PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Deus na Natureza


       


José Sola
Homens ilustres de inteligência e saber procuram de todas as formas confirmarem a inexistência de Deus.
De conformidade com a maneira de pensar de alguns homens de Ciência, Deus é simplesmente um mito, criado por seres supersticiosos, por mentes fracas e sugestionáveis de ilusões e enganos. Pelo fato de haverem dado alguns passos nos conhecimentos da matéria científica, tornam-se completamente adversos à ideia da existência de uma inteligência suprema de um ser superior, na direção do Universo.

Segundo a maneira de pensar dos cientistas, o Universo é simplesmente uma obra do acaso, um acontecimento fortuito, um aglomerado de átomos, uma combinação cega de elementos químicos e físicos, dando origem a uma infinidade de sóis e mundos, corpos e seres,

Será que realmente, isto é verdade?

Observando nosso corpo físico, percebemos que é formado de órgãos engenhosos e complexos.

Funcionando como verdadeira bomba, o coração que está localizado entre os dois pulmões, no interior da caixa torácica, é o responsável pelo fluxo sanguíneo que irriga todas as partes do corpo. 

No adulto tem o peso médio de 250 gramas e o tamanho aproximadamente igual ao do punho fechado do possuidor. A forma é cônica ligeiramente achatada na frente e atrás, tendo a altura de uns 10 centímetros apenas.

Em 24 horas, o coração movimenta sete mil litros de sangue pelo corpo.

Como verdadeira bomba, o órgão funciona em obediência a leis matemáticas, com sincronização perfeita de válvulas que se abrem e se fecham nos momentos precisos, de modo a dar continuidade ao fluxo sanguíneo.

Batendo cerca de 100.000 vezes por dia, essa bomba humana pode funcionar perfeitamente por mais de um século, sem qualquer interrupção.

Em um projeto de hidráulica, para que uma bomba tenha a capacidade de bombear a água que vai abastecer os apartamentos de um edifício é necessário que haja a intervenção de uma inteligência, fazendo os cálculos precisos e concretos, dimensionando e instalando, estes materiais, pois, se chegarmos ao edifício, jogando a bomba, a caixa e os canos a esmo, nada conseguiremos.

Será que realmente, o coração com suas válvulas, artérias e veias, irrigando todo o corpo, é obra do acaso?

O olho humano é constituído por três membranas concêntricas: uma externa fibrosa, a esclerótica, que em sua parte anterior é transparente e recebe o nome de córnea; uma membrana intermediária, formada pela coroide, pelo corpo ciliar e pela íris; e uma interna, a retina, constituída por tecido nervoso. No interior do globo ocular existem três meios refringentes, nos quais os raios luminosos mudam sua direção anterior: o humor aquoso que é líquido; o cristalino, sólido; e o humor vítreo, gelatinoso. Sintetizando, diremos apenas que na retina existem células sensoriais, os cones e os bastonetes, responsáveis, respectivamente pela visão em cores e em preto e branco.

Os bastonetes, bem mais numerosos que os cones, são responsáveis pela visão em branco e preto. Os cones por outro lado, permitem a percepção das cores. A distribuição dos fotorreceptores não é homogênea: os bastonetes predominam na periferia e vão diminuindo em direção ao centro da retina. Já o número de cones aumenta até atingir um ponto central hipersensível, a fóvea central constituída somente por cones.

A luz, após atravessar o cristalino e o humor vítreo atinge a retina, tendo de passar por suas várias camadas antes de chegar aos cones e bastonetes. É enfim absorvida pela camada pigmentada que se encontra na periferia das células sensoriais. 

Quanto à percepção das cores, o físico inglês Thomas Young propôs, no início do século XIX, a teoria de que a capacidade de ver á cores se deve a três pigmentos existentes nos cones: um específico para o vermelho, outro para o verde e outro para o azul-claro. A mistura daria todas as cores. 

Somente em 1964, essa teoria foi provada cientificamente, graças a um aparelho (micro espectrômetro) capaz de medir a absorção da luz por um único cone.

A capacidade de distinguir a cores, portanto, depende da proporção dos diferentes cones estimulados.

Embora existam cerca de dez vezes mais bastonetes do que cones, os primeiros não interferem na visão das cores, talvez pelo fato de não funcionarem com a claridade intensa da luz do dia. 

Um aparelho de televisão, para transmitir uma cena, precisa captá-la por meio das câmaras. A cena é focalizada por lentes zoom e levada a um alvo situado no tubo da câmara. Feito de material fotocondutivo, esse alvo gera um padrão de voltagens elétricas em sua superfície, voltagens essas que são proporcionais à intensidade luminosa proveniente de cada ponto focalizado. O alvo é então explorado por um feixe de elétrons gerado no tubo da câmara: o feixe varre a superfície do alvo de maneira idêntica à que fazem os olhos quando leem uma página impressa. Assim, o feixe se movimenta da esquerda para a direita, por toda a extensão da imagem, voltando rapidamente para a esquerda na linha imediatamente inferior. Ao atingir o fim da imagem, o feixe retorna ao alto do alvo para então reiniciar o processo.

Somado aos sinais de sincronismo horizontal e vertical, o sinal da imagem transforma-se no sinal de vídeo, que encerra todas as informações necessárias para controlar o cinescópio e reproduzir a cena. É preciso, porém que esse sinal tenha sua amplitude negativamente modulada.

Os sistemas de televisão colorida são basicamente sistemas em branco e preto que possuem sinais adicionais para fornecer informação a cores. Na realidade a imagem de um receptor colorido é fundamentalmente branca e preta, com algumas áreas preenchidas por cores.

Transmitidas separadamente, as imagens vermelhas, verdes e azuis recombinam-se no receptor, reconstituindo a cena original. Em uma câmara a cores, a informação sobre as cores primárias, verde, azul e vermelho é obtida por meio de espelhos dicroicos. Para obter reprodução satisfatória também em branco e preto é necessário um sinal de luminância (Y), obtido com a utilização do cinescópio de uma câmara em preto e branco.

Como o sinal de luminância é a soma dos sinais correspondentes às cores primárias, apenas dois outros sinais (R-Y), (B-Y) precisam ser transmitidos.

No receptor, os sinais (R-Y), (B-Y) e Y são separados, e o sinal (G-Y) é gerado a partir desse conjunto. Os três sinais de subtração de cores são enviados às grades dos canhões de imagem correspondentes a cada uma das cores. Aplicando-se o sinal Y a todos os cátodos, criam-se imagens separadas para cada cor.

Como nossa finalidade não é estudar o funcionamento do televisor a fundo, mas simplesmente fazer uma analogia entre os mecanismos da visão e a técnica da televisão, não vamos discriminar as peças que são utilizadas na montagem do aparelho. Mas para sintetizar diremos simplesmente que assim como o olho humano possui três pigmentos existentes nos cones, um específico para o vermelho, outro para o verde e outro para o azul claro, uma câmara de televisão em cores possui os espelhos dicroicos para obter os sinais de vermelho, verde e azul, sendo que da mistura destas três cores resultam todas as demais. 

Para que um televisor possa captar e transmitir imagem e som, torna-se imprescindível, o conhecimento do técnico na montagem do mesmo, pois se espelhos dicroicos, tubos de câmara, seletor de canais, cinescópio e todas as demais peças que compõem um aparelho televisor forem jogadas de qualquer maneira dentro da caixa, nada obteremos a não ser uma carcaça de televisão cheia de peças amontoadas a esmo. Será que realmente o mecanismo da visão é obra cega do acaso? Será que realmente o olho humano é simplesmente um amontoado de células, que vagavam a esmo e se reuniram por simples casualidade, dando origem a um mecanismo tão perfeito?

Mas o homem apenas sonha, transformando a gloria da vida em terríveis pesadelos. Telescópios poderosos que a inteligência aponta para o Universo infinito mostram as glorias de Deus, apresentam a lei do equilíbrio e demonstram a grandeza e a ordem, apelando para a razão e o sentimento humanos. 

Observando o Sol, este astro maravilhoso que ocupa a 5º, posição em grandeza na hierarquia das estrelas, nos demoramos deslumbrados com o seu poder de rei adornado de súditos obedientes a circularem à sua volta em movimentos harmônicos e gráceis.

Entretanto, o próprio Sol é vassalo de Alcione, em torno da qual completa, em duzentos e vinte e cinco mil séculos, uma de suas graciosas revoluções. 

Alcione é apenas uma das estrelas do Grupo das Plêiades, que se compõem de aproximadamente mil astros, dos quais apenas sete podem ser vistos a olho nu.

Encontra-se tão distante do homem, a graciosa Alcione, que sua luz viaja 500 anos luz, para só então ser vista pelos mais poderosos telescópios da terra.

A mais próxima estrela do homem, Alfa de Centauro, dista 4,3 anos luz. Sirius, astro de 1º grandeza, irradia luz alvinitente, que viaja nove anos-luz pelos espaços para oscular a Terra com seus raios diamantinos.

Aprofundando nossas observações vamos encontrar na constelação do navio, a fulgurar serena e majestosa, Canopus, com uma luz correspondente a 8.760 sóis, brilhando simultaneamente reunidos, a girar soberana no infinito. 

Na constelação do Boieiro, situada no prolongamento da cauda da Ursa Maior, apesar de distante encontra-se Arcturos, estrela dupla de 1º grandeza, brilhando como a mais bela do Céu boreal.

Betelgeuse, na constelação do Orion, equivale a milhares de sóis iguais ao nosso.

Nossa galáxia, a Via-Láctea, que nos serve de berço, ornamenta-se de aproximadamente cento e vinte bilhões de estrelas e, perto dela num arquipélago de cem bilhões de astros distantes, setecentos mil anos-luz, encontra-se Andrômeda, a galáxia deslumbrante.

E, distantes oito milhões de anos-luz, muito além do que possa nossas pobres mentes conceber, fulguram ilhas interplanetárias, qual a nébula M-87.

Sabe-se que todos os corpos e seres, ativos ou passivos, são dotados de uma energia, energia esta que ficou designada como magnetismo.

No magnetismo nós encontramos a lei de atração e repulsão, por exemplo, se pegarmos um imã e tentarmos encostar os dois polos negativos, ou os dois polos positivos, eles irão repelir-se, mas se nós encostarmos o polo positivo com o polo negativo os imãs se atraem.

Sabe-se que a Terra em si mesma é um grande imã com dois polos magnéticos, um em cada extremidade de seu eixo de rotação, o polo magnético norte, habitualmente chamado polo magnético norte, é de polaridade magnética sul por definição, já que atrai o norte ao se procurar o polo norte da agulha de uma bússola, e vice-versa.

É desconhecido o mecanismo que determina o campo magnético da Terra e seu movimento. Esse campo, entretanto, é seriamente perturbado pelas tempestades magnéticas no Sol e pelo bombardeio de partículas carregadas, decorrentes de explosões solares. 

Como vemos, o Sol representa o papel de um gigantesco magneto, arrastando consigo em seu ciclo de vinte e seis mil anos em torno de Alcione, seus súditos obedientes, dos quais a Terra é um deles.

Desta forma podemos nos aperceber que no Universo a lei do magnetismo representa um papel fundamental, onde astros, mundos e seres, vivem vibram e giram controlados por essa força maravilhosa.

Os motores são projetados para operarem com alimentação em corrente alternada ou corrente contínua, ou ambas. Os campos magnéticos produzidos eletricamente fazem com que a parte móvel, o rotor ou induzido, gire dentro de um campo de estrutura fixa, o estator.

A função do estator é criar um campo girante. O rotor é constituído por um eletroímã alimentado através de contatos deslizantes por uma linha de corrente contínua. Seu princípio de funcionamento baseia-se no fato do campo girante arrastar o rotor.

Não iremos entrar em detalhes construtivos, mas é bom lembrar que a potência e o funcionamento do motor dependem do cálculo que irá definir o número de bobinas distribuídas ao longo de um estator e no rotor.

Poderemos realmente admitir que o mecanismo do Universo, onde sóis e mundos vivem, vibram e giram, perfazendo seus ciclos, uns ligados aos outros pela lei hierárquica dos astros na atração magnética, seja verdadeiramente uma força cega, uma obra do acaso?

A Terra, planeta em que vivemos, vem fazendo seu percurso em torno do Sol, através do movimento de translação e movimento de rotação, a aproximadamente quatro bilhões de anos. No entanto desde que o homem despertou para a luz da razão e da inteligência, jamais se ouviu dizer que o ano tenha tido mais de trezentos e sessenta e cinco dias, exceto o ano bissexto ou que o dia tenha tido mais do que vinte e quatro horas. O ano bissexto acontece por convenção, pois o tempo correto que a Terra consome em sua orbita ao redor do Sol para perfazer o ano é de trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas. Somadas às seis horas restantes de cada ano temos vinte e quatro horas, o vigésimo nono dia de fevereiro.

Será que essa lei mecânica e precisa, que funciona a quatro bilhões de anos sem erros ou falhas é verdadeiramente uma lei cega, um acontecimento fortuito, obra do acaso? 

Teremos em alguma parte da terra, motores ou geradores de energia que funcionam simplesmente por havermos juntado alguns pedaços de ferro enrolando a eles alguns metros de fio, sem os cálculos precisos e concretos feitos por um engenheiro?

Não. Não podemos de forma alguma admitir que a máquina física que é o corpo humano, máquina perfeita em todos os sentidos seja obra do acaso, como também não é possível se admita que o mecanismo do Universo seja um acontecimento fortuito, um aglomerado de átomos, uma combinação cega de elementos químicos e físicos, dando origem a uma infinidade de sóis e mundos, corpos e seres.

Conforme a dedução precisa e lógica de Allan Kardec, todo efeito tem uma causa, e se todo efeito tem uma causa, forçoso é deduzir-se, que todo efeito inteligente, tem uma causa inteligente.

Partindo desta premissa, chegamos à conclusão que, num mecanismo tão inteligente qual o do Universo, mecanismo este que se manifesta, obediente a uma lei de equilíbrio e ordem regendo a formação de mundos e sóis, seres e criaturas, há que haver uma inteligência superior.

Quem em sã consciência irá, ao admirar um quadro como o de Monaliza e não sabendo ser obra de Leonardo da Vinci, dizer que é uma obra do acaso?

Será possível admitir-se, seja simplesmente tinta lançada de qualquer maneira sobre a tela?

Logicamente que não, embora não sabendo ser o quadro, obra de Leonardo da Vinci, sabemos ser obra de um grande artista, possuidor de muito talento e muita cultura na arte. Pois um leigo em pintura não o conseguiria fazer, e com mais forte razão iremos repelir a ideia de que o quadro é simplesmente obra do acaso, pois que tinta lançada a esmo na tela será simplesmente, tinta escorrida e nada mais.

Que dizermos de alguém, que chegando diante de uma máquina dissesse ser a mesma obra do acaso, pelo fato de não conhecer quem a projetou e quem a construiu?

Iremos achar, sem sombra de dúvida, que esse alguém não está em seu juízo perfeito, pois não há nenhuma possibilidade, de que uma máquina se monte a si mesma, sem a intervenção da inteligência de um técnico mecânico. Será que a Natureza, tela majestosa e divina, na qual o Artista Supremo e Soberano pinta o quadro da vida, é verdadeiramente obra do acaso?

Será que realmente no mecanismo do Universo tudo está subordinado à lei da gravitação e à atração das moléculas, por mera casualidade?

A glória da vida resplandece em toda a parte, a nos dizer incessantemente que uma inteligência superior dirige e governa o Universo infinito, pois, em nos analisando a nós mesmos podemos perceber que somos uma máquina perfeita, precisa, onde cada órgão tem sua função lógica e útil, sem um deles o funcionamento do organismo não é o mesmo e há perigo da máquina parar.

Dirigindo as lunetas para os altos cimos, verificamos deslumbrados, astros que cintilam no Universo, como que nos convidando para a Glória da Vida em Deus, mas o homem continua a insistir no pesadelo da morte, tentando a todo o custo lançar o véu desesperador do nada, dando vazão a seu orgulho e sua vaidade, como que a fugir de si mesmo na busca de um esquecimento eterno, mas quer queiramos ou não, a vida resplandece no Universo com toda sua plenitude, beleza e esplendor. É Deus na Natureza. 

Observação: Este tema, desenvolvido em estilo analógico, em que nos utilizamos de teorias e meios comparativos, entre o coração e a hidráulica, a televisão e o mecanismo da visão, etc., não tem a intenção de trazer Deus, a condição de um Deus antropomórfico, que cria com mãos e mente, tem apenas a intenção de apresentar a manifestação de Deus através da natureza. 

Em o artigo "Concepção de Deus", tentaremos demonstrar, que Deus é a fonte de vida do Universo.

EVITEMOS DA SÍNDROME DO “COITADINHO” (Jorge Hessen)


 

Jorge Hessen


O problema da pobreza é muito diverso e complexo. Talvez o ser pobre significa ter falta de segurança e estabilidade, portanto não é só uma questão de carência de dinheiro. O mundo atual tem alguns vencedores e muitos perdedores. Os pobres se encaixam na categoria dos perdedores, daqueles que não podem surfar na onda de mudança e que, de certa forma, são esmagados por ela.

A palavra “pobre” deriva do latim pauper, radicado em paucus (pouco). No conceito original, “pobre” não era o deserdado, mas o terreno agrícola ou gado que não produzia o suficiente. Sob outro ponto de vista, entre alguns grupos, especificamente os religiosos, a pobreza é considerada como necessária e desejável, e deve ser aceita para alcançar um certo nível espiritual, moral ou intelectual.

Nesse aspecto, o papa Francisco assevera que a Igreja deve articular com a verdade e também com o testemunho da pobreza. Não é possível que um fiel fale de pobreza e dos sem teto e leve uma vida de faraó. Na Igreja há alguns que, ao invés de servir, de pensar nos demais, se servem da Igreja. São os arrivistas, os apegados ao dinheiro. Quantos padres e bispos deste tipo já vimos? É triste dizer, não? Pronunciei o pontífice ao jornal holandês "Straatnieuws", de Utrecht.

A pobreza é considerada como um elemento essencial de renúncia por budistas e jainistas enquanto que para o catolicismo romano, como vimos acima, é um princípio evangélico e é assumido como um voto por várias ordens religiosas e é entendida de várias formas. A ordem franciscana, por exemplo, abandona tradicionalmente todas as formas de posse de bens. Neste caso, a pobreza voluntária é normalmente entendida como um benefício para o indivíduo, uma forma de autodisciplina através do qual as pessoas se aproximam de Deus.

O professor de psicologia Elliot Berkman, diretor do Laboratório de Neurociência Social e Afetiva da Universidade do Oregon/EUA, estuda como o cérebro é parte da armadilha da pobreza. As pessoas pobres frequentemente têm muita motivação para trabalhar duro e ter vários empregos porque colocam o foco na sobrevivência no momento presente ao invés do sucesso de longo prazo. Libertar as pessoas da preocupação da sobrevivência diária é a melhor forma de garantir que eles foquem no futuro. Afiança Berkman.

Para o Espiritismo, a pobreza, tal como a riqueza, nada mais é que uma prova pela qual o Espírito necessita passar, tendo em vista um objetivo mais alto que é o seu progresso. Deus concede, pois, a uns a prova da riqueza, e a outros a da pobreza, para experimentá-los de modos diferentes. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação.

Ao que nasce na pobreza é dado aprender o valor do trabalho árduo, resistir às tentações do ganho fácil, descobrir os valores reais do espírito, e não raro se vê entre os pobres as mais dignas demonstrações de solidariedade. Na pobreza aprendemos a nos compadecer dos males alheios fazendo-nos compreendê-los melhor.

É evidente que a desigual repartição de bens materiais, culturais e políticos exclui um vasto número de pessoas deserdadas dos processos de participação e consente a coexistência em formas inumanas de sobrevivência e de insignificante protagonismo social. Por isso mesmo, diante dos deserdados, a nossa primeira e obrigatória ação deve ser a do auxílio.

Mas primeiramente suavizemos o sofrimento dos pobres, abraçando-o fraternalmente, manifestando de tal modo o nosso sentimento de acolhida a fim de estabelecer o laço de confiança essencial e poder ajudá-los. Em seguida, nos informemos a respeito da situação transitória de seu sofrimento. Dessa forma, não cairemos nas armadilhas que consideram o pobre como “coitadinho’, não vendo nele as potencialidades de Espírito imortal e de indivíduo capaz de, com as devidas oportunidades, prover dignamente a própria existência.

Aliás, a síndrome do “coitadinho” é uma das moléstias oportunistas mais comuns da sociedade atual, onde muitos deserdados têm medo de encarar a vida de frente e de cabeça erguida, sendo maduros e responsáveis. A principal característica de uma pessoa que sofre da síndrome do “coitadinho” é colocar-se como “vítima” das circunstâncias, e como tal passa a ideia de que a culpa de sua pobreza é dos outros. Aliás, os oportunistas das ideias do socialismo ATEU adoram fazer isso!

Diante dos pobres, procuremos nos informar de suas lutas materiais e verifiquemos se a oferta de trabalho e de orientação espírita não será mais eficaz do que a aviltante doação da esmola em seu favor. Recordando aqui que a esmola dentro da lógica assistencialista é uma ação que atende a deficiência material sem o móvel educativo e que envilece a humanidade do sujeito, adestrando-o à condição da mendicância ou da dependência. Como tal, não atende ao projeto regenerador do Espiritismo para Humanidade.


Não se pode esquecer que a Lei do Trabalho e do Progresso, promulgada em O Livro dos Espíritos, relata justamente a importância de o indivíduo romper com o acomodamento e ultrapassar os obstáculos existenciais, o que inclui buscar sair também da penúria material (pobreza) através de seu esforço.