PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

domingo, 20 de setembro de 2015

FUNDAÇÃO DO PAE- POSTO DE ASSISTÊNCIA ESPIRITA




No dia 20 de janeiro de 1975, estavam reunidos numa pizzaria, na Asa Norte de Brasília, os irmãos Carlos Augusto, Jorge Hessen e Wilson Barbosa, durante a conversa aventou-se a possibilidade da fundação de um centro espírita na cidade de Ceilândia. A ideia surgiu porque à época os companheiros Amaro Raimundo, Jorge Hessen, , Wilson Barbosa e Wilaldo Petroscosk, realizavam, na região, um serviço social de recuperação de barracos junto às muitas famílias carentes, enquanto Carlos Augusto administrava a Casa de Ismael. A sugestão da instituição brotou sob os argumentos de que a construção de um centro espírita na região aproximaria o grupo materialmente dos necessitados e possibilitaria ampliação das tarefas principalmente através da evangelização dos filhos e dos próprios assistidos.

Há 39 anos, naquela peculiar reunião, era lançada a semente do PAE e o entusiasmo assumiu o bom ânimo dos três vanguardeiros cristãos, ambos sentindo-se envolvidos pelo auxílio dos Benfeitores. O projeto do trio, portanto, era a semeadura da Verdade Espírita sob os auspícios de Jesus entre os irmãos deserdados. O grupo não dispunha de recursos financeiros para a execução imediata do projeto, em razão disso, Wilson sugeriu que nos aproximássemos de uma instituição já existente, dessa forma poderíamos colaborar com a casa espírita da região, ao mesmo tempo ganharíamos maior experiência; até porque a semente do PAE estava lançada e no momento exato iria germinar com as bênçãos dos Benfeitores.

A sugestão foi bem acolhida pelo grupo. Logo após a reunião teve-se notícia sobre a existência do Centro Espírita Boa Árvore. Por essa rzão, Wilson Barbosa e Jorge Hessen se deslocaram da Comunhão Espirita de Brasília, num domingo pela manhã e rumaram para Ceilândia. Chegaram ao C.E Boa Árvore e encontraram o companheiro João Alves da Costa, então presidente da instituição. João ficou bastante animado quando foi-lhe exposto o nosso intuito de ajudá-lo, afirmando que suas preces haviam sido atendidas, pois a casa necessitava de trabalhadores.

Iniciamos em parceria com o “Boa Árvore” a evangelização infantil e palestras para os adultos. Muitos irmãos se uniram ao grupo nesse primeiro momento. Os trabalhadores da primeira hora foram além dos confrades Carlo Augusto, Jorge Hessen, Wilson Barbosa, juntaram ao grupo Eli Machado da Silveira, João Batista Cavalcante Araújo, Glória Maria Andrade Cavalcante Araújo, Aldeci Carvalho de São José, Edmundo Montalvão, Wilaldo Petrocoski dos Santos, Rosângela Rodrigues Melo. O trabalho cresceu e em pouco tempo seria iniciado o serviço de atendimento médico com dois especialistas, que se juntariam ao grupo. E assim novos irmãos foram chegando.

Com o crescimento do grupo, sentíamos a necessidade de deixar crescer e florescer a ideia inicial da fundação do PAE. Ficamos mais de dois anos com os irmãos da Ceilândia até decidirmos buscar juntos à Terracap a adquirir um lote para iniciarmos as novas atividades. Fomos convidados a sair do Boa Árvore e passamos a nos reunir da residência da D. Carmelita (ex-caseira) e na residência da Rosângela e por fim nos reunimos no domicílio do irmão Carlos Augusto, em Sobradinho, com a presença de todos os trabalhadores, para enfim, no dia 27 de fevereiro de 1977, fundar o PAE – Posto de Assistência Espírita, nome e sigla sugeridos por Jorge Hessen e aprovado por unanimidade.

A primeira diretoria ficou assim constituída: - Presidente: João Alves da Costa; - Vice-Presidente: Jorge Hessen; - Secretário: Wilson dos Reis Barbosa; - Tesoureiro: Wilaldo Petrocoski dos Santos; - Bibliotecária: Maria da Conceição Paiva Melo; - Conselho Fiscal: Eli Machado da Silveira, Edmundo Montalvão e Amaro Raimundo dos Santos.

Ocupamos a área de 1200 m2, localizada QNM 40, Área Especial 02 – Taguatinga Norte, comprado junto à Terracap por de retrovenda, isto é , era preciso construir os prédios no prazo de no máximo 3 anos. Carlos Augusto, Jorge Hessen, Wilson Barbosa , João Alves e Eli Silveira e Amaro Raimundo elaboraram os projetos arquitetônicos e posteriormente foi iniciada as obras de construção.

Foram realizados muitos almoços fraternos, e exibição de filmes infantis no cine Karim para arrecadação dos recursos, porém, durante a edificação dos prédios, não se estava conseguindo cumprir o cronograma pactuado junto à Terracap, motivo pelo qual o lote deveria ser devolvido ao governo. Por esse motivo Jorge Hessen decidiu fazer uma campanha junto ao Presidente da FEDF, Paulo de Carvalho e do Professor da UnB José Jorge e ambos fizeram uma rateio junto aos servidores do Senado Federal e conseguiram os recursos financeiros para o término dos blocos inacabados.

Logo após garantir os recursos para término da obra, Jorge Hessen conseguiu outra dádiva divina para o PAE. Em conversa com sua amiga Higínia, uma espanhola muito querida, ficou sabendo de uma robusta doação do Cônsul do Uruguai destinada ao C.Espírita "X". Jorge convenceu sua amiga a intervir para dividir tal doação com o PAE e logrou êxito. Com os recursos doados pelo Consul uruguaio, Jorge, então tesoureiro do PAE, foi pessoalmente à Terracap e recebeu a documentação de quitação definitiva do saldo devedor da área especial número 2 da QNM 40 Área Especial.

O Suicídio e a Esperança em Cristo

Luiz Carlos Formiga
Hoje, 20 de setembro de 2015, enquanto voluntários em Florianópolis, na Beira-mar Norte, fazem caminhada oficial do Setembro Amarelo, no período de 15-17 horas, para a prevenção do suicídio, em solidariedade, caminho nas teclas do computador.
A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) por meio de suas comissões para o Estudo e a Prevenção ao Suicídio, vem envidando esforços para reduzir, em nosso meio, os trágicos números da mortalidade por suicídio.
A ABP revela a existência de doze mil óbitos em 2012, número certamente subestimado, e aponta para a necessidade da sensibilização da sociedade, diante da gravidade do problema.
O suicídio é tema tabu, com estigmas de origem histórico-cultural, como observado com ciganos, umbandistas, negros e outros (12).  No suicídio, a sensibilização-educação da comunidade é fundamental para a prevenção e a preservação de vidas.
Por se considerado um grave problema de saúde pública educadores em saúde procuraram dar transparência ao tema. Assim surgiu um símbolo de vida e esperança, para nós um símbolo de esperança em Cristo, o  “Programa de Prevenção de Suicídio Fita Amarela”, em 1994.
Com palavras de ajuda e esperança, colocadas em papel amarelo,  dirigidas aos adolescentes o programa tornou-se internacional. A fita amarela começou em 1997 e foi acolhida em mais de 47 países.
O dia mundial de prevenção ao suicídio passou a ser 10 de setembro. Na realidade todo o mês deve ser priorizado pelos que sabem que a “vida é a melhor saída, a melhor opção, a melhor forma de superar qualquer dor”  e que muitos ainda não receberam a dádiva dessa informação.
Toda a sociedade precisa estar a par de que há necessidade de estimular ações diversas multiplicadoras de prevenção, conquistando aliados para essa importante missão.
Certamente a mídia poderá oferecer contribuição durante todo o mês e ações diversas como, os artigos, as notícias, as palestras, os e-mails e iluminação de símbolos, com a luz amarela.
Outro recurso, de grande alcance, é a utilização das redes sociais para a divulgação da logomarca do “setembro amarelo”. Afinal, é caridade compartilhar esta ideia de que “falar de suicídio pode salvar vidas”.
A Espiritualidade vem falando e dando grande contribuição com Chico Xavier e outros.
Emmanuel, no livro A Justiça Divina (1), diz “que devemos escutar o companheiro que torna do Além, aflito e desorientado, e aprenderemos, em silêncio, que todo egoísmo gera o culto da morte”.
 O Espírito amigo adverte: “Se podes verificar a tortura dos desencarnados em trevas, aproveita a lição.”
No plano espiritual a fatura sempre chega. No hoje e agora, é melhor não planejar o suicídio.
Discutindo a influência perniciosa das ideias materialistas e o suicídio, fizemos perguntas. (2)
Pessoas materialistas são espíritos reencarnados?
Se a resposta é sim, como podem existir materialistas se são espíritos que tendo passado pelo mundo espiritual deveriam dele ter alguma intuição?
Nesse estágio de vida, sem corpo material, não desenvolveram a inteligência espiritual (QS)?
A resposta, com Kardec, vem lembrar, de novo, a Justiça Divina. Essa intuição é recusada a espíritos que, conservando o orgulho, não se arrependeram de suas faltas. Para esses a prova consiste na aquisição, na vida corporal e à custa do próprio raciocínio, da prova da existência de Deus e da vida futura. Muitas vezes, porém, a presunção de nada admitir, acima de si, os empolga e absorve. Assim, sofrem eles a pena até que, domado o orgulho, se rendem à evidência.
Companheiros nessa situação são difíceis de serem ajudados? Certamente que sim, mas Emmanuel, no livro “Amigo” (3), nos chama a atenção de que “não nos é lícito esquecer que os suicidas, na Espiritualidade, não são órfãos da Misericórdia Divina, e, por isso mesmo, inúmeros benfeitores lhes propiciam o socorro possível.” 
Quanto a nós, ensina que “não existem problemas sem solução e que por mais pesada a carga de sofrimento em que nos vejamos, devemos seguir em frente, trabalhando e servindo, lançando um olhar para a retaguarda, de modo a verificar quantas criaturas existem carregando fardos de tribulações muito maiores e mais constrangedores do que o nosso.”
Certa vez fui ouvir um orador que inicialmente disse tudo sem utilizar palavras. Ele  chegou ao Centro Espírita de ambulância deitado numa maca. (4)
Diz Emmanuel que “o melhor meio de nos premunirmos na Terra contra o suicídio, será sempre o de nos conservarmos no trabalho que a vida nos confia, porque o trabalho, invariavelmente dissolve quaisquer sombras que nos envolva a mente”
O “Programa de Prevenção de Suicídio Fita Amarela” se inicia em 1994. Anos antes, década de 1970, surgia a Campanha Permanente Espírita de Evangelização (5), com o propósito de fazer chegar à criança e ao jovem, no período mais propício, a escala de valores da Ética Espírita.
 Assim, como o orador referido anteriormente, essa criança depois no estágio adulto espiritualizado poderia resistir à atmosfera estressante das grandes cidades, com o recurso da prece.
As atividades no Centro Espírita funcionariam como dose de reforço de vacina aplicada, pelos pais, nos lares de origem (6)
Na realidade já contamos 100 anos de Evangelização (7). Na década de 1980, próximo do inicio da Campanha Permanente, o perfil suicida era o de um homem com mais de 55 anos, morador de grandes cidades, agnóstico, socialmente isolado, fisicamente doente,sem antecedentes psiquiátricos e alcoólatra moderado. (8)
 Em 2007/8, examinando as tentativas de suicídio em um Hospital Universitário, vamos encontra-lo na faixa etária 10 à 49 anos (83,6%). 50,8% eram mulheres, com problemas de relacionamento amoroso(12,3%)  e nas relações familiares(13,1).  Os pesquisadores enfatizam, nas tentativas de suicídio, o achado de 50,9 de portadores de transtorno mental, usuários de substâncias de abuso, problemas de relacionamentos e econômicos, chegando a conclusão da necessidade da implantação de programas de vigilância e prevenção ao suicídio. (9)
Uma boa providência foi tomada em Florianópolis, Santa Catarina. A Associação de Psiquiatria firmou parceria com a Secretaria Municipal de Saúde para a capacitação das equipes de Saúde da Família em prevenção ao suicídio.  Para essa prevenção, entre nós, pensemos na capacitação das equipes de Evangelização Espírita, não apenas para o período infantil, uma vez que pais e educadores são peças fundamentais (10).
Uma parte da população passa pelo problema do transtorno afetivo bipolar e necessitam de diagnóstico precoce e tratamento, que oferece bons resultados. Aprendi, com um colega de universidade, o Dr. Quadra, que “Viver é Resistir”, mesmo que tenha que apelar para aquele elemento químico, de número atômico 3, massa atômica 7, e, que contem na sua estrutura três prótons e três elétrons.
Quando eu morrer, espero de forma natural,  não quero choro nem vela.  Quero uma fita amarela (11) lembrando esse setembro, lá em Floripa.
No leito do hospital, antes da prova final, aceito orações de qualquer religioso. Orem, por mim, Ave Maria. Apelem para Santa Clara ou, sem preconceito, para Santa Sara, pois se estiver em sofrimento, mesmo assim, desencarno feliz, sem medo da fatura (12).
Não deixe para depois, faça agora um exercício prático com auxílio de Schubert em 13. 

Leitura e vídeos opcionais

1. Livro. Justiça Divina.
2.  Influência Perniciosa e Suicídio.
3.Livro.  Amigo.
6. Reformador, 99 (1823): 61-64.
8. Reformador, 99 (1833): 387-392.
9.   Perfil do portador de comportamento suicida atendido em hospital universitário. Rev enferm UFPE OnLline., Recife, 9(9): 9188-96, set., 2015.

Parábola do Avarento (Lucas, 12:13-21)

Arnaldo Rocha

Então, um homem lhe disse
- Como é que eu farei,
Do meio da multidão
Pois que não tenho lugar
Para que todos ouvissem:
Para colocar o que colhi
- Mestre, dizei a meu irmão
E os meus bens preservar?


Para que dívida comigo
- Eis - disse ele, afinal:
A herança que nos ficou...
- O que agora farei:
Mas Jesus lhe disse,
Derrubarei os meus celeiros
E ele, atento, escutou:
E maiores os construirei,


- Quem me estabeleceu,
E neles eu colocarei
Ó homem!, para vos julgar;
Toda minha colheita
Ou para que esses bens
E todos os meus bens
Eu vos possa partilhar?
De uma só feita,


Depois, afinal, lhe disse,
E à minha alma direi:
Expressando a Sua madureza:
Minha alma, tu tens,
-Tende cuidado em vos guardar
Para vários anos,
De toda essa avareza,
Reservados muitos bens;


Porque em qualquer abundância
Repousa, come, bebe
Que o homem esteja, agora,
E te regala, somente.
Sua vida independe dos bens
Mas Deus a esse homem
Que ele possua na hora...
Disse, prontamente:


E lhe contou em seguida
- És um grande insensato;
A parábola do avarento
Tua alma vai retornar
Para que pudesse entender
Exatamente nesta noite...
O alcance do Seu pensamento:
E continuou a falar:


- Havia um homem rico
- E para quem será
Cujas terras haviam produzido
O que amontoastes?...
Muito, extraordinariamente,
É como se Ele dissesse:
E ele pensava absorvido:
“Nisso, não pensastes!”


- É isso o que acontece
Àquele que tesouros seus
Amontoa para si mesmo
E não é rico perante Deus.