PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O AUTOEROTISMO NUMA CONCISA CIRCUNSPECÇÃO (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

Lá pelas plagas espanholas, há exatos 5 anos, na província de Extremadura, havia um curso escolar que ensinava masturbação a jovens de 14 aos 17 anos. Tal plano provocou polêmica entre pais e educadores. O curso fazia parte de um programa introduzido pelas Secretarias de Educação e Juventude daquela província ibérica, intitulado "O prazer está em suas mãos". Os idealizadores disseram que o curso objetivava acabar com mitos para que os adolescentes entendessem a sexualidade de forma natural. [1]

Na visão da secretária de Juventude de Extremadura, Laura Garrido, o novo curso não deveria escandalizar a ninguém, principalmente porque já fomos adolescentes e todos nós possuímos uma carga erótica.[2] Entretanto, nem todos os pais de alunos estiveram de acordo. A Associação de Pais Católicos de Extremadura formou um grupo de protesto chamado "Cidadania para a Educação" e ameaçou levar o governo regional aos tribunais. O grupo abriu um fórum de debate na internet e enviou uma carta ao governador local reclamando do novo curso escolar. [3]

Para alguns espíritas a prática do onanismo (masturbação) leva o indivíduo a situações de dormência temporária dos seus sentimentos mais delicados, das suas emoções mais sensíveis. Aludem que a prática do onanismo não faculta ao Espírito melhor sensibilidade, distrai-o e lhe entorpece os sentimentos mais elevados. Asseguram que do ponto de vista Espiritual, o onanismo é um tipo de autoflagelação, porque o Espírito está negando a capacidade de evoluir em sentimentos muito mais elevados e se contenta com aquilo que apenas o seu sensório produz: as sensações primárias. 

Por outro lado, há argumentos de que o sexo não é sujo, nem feio, nem errado. Sexo é troca de energias, e energias divinas, pois através delas as pessoas são atraídas umas às outras e , sendo o ponto de referência do processo reencarnatório não pode se demonizado. Há quem insinue, será que alguém já casado oficial ou “extraoficialmente” , que não obtém satisfazer de maneira indispensável os anseios sexuais com o parceiro(a), por diversas razões, deve atender tais necessidades genésicas masturbando-se ou deve aventurar-se fora do lar , buscando satisfazer suas “necessidades” ? Nesta última hipótese tais pessoas mergulharão nas aventuras extraconjugais. E isso é muito pior. 

A masturbação é condenável? Diria que não é recomendável. Ante o comedimento moral que deve procurar o encarnado, resistindo a fim de refinar seus ideais, o caminho espírita cristão é aperfeiçoar hábitos sadios e disciplinados que enfrentem o sexo como uma forma material, mas digna, de praticar o amor, numa união estável e leal, mirando à constituição de uma família e, por conseguinte, instituindo condições para maturação espiritual. Assim sendo, se não é recomendável obviamente é contraproducente e, portanto, não é benigno, pois, em cenário de reforma íntima, toda disciplina será bem-vinda.

Obviamente não podemos esquecer que o argumento “religioso” de repressão ao comportamento sexual, em qualquer contexto, é um convite ao desejo. O chamado “fruto proibido” tem sido historicamente o mais ambicionado. Normalmente a coação tem implicação oposta à pretendida, sobretudo em matéria de sexualidade. É importante educar, elucidar sensatamente , advertir corretamente as pessoas, sem formatações de extemporâneas normas moralistas para os outros.

Há muitas pessoas que vivem angústias profundas em torno das diretrizes comportamentais na área sexual e isso é compreensível em nosso estágio de humanidade. O onanismo é uma dessas ansiedades, que segundo Sigmund Freud, é envolvida em muito preconceito, graças ao dogmatismo religioso que estigmatiza a sexualidade. Porém vai distante a época em que se decretava que a masturbação conduzia à loucura e ao inferno. 

Normal no adolescente que está descobrindo a sexualidade, frequente nos corações solitários, o problema é que a masturbação favorece a viciação, aguçando o psiquismo do indivíduo com sensualidade avivada. Há os que empregam o subterfúgio aventureiro , alegando que “a carne é fraca”. Contudo a sede dos desejos é o espírito e não o corpo. O Espiritismo não proíbe nada é fato. Mas, muitas vezes escorados nas suas falácias alguns argumentam , ora se o Espiritismo não proíbe, então tudo está liberado. E na ladainha para reforçar os pontos de vista alegam que “a virtude está no equilíbrio”, pois o que é prejudicial é o abuso, não o uso.

Do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, capítulo VII: “As penas futuras segundo o Espiritismo”, esclarece que a carne só é fraca porque O Espírito é fraco, pois quando destituída de pensamento e vontade, a carne não pode prevalecer sobre o Espírito, que é o ser pensante e de vontade própria. [4]E mais, Deus nos dotou do livre-arbítrio. Como explicam os Espíritos em resposta à questão 843 de O Livro dos Espíritos, sem o livre-arbítrio, o homem seria uma máquina, pois se tem a liberdade de pensar, é compreensível que tenha a liberdade de agir.[5]

O autoerotismo não deixa de ser uma busca de "prazer" egoísta, por isso mesmo, toda prudência é imprescindível. Na área sexual, urge vigilância permanente, pois, na maioria das vezes ao se masturbar, a criatura não está tão solitária como imagina. Espíritos sexólatras podem estimular este vício solitário, nos processos de simbiose, prejudicando até mesmo casais quando um dos parceiros opta por masturbar-se. Entretanto é mister considerar que cada caso é um caso, sem desconsiderar jamais que o equilíbrio e a disciplina mental precisam ser alcançados. Por isso o Espírito Emmanuel, no livro "O Consolador", questão 184, orienta-nos que, "ao invés da educação sexual pela satisfação dos instintos, é imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do sexo".[6]

Ainda recorrendo ao excelso Emmanuel, estudamos que “diante das proposições a respeito do sexo, é justo sintetizarem-se todas as digressões possíveis nas seguintes normas: não proibição, mas educação; Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo; Não indisciplina, mas controle; não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um. Ninguém se burila de um dia para outro e as conversões religiosas exteriores não alteram, de improviso, os impulsos do coração. [7]

Em face disso, muitos de nossos erros imaginários na Terra são caminhos certos para o bem, ao passo que muitos de nossos acertos hipotéticos são trilhas para o mal de que nos desvencilharemos, um dia!...A energia sexual, como recurso da lei de atração, na perpetuidade do Universo, é inerente à própria vida, gerando cargas magnéticas em todos os seres, face às potencialidades criativas de que se reveste. 

Referências bibliográficas:




[4] Kardec, Allan. O Céu e o Inferno, RJ: Ed. FEB 2000, capítulo VII

[5] Kardec, Allan, o Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2000, pergunta 843

[6] Xavier, Francisco Cândido. Consolador, ditado pelo Espirito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001, questão 184

[7] Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo Espirito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2003

MEDIUNIDADE

Leonardo Paixão(*)

Os espíritas afirmamos que as manifestações mediúnicas são a prova inconteste da imortalidade da alma e da vida futura, é a mediunidade que nos tira do campo estritamente filosófico para nos atirar no campo experimental, os fenômenos obtidos através dela trazem-nos uma reflexão profunda sobre as perguntas: “De onde viemos?”; “Para onde vamos?”, verdadeira angústia existencial do ser. A mediunidade, porém, veio dissipar tal dúvida e nos desvendar um mundo onde não há máscaras e a justiça jamais falha (1).

A mediunidade é um sentido ainda a ser explorado conscientemente pela humanidade, as pesquisas científicas como as da Parapsicologia e da recente Psicologia Transpessoal trazem para o homem a realidade deste sentido, que Kardec e pesquisadores outros de outrora já demonstraram a sua veracidade através de experiências perseverantes e honestas com médiuns diversos (2). Apesar disto, a ciência oficial têm os fenômenos da mediunidade como aspectos ainda desconhecidos dos processos cerebrais, a partir dos estudos do cérebro a ciência chegará um dia a reconhecer que algo diferente há, é o caso das pesquisas realizadas pelo Dr. Sérgio Felipe de Oliveira da Uniespírito na USP (Universidade de São Paulo), que detectou maior número de cristais nos cérebros dos medianeiros (3); a faculdade mediúnica não é boa nem má em si mesma, “o seu uso, que pode ser bom ou mau, conforme as qualidades do médium” (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XX, item 226, pergunta 1ª). O fato de a mediunidade ser uma faculdade radicada no organismo é o que vem a facilitar o avanço da ciência para a confirmação desta realidade, já que as experiências daquela se fazem no campo limitado da matéria. Todavia, a teoria do hiperespaço (4) vem causando alterações quanto à compreensão do universo, um espaço multidimensional de dez dimensões é um passo para uma fascinante viagem a este mundo paralelo que os espíritos nos relatam, basta atentarmos para as obras de André Luiz e de Yvonne Pereira que nos descortinam um pouco das vibrações e formas outras da matéria plástica do pensamento em outra dimensão. É o homem caminhando para um entendimento maior da Criação, o célebre cosmólogo Stephen Hawking declara:

“Se de fato descobrirmos uma teoria completa, ela deve com o tempo ser compreensível em linhas gerais por toda a gente, não apenas por um punhado de cientistas. Então seremos todos, filósofos, cientistas e simples pessoas comuns, capazes de tomar parte na discussão de por que o universo existe. Encontrar a resposta para isso seria o triunfo máximo da razão humana – pois então conheceríamos a mente de Deus” (HAWKING, Stephen. A Brief History of Time. APUD: KAKU, Michio, op. cit., p. 359).

Deixemos aos cientistas a tarefa de nos trazer novos esclarecimentos e nos voltemos aos fatos da História.

Os fenômenos mediúnicos, esclarecidos e explicados pelo Espiritismo, são a chave para um conhecimento claro de passagens da História consideradas fantásticas. A realidade do períspirito veio afirmar a possibilidade de tais fenômenos. A revelação dos espíritos sobre este corpo semi-material foi confirmada por pesquisas feitas em Universidades do antigo mundo bipolar, a Universidade de Kirov, no Casaquistão, designou físicos, biofísicos e biólogos soviéticos para confirmarem ou não a existência de um corpo energético, as pesquisas confirmaram a existência desse corpo nas plantas, nos animais e no homem, deram-lhe o nome de corpo bioplásmico, concluindo também que este sobrevive à morte do corpo físico. Pesquisadoras norte-americanas divulgaram tais pesquisas e seus resultados no livro Experiências Psíquicas além da Cortina de Ferro. A pesquisadora da NASA, Bárbara Ann Brennan, não só confirmou a existência e sobrevivência deste corpo como também a influência que ele tem nos processos patológicos e como pode ser “manipulado” através da técnica de imposição das mãos. O passe tão comumente aplicado nas casas espíritas tem, a partir dessas pesquisas, aval científico. Os resultados e conclusões da pesquisa de Bárbara Ann Brennan estão em seu livro Mãos de Luz.

Se este corpo energético ou bioplásmico é o modelo organizador biológico, sobrevive à morte do corpo físico e influencia nos processos de equilíbrio ou desequilíbrio orgânico, se é ele que estrutura o corpo para as ações deste, por que tal corpo não teria a propriedade de deslocar-se do corpo físico em determinadas circunstâncias? Sendo este corpo o responsável pelas ações psicossomáticas (de doenças e de curas), é ele também o responsável por fenômenos psíquicos e mediúnicos, como dissemos acima, o períspirito é a chave para a explicação de muitos fatos obscuros da História. Vejamos alguns deles.

Allan Kardec cita um fato descrito por Tácito no livro Histórias, liv. IV caps. LXXXI e LXXXII:

“Durante os meses que Vespasiano passou em Alexandria, aguardando a volta dos ventos estivais e da estação em que o mar oferece segurança, muitos prodígios ocorreram, pelos quais se manifestaram a proteção do céu e o interesse que os deuses tomavam por aquele príncipe...

Esses prodígios redobraram o desejo, que Vespasiano alimentava, de visitar a sagrada morada do deus, para consultá-lo sobre as coisas do império. Ordenou que o templo se conservasse fechado para quem quer que fosse e, tendo nele entrado, estava todo atento ao que ia dizer o oráculo, quando percebeu, por detrás de si, um dos mais eminentes Egípcios, chamado Basílio, que ele sabia estar doente, em lugar distante muitos dias de Alexandria. Inquiriu dos sacerdotes se Basílide viera naquele dia ao templo; inquiriu dos transeuntes se o tinham visto na cidade; por fim, despachou alguns homens a cavalo, para saberem de Basílide e veio a certificar-se de que, no momento em que este lhe aparecera, estava a oitenta milhas de distância. Desde então, não mais duvidou de que tivesse sido sobrenatural a visão e o nome de Basílide lhe ficou valendo por um oráculo” (“O Livro dos Médiuns”, 2ª Parte, cap. VII, item 120).

Kardec relata também os fenômenos de bilocação ocorridos com Santo Antônio de Pádua e Santo Afonso de Liguori (“O Livro dos Médiuns”, 2ª Parte, cap. VII, item 119). Kardec ressalta que estes fatos não são tirados de lendas populares, mas da história da igreja. A história eclesiástica é farta fonte de exemplos de fenômenos psíquicos, dentre estes está o da “donzela de Domrémy”, Joana D’Arc, que ouvia vozes e tinha visões, apesar de sua luta e da confirmação do que as vozes e visões lhe diziam e mostravam, a jovem heroína foi condenada à fogueira pela Inquisição, em 30 de maio de 1431 o corpo de Joana era tomado pelas chamas, para depois Joana ser consagrada como santa pela própria instituição que a condenou: a “infalível” Igreja Católica (5).

Na Grécia antiga os oráculos estão sempre citados nas obras que nos legaram os grandes filósofos daquela terra, o oráculo de Delfos é muito conhecido por ter sido nele dito que Sócrates era o homem mais sábio de toda a Grécia (6), Sócrates nos dá uma lição de humildade ao responder: “eu conheço a minha ignorância”.

Se fôssemos relatar os casos de premonição, bilocação e outros, haveríamos de tornar este artigo muito longo com exemplos que podem ser facilmente encontrados na hagiografia e nos filósofos antigos, uma obra que contém diversos destes fenômenos é A Levitação, de Albert de Rochas, editado pela Federação Espírita Brasileira, também os livros Bases Científicas do Espiritismo, de Epes Sargent, da mesma editora e o livro Mediunidade dos Santos, de Clóvis Tavares trazem inúmeros destes relatos.

Para concluirmos o rápido exame dos fatos que se encontram na História, vejamos alguns destes no Livro Sagrado do Cristianismo. Somente à luz da mediunidade podem ser compreendidas certas passagens bíblicas.

No livro do Êxodo 31:18 está escrito: “E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele no Monte Sinai) as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus (grifo nosso). No capítulo 32:15-16 assim está: “E voltou Moisés, e desceu do monte com as duas tábuas do Testemunho na sua mão... E aquelas tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escrita de Deus esculpida nas tábuas”. A expressão “dedo de Deus”, deixa claro o grau de entendimento que naquela época se tinha de Deus: era um ser antropomórfico que se arrependia e se irritava tanto quanto os homens. Para tentar driblar tal aspecto, os teólogos cristãos trazem a explicação que o antropomorfismo é usado como recurso da língua para expressar verdades sobre Deus, ora, como aceitar que homens do ano 1450/1410 a. C., tivessem transmitido um Deus antropomórfico para melhor expressar verdades sobre ele? Aqueles eram tempos de ignorância espiritual e só um Deus justiceiro haveria de ser escutado (cf. Êxodo, 32:25-28). As passagens que citamos sobre a recepção dos Dez Mandamentos tornam-se perfeitamente compreensíveis quando aplicamos a ela o fenômeno de pneumatografia (escrita direta), aí a expressão “dedo de Deus” passa a ter um sentido claro para o leitor, o mesmo vale para a passagem de Deuteronômio, 5:22-23, aí o que se deu foi o fenômeno de voz direta (Ver também Êxodo, 24:12; Deuteronômio, 4:13; 9:10; 10:1-5).

Uma objeção que se coloca contra a prática mediúnica é a proibição de Moisés que consta em Deuteronômio, 18:11. Allan Kardec no livro O Céu e o Inferno, na 1ª Parte, cap. IX, faz uma longa e excelente análise de tal proibição, afirmando que tal se deu pelo abuso que os homens faziam de tal faculdade e, para confirmar que este era verdadeiramente o motivo da proibição, Kardec cita passagens bíblicas que constam do livro do profeta Isaías: Is, 8:19; 44:25; 47:13-15; 57:3-6. No entanto, Moisés não a proibia quando voltada para ideal nobre, é o que se depreende de Números, 11:27-29, em que Moisés louva a mediunidade de Eldade e Meldade, digno de nota é a expressão “o Espírito repousou sobre eles”, indicando que estavam sob uma influência externa.

O capítulo 28 do primeiro livro de Samuel é explícito quanto a possibilidade de se contatar os mortos, o versículo 14 poderia até deixar dúvidas sobre a identidade do espírito, pois afirma que Saul entendeu que era Samuel, mas tal dúvida não é possível porque os versículos seguintes (15 e 16) mostram claramente que era Samuel que falava a Saul, a veracidade do fenômeno está comprovada pelo cumprimento das palavras que o espírito Samuel disse a Saul (ver o versículo 19 e o capítulo 31), mas por que Saul consultou a pitonisa de Em-dor, não era ele também profeta (médium)? O versículo 6, do cap. 28 de I Samuel é a resposta a tal questionamento: “E perguntou Saul ao Senhor, porém, o Senhor lhe não respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas”. Saul estava com a sua faculdade mediúnica interrompida, os bons espíritos o haviam deixado (I Samuel, 16:14), apesar disto Saul consegue contato com Samuel, mas este não louva a sua evocação: “Samuel disse a Saul: Por que me desinquietaste, fazendo-me subir?” (I Samuel, 28:15). A repreensão de Samuel a Saul nos faz entender porque Moisés proibiu a consulta aos mortos, Saul queria respostas sobre o reino, sobre o poder que tinha como rei e não sobre assunto de edificação espiritual. O abuso das faculdades mediúnicas é deixado bem claro: “... o Senhor lhe não respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas”. Esta passagem é muito clara, buscava-se conselhos pela oniromância (adivinhação pelos sonhos), por consulta aos profetas (médiuns) e o que é interessante, através de duas pedras: O Urim e Tumim. Estas pedras ficavam num dos bolsos das vestes dos sacerdotes e só estes podiam usá-las, as instruções sobre o uso do Urim e do Tumim encontram-se em Êxodo, 28:30 e Números, 27:12-21. Saul era um soldado que havia sido ungido rei, portanto, não devia usar do Urim e do Tumim, as passagens de Êxodo e Números mostram que seu uso era para momentos específicos e para assuntos de importância espiritual. O Urim e o Tumim simplesmente afirmavam ou negavam, estas palavras significam “maldições” e “perfeições”, é como o “sim” e o “não” da tábua ouija (a da famosa “brincadeira” do copo). Diante de tais fatos como podem os estudiosos (os biblistas) negarem a realidade do fenômeno mediúnico, quando este se encontra explícito nas páginas do Livro Sagrado? (7).

Nas páginas da Bíblia encontramos as materializações, fenômenos pesquisado e observado por nomes como William Crookes e Zöllnner, as suas experiências estão nos livros Fatos Espíritas e Provas Científicas da Sobrevivência da Alma, respectivamente. Em Daniel, 5:5, há um notável fenômeno de materialização e escrita direta, “apareceram dedos de mão de homem”, estes dedos eram uma materialização produzida pelos espíritos, as experiências de William Crookes confirmaram que foi realmente tal fenômeno o que se deu:

“Eu estava sentado perto da médium, a Sra. Fox; não haviam outras pessoas presentes, além de minha mulher e uma senhora nossa parenta, e eu segurava as mãos do médium com uma das minhas, enquanto que os seus pés estavam sobre os meus.
Diante de nós, sobre a mesa, havia papel, e a minha mão livre segurava o lápis.
Mão luminosa desceu do teto da sala e, depois de ter pairado perto de mim durante alguns segundos, tomou-me o lápis, escreveu rapidamente numa folha de papel, abandonou o lápis e, em seguida, elevou-se acima das nossas cabeças, perdendo-se pouco a pouco na escuridão” (CROOKES, William. Fatos Espíritas. 9. ed. Rio de Janeiro, Rj: FEB, 1971. p. 43-44).

As pesquisas científicas relativas à mediunidade nos dão a explicação de fatos que poderiam ser interpretados como miraculosos ou efeito da alucinação. É o caso da transfiguração de Jesus e a aparição de Moisés e Elias (Mateus, 17:1-8; Marcos, 9:2-13; Lucas, 9:28-36), Lucas dá um detalhe que não se encontra nos outros evangelistas, o versículo 32 diz: “E Pedro e os que estavam com ele estavam carregados de sono; e quando despertaram, viram a sua glória e aqueles dois varões que estavam com ele”. Pedro, Tiago e João foram os médiuns que doaram ectoplasma para que Moisés e Elias se materializassem, eles estavam “carregados de sono”, nos fenômenos de materialização, em geral, o médium adormece, já que muita energia lhe é retirada, temos na transfiguração uma verdadeira sessão de materialização.

Com o entendimento espírita, a “ressurreição” de Jesus e suas aparições aos discípulos são um fenômeno real e nada tem de espantoso ou sobrenatural, nem foi uma alucinação coletiva (8). Os evangelistas narram as aparições de Jesus e, não raro, os seus discípulos não o reconhecem (Lucas, 24:13-49, 50-53; João, 20:11-18, 24-29; 21:1-8).

Após Jesus ter se elevado e desaparecido (Atos, 1:9-11), a mediunidade manifestou-se perante um público internacional, era o Dia de Pentecostes, também chamado de Festa da Colheita, comemorado 50 dias após a Páscoa, era um festa de ação de graças pelas colheitas e judeus de várias nações se reuniam em Jerusalém pela Festa de Pentecostes (9), como nos relata Lucas no livro de Atos, 2:1-6:

“Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua”.

Estava cumprida a profecia de Joel 2:28-29 e o desejo de Moisés (Números 11:29). Ocorreram três fenômenos no dia de Pentecostes, dois de efeitos físicos – “som, como de um vento veemente e impetuoso” e “línguas..., como que de fogo” – e um de efeito inteligente: “começaram a falar em outras línguas”, fenômeno de xenoglossia em que o médium sob a influência do Espírito fala em idioma que desconhece. Para um estudo aprofundado de tão empolgante assunto, aconselhamos a leitura do livro Xenoglossia, de Ernesto Bozzano, edição da FEB.

Após Pentecostes, a mediunidade estava tão difundida pelas igrejas que, em locais como Corinto, os ciúmes em relação à capacidade mediúnica estava dividindo a Igreja. Paulo, no capítulo 12 da primeira epístola aos Coríntios, explica a distribuição de dons e no versículo 31 exorta: “Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente”. O que ocorreu na comunidade cristã de Corinto ocorre no meio espírita, há médiuns que querem ser dotados de todas as faculdades mediúnicas, não se contentando com a que Deus lhes outorgou, esquecendo-se da advertência de Paulo e do Espírito Sócrates:

“Quando existe o princípio, o gérmen de uma faculdade, esta se manifesta sempre por sinais inequívocos. Limitando-se à sua especialidade, pode o médium tornar-se excelente e obter grandes e belas coisas, ocupando-se de todo nada de bom obterá. Notai, de passagem, que o desejo de ampliar indefinidamente o âmbito de suas faculdades é uma pretensão orgulhosa, que os Espíritos nunca deixam impune. Os bons abandonam o presunçoso, que se torna joguete dos mentirosos. Infelizmente, não é raro verem-se médiuns que, não contentes com os dons que receberam, aspiram por amor próprio, ou ambição, a possuir faculdades excepcionais, capazes de os tornarem notados. Essa pretensão lhes tira a qualidade mais preciosa: a de médiuns seguros” (O Livro dos Médiuns – 2° Parte, cap. XVI, item 198).
           
            Mediunidade é coisa grave e santa (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVI, item 10), a sua prática não se faz para agradar a este ou aquele grupo de pessoas, muito menos é para que o médium seja agraciado com os aplausos dos homens, ele como indivíduo é instrumento pouco importante (10), a discrição, a seriedade e a humildade são virtudes que nunca serão demais nos médiuns e exemplo é o que não nos faltam como os de Chico Xavier, Yvonne Pereira, Peixotinho, Zilda Gama, João Nunes Maia, Newton Boechat, Benedita Fernandes e, claro, os dos médiuns que participaram na obra da Codificação.

No livro Viagem Espírita em 1862, editora O Clarim, Allan Kardec esclarece que os fenômenos que atraem os curiosos fizeram parte de um período, “é que,- diz Kardec – como os Espíritos o afirmam, a fase da curiosidade passou e já vivemos um segundo período, o da filosofia. O terceiro que começará em pouco, será o de sua aplicação à reforma da Humanidade”. Este terceiro período (11) que os Espíritos colocaram para Kardec, ocorre em nossa era, mas já havia começado desde o tempo do Codificador, basta folhearmos as páginas instrutivas e consoladoras de O Evangelho segundo o Espiritismo; as mensagens que os Espíritos hoje ditam estão a nos falar da urgente necessidade de vivermos o Espiritismo com Jesus, os médiuns moralistas (12) despontam, no Brasil somos agraciados com a s célebres obras de Emmanuel, André Luiz, Bezerra de Menezes, Joanna de Ângelis, Manoel Philomeno de Miranda, Camilo, Miramez e outros conhecidos na Seara Espírita, cada qual no esclarecendo desde as passagens evangélicas quanto à complexidade de temas como a obsessão. Os espíritos trazem luz à nossa razão para que iluminada esta, luz se faça em nossos corações.

NOTAS:
1 – Veja-se O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, 2ª Parte, Exemplos.

2 – William Crookes, Epes Sargent, Albert de Rochas, Zöllnner, Ernesto Bozzano, Camille Flammarion, Gabriel Dellane, Léon Denis, Alexandre Aksakof, Gustave Geley, Paul Gibier, são alguns nomes de pesquisadores e cientistas de renome mundial que afirmaram a realidade do Espírito, infelizmente suas obras são esquecidas por muitos espíritas que buscam novidades, não desmerecemos as pesquisas atuais, mas os escritos destes homens afirmam a nossa fé raciocinada tanto quanto trazem resultados que são novamente confirmados por pesquisas recente, que desenvolvem as precedentes.

3 – Glândula Pineal – Sobre tão cativante assunto é interessante que se estude o 1º capítulo do livro Missionários da Luz, de André Luiz, bem como assistir à palestra do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira sobre a glândula pineal, acessível no http://youtu.be/i-m34rTKJEg.

4 – Hiperespaço – “(...) a teoria do hiperespaço, (...) afirma a existência de dimensões além das quatro conhecidas de espaço e tempo e comumente aceitas. Há um crescente reconhecimento entre físicos do mundo inteiro, entre os quais vários contemplados com o prêmio Nobel, de que o universo pode realmente existir num espaço de maior número de dimensões. Se sua correção for provada, essa teoria irá criar uma profunda revolução conceitual e filosófica em nossa compreensão do universo. Nos meios científicos, a teoria do hiperespaço é conhecida como teoria Kaluza Klein e supergravidade. Sua formulação mais avançada, porém, é chamada de teoria das supercordas, a qual chega a prever o número preciso de dimensões: dez. As três dimensões habituais do espaço (comprimento, largura e profundidade) e uma de tempo são agora acrescidas de seis outras dimensões espaciais” (KAKU, Michio. op. cit., p. 8).

O físico Stephen Hawking no livro O Universo em uma casca de noz, fala de um universo de 11 dimensões.

5 – Joana D’Arc – Para melhor compreensão dos fenômenos ocorridos com a “Virgem da Lorena”, leia-se Joana D’Arc, Médium, de Léon Denis.

6 – Sócrates e o oráculo de Delfos – Em seu julgamento fala Sócrates sobre as revelações délficas ao examiná-las comparando o seu saber ao de homens considerados sábios na sociedade grega: “Mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um nadinha mais sábio que ele exatamente em não supor que saiba o que não sei” (CURY, Fernanda. Sócrates. São Paulo: Minuano, 2009. p. 85-86 – grifo nosso (Coleção Iluminados da Humanidade).

7 – Urim e Tumim – eram pedras preciosas ou objetos planos que eram usados pelo sumo sacerdote que as guardava em um bolso de seu peitoral. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal – Versão Almeida Revista e Corrigida, ed. CPAD, 1995, traz a nota dos teólogos para Levítico, 8:8:

“(...) Alguns estudiosos pensam que o Urim representava a resposta negativa e o Tumim, a afirmativa. Após algum tempo de oração pedindo direção, o sacerdote chacoalhava as pedras e Deus fazia cair a apropriada. Outra teoria é de que o Urim e o Tumim eram pequenos objetos com dois lados, que correspondiam às respostas “sim” e “não” respectivamente. O sacerdote tirava-os do bolso e os jogava. Se os dois objetos mostrassem a  palavra “sim”, a resposta de Deus era positiva. Aparecendo o “não” em ambos, tinha-se a negativa. Um “sim”  e um “não” significava a ausência de resposta”.
O uso do Turim e do Tumim traz todas as características de uma evocação.

8 – Alucinação Coletiva – Ernest Renan era desta opinião sobre os fenômenos psíquicos e/ou mediúnicos acontecidos com os Apóstolos, escreve ele no prefácio de A Igreja Cristã: (...) Passado mais de um século sobre  as extravagantes alucinações do Cenáculo dos Apóstolos de Jerusalém (...)”. Como ele muitos interpretaram os fatos “sobrenaturais” das Escrituras como mitos, foi o caso de David Friedrich Strauss (1808-1874) que também escreveu uma Vida de Jesus, da mesma opinião era Bruno Bauer (1804-1872); Biné Sanglé quis provar a loucura de Jesus; Charles Hanchelin no livro As Origens da Religião, volta com a tese de que Jesus era um mito, mas os trabalhos recentes de Charles Guignebert: Jesus e de James H. Charlesworth: Jesus dentro do Judaísmo, resolvem o problema da existência histórica, estudam o Jesus histórico, não o teológico, dos altares e dos milagres, considerando Jesus tanto quanto Renan um homem vulgar. Talvez possamos falar destes homens o que o Espírito Erasto falou sobre Renan: “Ele é desses cegos inteligentes que explicam a seu modo o que não podem ver” (Obras Póstumas, 2ª Parte, Vida de Jesus por Renan).

9 – Judeus de várias nações – Em Atos 2:9-11 são mencionados os lugares em que viviam estes judeus. Devido às perseguições aos judeus, muitos foram levados cativos ou se dispersado para várias partes do mundo deixando aí descendentes, tal o motivo de haver judeus espalhados em diversas nações.

10 – Objetivo da mediunidade – “Não creias que a faculdade mediúnica seja dada somente para correção de uma, ou duas pessoas, não. O objetivo é mais alto: trata-se da Humanidade. Um médium é um instrumento pouquíssimo importante, como indivíduo. Por isso é que, quando damos instruções que devem aproveitar à generalidade dos homens, nos servimos dos que oferecem as facilidades necessárias. Tenha-se, porém, como certo que tempo virá em que os bons médiuns serão muito comuns, de sorte que os bons Espíritos não precisarão servir-se de instrumentos maus” (O Livro dos Médiuns, 2 Parte, cap. XX, item 226:5).

11 – Períodos do Espiritismo – O Orador e médium Divaldo Pereira Franco faz uma análise sucinta dos diversos períodos por que passou e passa o Espiritismo, colocando seis períodos que se confundem através das épocas: o período da curiosidade; o período filosófico; o período de luta; o período religioso; o período intermediário e o da renovação social que é o desafio para o Centro Espírita do século XXI, o de implantar a renovação social na Terra, começando pela nossa transformação moral (Mediunidade: Encontro com Divaldo. p. 14-15).

12 – Médiuns moralistas – “as comunicações que recebem têm geralmente por objeto as questões de moral e de alta filosofia. Muito comuns, quanto à moral” (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XVI, item 193).

(*) Leonardo Paixão é trabalhador espírita em Campos dos Goytacazes, RJ, colaborando com um grupo de amigos de ideal no Grupo Espírita Semeadores da Paz.