uma ideia falsa pode, sem dúvida, agrupar ao seu redor alguns partidários, mas não prevalecerá jamais contra aquela que é ensinada por toda a parte. (grifo nosso) ([3])
Portanto, a opinião do Espírito Floriano Peixoto não passa de opinião pessoal, que não encontra respaldo em qualquer obra espírita que tenha alguma mensagem do plano espiritual que confirme isso.
Na Revista Espírita 1861 encontramos o artigo “O Espiritismo em Lyon”, no qual Kardec cita uma alocução que lhe foi dirigida quando em visita ao grupo espírita de Saint-Just, da qual destacamos o seguinte trecho:
"Senhor Allan Kardec, discípulo de Jesus, intérprete do Espírito de Verdade, sois nosso irmão em Deus; estamos todos reunidos em um mesmo coração, sob a proteção de São João Batista, protetor da Humanidade, precursor do grande mestre Jesus, nosso Salvador.
[…].
Todos nós te dizemos isto, do fundo do coração; estamos animados pelo mesmo fogo e repetimos todos: Glória a Allan Kardec e aos bons Espíritos que o inspiraram! e vós, bravos irmãos, Sr. e Sra. Dijoud, os benditos de Deus, de Jesus e de Maria, estais gravados em nossos corações para deles não sair jamais, porque sacrificastes por nós os vossos interesses e os vossos prazeres materiais. Deus o sabe; nós o agradecemos por vos ter escolhido para essa missão, e agradecemos também o nosso protetor superior São João Batista.
Obrigado, senhor Allan Kardec; mil vezes obrigado, em nome do grupo de Saint-Just, por ter vindo entre nós, simples operários, e ainda bem imperfeitos em Espiritismo; […].” (grifo nosso) ([4])
A designação que temos é de que João Batista era o “protetor da Humanidade”, e, pelo que se vê, também exercia a função de protetor espiritual do grupo de Saint-Just. Ficamos sem entender qual a razão de, nessa época, em que se revelava a Doutrina dos Espíritos, ele se manifestava ora como João Batista, ora como Espírito de Verdade. Seria um caso de dupla personalidade?
Também não deixamos de estranhar o fato de que um Espírito, do qual não se tem uma só mensagem em toda a codificação, no caso João Batista, viria assumir a função de “imperador da nossa doutrina”, em detrimento de outros de participação ativa, como, por exemplo, os três que mais se destacam: São Luis, Erasto e Fénelon.
Teremos, na sequência, mensagens cujo médium utilizado foi o sacramentano Eurípedes Barsanulfo.
2ª transcrição ([5]):
Quero, irmãos, me referir ao grande Espírito da Verdade, que Jesus outrora prometera enviar e que se acha entre vós, dispensando-vos consolo, graças e obséquios às mãos cheias. Ouvi suas vozes, irmãos, pois elas procedem da mansão celestial.
Mateus, Apóstolo do Cristo
Que o Espírito de Verdade se “acha entre vós” é fato, isso já o diziam os Espíritos que participaram da Codificação; por consequente, nenhuma novidade; entretanto, aqui não se está identificando quem ele é; isso não se deve esquecer.
Aliás, na sequência da mensagem, parece-nos que Mateus, autor da mensagem, está para identificar o Espírito de Verdade, como sendo a Doutrina Espírita: “Meus irmãos, o Espiritismo é uma pura verdade. Ai daquele que procurar impedir-lhe a marcha; melhor fora não ter nascido, porque ele vem completar os ensinamentos tão sublimados que aí deixou o N. S. Jesus Cristo.” ([6])
3ª transcrição ([7]):
É hoje o dia em que se comemora a saída deste mundo de sofrimento e dor em que vos achais do grande apóstolo da Verdade: JOÃO BATISTA (mensagem original com maiúscula)
Vicente de Paulo (mentor espiritual de Eurípedes Barsanulfo), 24/06/1906.
É aqui que o nobre confrade, que nos refuta, foi traído por uma interpretação apressada, o que, para nós, indica que tinha ideia preconcebida, que achou ter encontrado algo para sustentá-la. Como? Por que? É bem simples: o texto, claramente, identifica João Batista como apóstolo da Verdade. Ora, como ele, João Batista, pode ser, ao mesmo tempo, o próprio Espírito de Verdade e o “grande apóstolo da Verdade”? Tem sentido alguém, num mesmo momento histórico, ser apóstolo dele mesmo?
4ª transcrição ([8]):
Entre vós está o grande enviado de Jesus, o Espírito da Verdade. Atentos, ouvi-lhe a voz, abri-vos os corações aos seus transcendentalíssimos ensinamentos (…) Uni-vos e, impulsionados por um só desejo erguei vossos olhos ao Céu e dai graças ao Deus pela misericórdia que ainda teve para convosco, enviando-vos este novo instrutor, este novo guia, este novo salvador.
Maria, serva de Deus – 01/07/1906.
Veja, caro leitor, que interessante. Se a primeira frase estivesse desse modo: “Entre vós está o grande enviado de Jesus: (dois pontos) o Espírito da Verdade”, então, seria fácil entender que estava falando de uma pessoa enviada; porém, no texto como está estruturado, ou seja, “Entre vós está o grande enviado de Jesus, (vírgula) o Espírito da Verdade”, trata-se de um aposto, que explica o termo anterior; portanto, a expressão Espírito da Verdade designa a Jesus. Compare-se com a transcrição anterior: “É hoje o dia em que se comemora a saída deste mundo de sofrimento e dor em que vos achais do grande apóstolo da Verdade: JOÃO BATISTA.”, destacamos os dois pontos, após a palavra Verdade, que vem identificá-lo como sendo João Batista; bem simples, não?
Será que deveria ser Eurípedes quem se poderia identificar como o “entre vós está o grande enviado”? Ou, quem sabe, não seria o próprio Kardec?
Podemos ter mais firmeza disso quando, ao final, se diz “este novo instrutor, este novo guia, este novo salvador”, expressão que não se aplica a ninguém mais, a não ser a Jesus. Totalmente fora de propósito querer aplicá-la a João Batista, tendo-o como o Espírito de Verdade.
5ª transcrição ([9]):
Este consolador, este Espírito de Verdade na Terra, está desde o dia em que o Divino Senhor reergueu para de novo, tornar ao seio de seus discípulos e de seus apóstolos dizendo: “Paz seja convosco! Pensáveis que Eu morreria para sempre e eternamente, mas o espírito não morre, discípulos e discípulos amados, ide e pregai e batizai a todos, pois aquele a quem vos ligardes na Terra, ligado será no céu!”
(…) Sim Jesus outrora falara que este Consolador era perpetuamente entre a humanidade, estaria com os humildes, com os fervorosos. Ei-lo entre vós pregando de novo a palavra do Senhor.
(…) Mães, aquecei no tépido inefável calor do seio de Jesus Senhor os vossos filhos e, a vós também oh! Mãe, que trouxestes ante esse mesmo Espírito Consolador a vossa filhinha para ser batizada, está incumbida a lição do Evangelho.
Anjo Gabriel
Se o Espírito de Verdade está na Terra desde o dia em que o Divino Senhor ressuscitado se manifestou aos discípulos e apóstolos, então, a conclusão que se pode tirar é que o Espírito de Verdade é o próprio Jesus, pois foi, exatamente, ele que voltou do túmulo e se manifestou a todos eles. E agora, a partir do meado do século XIX, temos que “Ei-lo entre vós pregando de novo a palavra do Senhor”.
6ª transcrição ([10]):
Sessão em 1908
Glorificados sejais, filhos de Deus, que buscais os raios desta bendita luz que Deus acende na Terra para iluminando a todos, assim dizer: Meus Filhos, na Terra, sempre eu vos esclareci e iluminei pelas bocas dos profetas desde Moisés até Elias, desde Elias até João Batista, de João Batista até ao meu Amado Filho. Por todos tenho semeado em vossos corações o amor que de tantos marcados exemplos vos tenho dado, porém meus filhos, o vosso Governador, o vosso Redentor Jesus, falando aos apóstolos e por isso a humanidade inteira Jesus promete enviar como na passada sessão que foi dito por meu legado Gabriel, promete Jesus, repito, o Espírito Consolador.
Acompanhai-o, segui-o e vos chegarei até a Mim, porém meus filhos quando este mesmo Espírito de Verdade, falando ao povo como outrora Jesus, encontra da parte do povo, de alguns de boa vontade, de fé ardente, de outros a indiferença que quer isto denotar é que através de tantos séculos a humanidade busca ter sempre o mesmo procedimento.
João Batista
Em A Gênese, cap. XVII, item 39, Kardec, analisando João 14,15-18 e 26, esclarece-nos que o Consolador e o Espírito de Verdade, são duas coisas distintas:
Qual deverá ser esse Enviado? Dizendo: “Pedirei a meu Pai e Ele vos enviará outro Consolador”, Jesus indica claramente que esse Consolador não seria Ele próprio, pois, do contrário, teria dito: “Voltarei para completar o que vos tenho ensinado”. Apenas acrescenta: A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós. Impossível esta sentença referir-se a uma individualidade encarnada, uma vez que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la, porém, muito bem, com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, tendo por inspirador o Espírito de Verdade. (grifo itálico do original, em negrito nosso) ([11])
Faz-se uma grande confusão entre as duas designações – Espírito Consolador e Espírito de Verdade –, que, como visto, para Kardec, eram temos distintos.
Há menção de que Jesus é o nosso Governador, fato esse que, em Léon Denis (1846-1927), se confirma:
A passagem de Jesus pela Terra, seus ensinamentos e exemplos, deixaram traços indeléveis; sua influência se estenderá pelos séculos vindouros. Ainda hoje, ele preside os destinos do globo em que viveu, amou, sofreu. Governador espiritual deste planeta, veio, com seu sacrifício, encarreirá-lo para a senda do bem, e é sob a sua direção oculta e com o seu apoio que se opera essa nova revelação, que, sob o nome de moderno espiritualismo, vem restabelecer sua doutrina, restituir aos homens o sentimento dos próprios deveres, o conhecimento de sua natureza e dos seus destinos. (grifo nosso) ([12])
Ressaltamos que Léon Denis é considerado como um dos principais seguidores de Allan Kardec e difusor da Doutrina Espírita após sua morte. Quando ele afirma que Jesus opera a Nova Revelação sob direção oculta, nos remete ao Espírito de Verdade, o novo nome de Jesus. Sim, um novo nome! Para comprovar, vejamos o que se encontra em o Apocalipse (3,11-12):
Venho logo! Segura com firmeza o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Quanto ao vencedor, farei dele uma coluna no templo do meu Deus, e daí nunca mais sairá. Escreverei nele o nome do meu Deus e o nome da Cidade do meu Deus – a nova Jerusalém, que desce do céu, de junto do meu Deus – e o meu novo nome.” (grifo nosso).
Essa previsão sobre a volta de Jesus tem uma referência explícita de que Ele viria com um novo nome. Resta-nos saber se voltou com esse novo nome ou não.
Encontramos na Revista Espírita 1868 uma mensagem falando sobre a regeneração da humanidade, cuja assinatura consta, simplesmente, Um Espírito. Vejamos um trecho:
[…] Coragem! O que foi predito pelo Cristo deve-se realizar. Nesses tempos de aspiração à verdade, a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo, brilha de novo sobre vós; perseverai na luta, sede firmes e desconfiai das armadilhas que vos são estendidas; ficai ligados a esta bandeira onde vós haveis escrito: Fora da caridade não há salvação, e depois esperai, porque aquele que recebeu a missão de vos regenerar retorna, e ele disse: Bem-aventurados aqueles que conhecerem o meu novo nome! (grifo nosso) ([13])
Fala-se abertamente que Cristo retornou, com a missão de regenerar a Humanidade, considerando “bem-aventurados aqueles que conhecerem o meu novo nome”, cumpriu-se assim a previsão em Apocalipse (Ap 3,11-12).
Observe, caro leitor, que a mensagem está assinada por João Batista, então, como já dito, é um caso de dupla personalidade.
7ª transcrição ([14]):
A luz inestimável da regeneração ilumine-vos os arcanos, o íntimo de vossos espíritos. Quando a atmosfera se carrega de nuvens, quando enegrece o céu, agitam-se os arvoredos movidos pela potente força do ar em vertiginosa carreira, os habitantes da Terra dizem: Eis os prenúncios da dúvida (…)
Acaso os humanos seres, na revolução moral que se opera neste momento na superfície terrena, não veem os indicios flagrantes da vinda d´ Aquele que eternamente ficará entre os homens, porque como uma emanação d´Aquele para quem não se fez a morte. Como eflúvios eternos, sendo este Espírito, aquele que d´Ele procede espírito é, logo pode preencher os atributos d`Aquele que Jesus prometera aos homens habitantes da Terra. Ei-lo! Explica, com toda a sua simplicidade ao alcance de todas as inteligências, as divinas parábolas de Jesus. Ei-lo disseminando por toda a parte consolo, alívio e bençãos.
E acaso, pergunto ainda, aqueles que beneficiados de tão celestiais dons podem formular em seus corações a dúvida de que a grata promessa não se realizara e nem realizar-se-á? Ó se estes que enxergam não veem, eis os que d´eles disseram os puros lábios de Jesus: “Têm olhos e não veem, ouvidos e não ouvem!’ Como a inteligência humana recohece os indícios da próxima borrasca e não tem conhecimento dos dias que prenunciam o Espírito Consolador.
Volvei, caros irmãos, a vossa fé para o Deus de Bondade; alentai as acariciadoras esperanças que em vossos seios inoculara o Filho da doce Maria. A esperança da paz, da fraternidade e do amor, por este mesmo Consolador vai ser, de fato, uma realidade (…)
Homens, escutai e segui os conselhos do Espírito Consolador. Ele vem ensinar as verdades que Jesus não pudera revelar, devido não suportá-las naquela época. É chegado o momento em que vós, por intercessão do Consolador Eterno haveis de contrair aliança com o inefável sentimento da Caridade (…)
Bispo de Argel – 04/06/1908
Espírito Consolador, referência ao Espiritismo, conforme interpretação do Codificador, já mencionada. Tanto é que o Bispo de Argel continua argumentando:
Todo aquele que, abrindo as páginas da obra imortal do gênio de Allan Kardec, e nelas demorar os olhos sobre os ensinamentos que elas encerram, ensinamentos transmitidos pelos espíritos do Senhor, nela encontrará a página mais palpitante e traducente da verdadeira doutrina do Meigo Nazareno. […].
[…] Os obreiros deste grande edifício delineado pelo Divino Arquiteto Jesus estão em franca atividade! Os espíritos do Senhor quebrando os mistérios escondidos sob a lápide dos túmulos, vêm dizer aos seres humanos: Homens, Deus convida-vos à verdadeira vida – a vida da pureza, a vida dos anjos! Homens escutai e segui os conselhos do Espírito Consolador! Ele vem ensinar as verdades que Jesus não pudera revelar, devido não suportá-las naquela época! É chegado o momento em que vós, por intercessões do Consolador Eterno haveis de contrair aliança com o inefável sentimento da caridade! ([15])
Sigamos em frente.
8ª transcrição ([16]):
Volvem-se os tempos. Este sentimento transfunde no íntimo de cada um , e os olhos como que voltados ao céu, interrogam: Porque como os primeiros povos não temos o sol da verdade a iluminar-nos? E no horizonte das almas boas, dardejam os raios do mesmo solEle o grande Espírito Consolador de que falara Jesus! E ele que terá de permanecer eternamente entre vós a ensinar-vos a balbuciar as primeiras palavras do alfabeto divino. E é a ele que vós, quais mariposas atraídas pelos lampejos da luz, vinde interrogar-vos sobre ser ele o cumprimento da promessa do Cristo
A vossa interrogação, vo-la respondo eu, é, caros irmãos da Terra, este mesmo espírito de que falara Jesus, portador de regeneração e luz convidando-vos à fé, ao amor e à fraternidade.
Bittencourt Sampaio – 10/10/1908.
O trecho “E ele terá de permanecer eternamente entre vós”, é explicado pela transcrição que fizemos da A Gênese, cap. XVII, item 39, na qual realçamos o seguinte trecho:
[…] Apenas acrescenta: A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós. Impossível esta sentença referir-se a uma individualidade encarnada, uma vez que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la, porém, muito bem, com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, tendo por inspirador o Espírito de Verdade. (grifo itálico do original, em negrito nosso) ([17])
Espírito Consolador ou, simplesmente, Consolador é o Espiritismo, reafirmamos.
Encontramos nessa obra, Eurípedes, o médium de Jesus, uma mensagem de Kardec, com o seguinte teor:
Meus filhos!
Que todos participem deste santo labor, empreendido em prol da causa que esposara o Nosso Senhor Jesus Cristo.
Venho saudar os operosos obreiros que se dedicam em guiar a humanidade neste trilho em que só brilha a esmeraldina estrela da Verdade.
Rendendo graças ao Divino Arquiteto, imploro que volva seus divinos olhos sobre todos que lutam pela paz, pela caridade e os proteja.
São ardentes os votos que faço para que marchem com a paz, a fé e a esperança.
Deus os proteja.
Os trabalhos continuarão e terminarão pela incorporação.
Allan Kardec
(grifo nosso) ([18])
A expressão “só brilha a esmeraldina estrela da Verdade”, certamente, que, com ela, Kardec se referia a Jesus e não a João Batista. Aliás, quem foi que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (João 14,6) Que tal se desdobrássemos esse período: “Eu sou o caminho. Eu sou a Verdade. Eu sou a Vida.” Será que é preciso ser mais claro que isso?
Apenas para registro, consultamos todas as obras publicadas por Kardec e não encontramos uma só vez que ele tenha empregado as expressões: “Nosso Senhor Jesus Cristo”, típica dos crentes das religiões tradicionais e “Divino Arquiteto”, comum aos maçons.
Em 30 de setembro de 1906, há uma mensagem assinada por Melchior, o mago, da qual destacamos:
Espíritas e cristãos se fundem em uma e a mesma significação esses dois vocábulos. Cristão quer dizer o que anela colocar-se em posição de bem executar os ensinamentos que lhes legou o Divino Mestre. Espírita, aquele que ouve não só do Nazareno, como dos seus mensageiros, que são os seus prepostos da palavra e se esmera em dar cumprimento o que ela ensina. Praticar o Espiritismo é por isso mesmo ser-se cristão, pois é o Cristo que comanda a legião do Uno; é Ele que se acha à testa da regeneração deste globo, que por este motivo estará com todos os que se empenham em seguir-lhe os ensinamentos, até o fim do século dos séculos. (grifo nosso) ([19])
Por essa mensagem fica claro que é o Cristo que preside a legião de Espíritos envolvidos na regeneração da humanidade através da Doutrina Espírita. Comparemos com essa fala de Kardec:
[…] reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade que preside ao grande movimento regenerador, a promessa do seu advento se acha por essa forma cumprida, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador. (grifo em itálico do original, em negrito nosso) ([20])
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 4, Kardec já afirmara: “O Espiritismo vem no tempo previsto, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. […].” (grifo nosso) ([21])
A nossa crença de que o Espírito de Verdade é Jesus, como o dissemos, tem como base a pesquisa que empreendemos, a qual resultou no texto, já mencionado, cujo título é “Espírito de Verdade, quem seria ele?” Algumas coisas dele merecem ser citadas aqui.
Trazemos como primeira testemunha Alexandre, instrutor de André Luiz, que, a certa altura, lhe diz: “[…] Por que audácia incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espírito de Verdade, que é o próprio Senhor?” (grifo nosso) ([22]) É bom não esquecermos que a obra Missionários da Luz, na qual consta esse trecho, veio pela psicografia de Chico Xavier.
Na Codificação, os Espíritos designavam o Espírito de Verdade com as seguintes expressões: nosso mestre bem-amado (Erasto) ([23]); mestre de todos nós (Erasto) ([24]); o Filho de Deus (Antoine) ([25]); meu senhor e vosso (Erasto) ([26])
O Espírito Hahnemann, que, em vida, fundou a Homeopatia (1779), afirmou “[…] cada um procurará, pela melhoria de sua conduta, adquirir esse direito que o Espírito de Verdade, que dirige este globo, conferirá quando for merecido.” (grifo nosso) ([27]). Ora, será que temos dois presidentes? Não foi dito que Jesus preside o globo? Não, claro que não. Isso apenas significa que o Espírito de Verdade e Jesus são o mesmo personagem.
Essa é parte das informações que colhemos com as quais formamos a nossa convicção de que o Espírito de Verdade é Jesus, e isso é algo que não temos a pretensão de impor a ninguém; que cada um acredite no que quiser. O grande problema é quando se misturam opiniões calcadas em fundamentos pouco convincentes, pois se estabelece uma confusão “dos diabos” no meio espírita.
A coisa é tão grave que, além dos partidários de que o Espírito de Verdade é João Batista, também temos aqueles que defendem ferrenhamente o pensamento de que João Batista é uma das antigas reencarnações de Kardec. Prato-cheio para os detratores, e confusão total entre os neófitos e aqueles pouco dados a estudos.


Paulo da Silva Neto Sobrinho
Nov/2015


Referência bibliográfica:
DENIS, L. Cristianismo e Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1987
EEC. Eurípedes, o médium de Jesus – mensagens inéditas recebidas por Eurípedes Barsanulfo entre 1906-1909 – Sacramento, MG: Ed. Esperança e Caridade, 2001.
KARDEC, A. A Gênese. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, A. Revista Espírita 1861. Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. Revista Espírita 1862. Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. Revista Espírita 1864. Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. Revista Espírita 1865. Araras, SP: IDE, 2000.
KARDEC, A. Revista Espírita 1868. Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. Revista Espírita 1868. Araras, SP: IDE, 1993.



[2]         Consta em: EEC, 2001, p. 31.
[3]          KARDEC, 2000, p. 306.
[4]          KARDEC, RE 1861, 1993. p. 292.
[5]         Consta em: EEC, 2001, p. 51-52.
[6]          Consta em: EEC, 2001, p. 52.
[7]          Consta em: EEC, 2001, p. 87-89.
[8]          Consta em EEC, 2001, p. 96.
[9]          Consta em EEC, 2001, p. 168-169.
[10]        Consta em EEC, 2001, p. 171.
[11]        KARDEC, 2013, p. 330.
[12]        DENIS, 1987, p. 79.
[13]        KARDEC, RE 1868, 1993, p. 96.
[14]        Consta em: EEC, 2001, p. 177-178.
[15]        EEC, 2001, p. 178.
[16]        Consta em: EEC, 2001, p. 180-181.
[17]        KARDEC, 2013, p. 330.
[18]        EEC, 2001, p. 38.
[19]        EEC, 2001, p. 145.
[20]        KARDEC, GN, 2013, p. 32.
[21]        KARDEC, ESE, 2013, p. 100.
[22]        XAVIER, 1986, p. 99.
[23]        KARDEC, RE 1861, p. 305.
[24]        KARDEC, RE 1861, p. 348/350.
[25]        KARDEC, RE 1862, 1993, p. 343.
[26]        KARDEC, RE 1868, 1993, p. 51.
[27]        KARDEC, RE 1864, 1993, p. 16.