PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O SUDÁRIO, HÁ POSSIBILIDADE DE SER AUTÊNTICO?

José Passini
Juiz de Fora

O Sudário de Turim ou o Santo Sudário é uma peça de linho que mede 4,36 m por 1,10 m, que se encontra sob a custódia da Igreja Católica Romana, em Turim. Tem sido objeto de adoração por crentes e de estudo por cientistas, estes divididos entre uns poucos que o consideram uma falsificação, e muitos – inclusive agnósticos – que lhe atestam autenticidade. A autenticidade assegurada por muitos não inclui a afirmação de que seja realmente a peça de pano que esteve em contato com o corpo de Jesus. Apenas declaram estarem convencidos de que não se trata de uma falsificação, de um pano pintado na Idade Média, como tantos outros o foram, adquirindo a condição de relíquias religiosas e passando a ser adorados por fiéis.
O Sudário começou a ganhar notoriedade a partir do século XIV, precisamente no ano 1357, quando foi exposto por Joana de Vergy, esposa do dono da peça. Mais tarde, passou a pertencer à família Savoia, tendo sido, há pouco tempo, doado à Igreja Católica.
Um teste com o carbono-14 nega que o Sudário seja um tecido do primeiro século da Era Cristã. Alguns cientistas apresentam, contra a validade desse teste, dois argumentos fortes: o fato de ter sido a peça de linho cozida em azeite, na Idade Média, na tentativa de se provar que se tratava de pintura recente, e de ter estado exposta a dois incêndios nos locais onde se achava depositada, tendo numa dessas ocorrências se derretido parte da caixa de prata onde ela se encontrava. O fogo, nas duas ocasiões, deixou marcas que não chegaram a afetar seriamente a figura nela impressa.
Embora a tomemos por base, não nos propomos aqui a repetir tudo o que está afirmado na obra editada nos Estados Unidos, traduzida em Português sob o título “A Verdade sobre o Sudário”, de Kenneth E. Stevenson e Gary R. Habermas, que contaram com a colaboração direta de profissionais das áreas médica, física, biofísica, química e fotográfica, além de se estribarem em conclusões de outros pesquisadores, franceses e italianos.
Os citados autores não têm a mínima dúvida de que se trata do pano sobre o qual o corpo de Jesus foi colocado, tendo sido dobrado por sobre o corpo, razão por que apresenta duas figuras, uma de frente e outra de costas. Atestam os autores que foram feitos exames de partículas de sangue e de plasma, de polem de flores do oriente, de fibras de algodão, além de terem comprovado que o corpo havia sido chicoteado, que teria recebido uma coifa de espinhos sobre a cabeça, que tivera parte da barba arrancada, que tivera os pulsos e os pés trespassados por cravos, e que fora lanceado no flanco esquerdo, depois de morto. Além disso, apresentava sinais de que duas moedas haviam sido colocadas sobre seus olhos para mantê-los fechados, consoante o costume da época. Em nada, segundo os Autores, a figura do Sudário contraria os relatos contidos no “Novo Testamento”.
Entretanto, nenhum dos pesquisadores conseguiu explicar como a figura se fixou naquela peça de linho. Atestam não se tratar de pintura, nem de tintura, nem de marca de fogo, nem de qualquer processo conhecido tanto na Idade Média, quanto na atualidade. Verificaram, todos os pesquisadores, que as fibras dos fios estão marcadas apenas na superfície, não havendo nenhum indício do uso de tinta ou corante, que, por mais cuidadosa fosse a operação, penetraria no interior das fibras. Deve ser ressaltado que a figura não apresenta distorções como seriam naturais se o pano tivesse sido calcado sobre o corpo a fim de colher-lhe as impressões.
Várias hipóteses foram levantadas para explicar a fixação da figura no linho: emprego de ácido, emprego de vapor, uma chamuscadura produzida por um calor rápido; irradiação de alta energia; radiação atômica. Além do mais, deve ser ressaltado que a imagem foi fixada no linho como num processo fotográfico e a figura se apresenta como um negativo.
Diante da dificuldade de se produzir peça semelhante, um cientista afirmou: “Precisaríamos mais do que um milagre para apresentar o Sudário como uma farsa e não como um objeto autêntico.”
 E Yves Delage, membro da Academia Francesa, agnóstico confesso, ao concluir que o Sudário é o lençol fúnebre de Jesus, declarou: “Um problema religioso foi desnecessariamente injetado num assunto que, em si, é puramente científico... Se, em vez de Cristo, se tratasse de alguma outra pessoa, como um Sargão, um Aquiles ou um dos Faraós, ninguém teria pensado em fazer nenhuma objeção... Reconheço Cristo como uma personagem histórica e não vejo razão que justifique o fato de alguém se sentir escandalizado porque ainda existem vestígios de sua vida terrena...”
Outros pesquisadores, inclusive os autores, que, por serem católicos, a partir do limite aonde a Ciência chegara, apelam para o “sobrenatural”, vez que fora constatado o fato de o corpo não ter sofrido nenhum processo de decomposição sobre o Sudário. Alegam que houve um milagre, uma intervenção direta de Deus, que propiciou a Jesus levantar-se da sepultura com o seu corpo carnal.
Não explicam, entretanto, como Jesus apareceu vestido como um homem da época – a ponto de Madalena, ao vê-lo de costas, imaginar fosse o hortelão –, se o seu corpo fora deixado nu sobre o Sudário, conforme atesta a figura nele impressa. Nem explicam por que Jesus passou a agir de maneira totalmente diferente de como agia antes do suplício: aparecia e desaparecia subitamente; atravessava portas fechadas; não mais se hospedou em casa de ninguém; não fez mais refeições habituais como fizera até então.
Será que durante esses quarenta dias que medeiam a ressurreição e a ascensão, Jesus não quis mostrar que continuava vivo, mas não estava mais encarnado? Se o corpo era o mesmo, por que não agira assim antes? Por que voltaria para o “céu”, levando um corpo que não tivera antes? E, raciocinando-se de acordo com o dogma católico-protestante, de Jesus ter sido o próprio Deus encarnado – ou pelo menos um terço da Trindade –, como pôde levar um corpo físico gerado na Terra e acrescentá-lo à Divindade? Nesse caso, Deus não estaria completo até então, pois aquilo que está completo não aceita mais acréscimo algum... Além do mais, esse raciocínio seria aceitável durante a Idade Média, quando a Terra gozava do status de ser o centro do Universo, mas hoje, diante do que se conhece a respeito do Cosmo, é inaceitável tal teoria, mesmo que o Universo fosse constituído apenas pela nossa galáxia, a Via Látea.
Os autores chegam à tese da ressurreição em corpo espiritual, chamando-a de tese naturalista, mas negam-na. Negam-na veementemente, chegando a citar a I Carta de Paulo aos Coríntios, no seu capítulo 15, mas o fazem de modo incompleto, pois deixam de lado os versículos 35, 36, 37, 40, 42, 44 e 50, nos quais o Apóstolo pergunta com que corpo ressuscitaremos, respondendo, ele próprio, que temos dois corpos: o espiritual e o animal, dizendo: “semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual.” E, para que não pairem dúvidas, ainda diz: “... que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção.”
Ao deixarem a condição de pesquisadores e assumirem a de teólogos, os autores dizem que a ressurreição de Jesus se deu por intervenção direta de Deus e que se trata de fenômeno irrepetível. Diante de tal afirmativa é lícito seja perguntado com que corpo apareceram Moisés e Elias a Jesus, no Tabor, conforme relatado no Novo Testamento (Mt, 17: 1 a 13; Mc, 9: 1 a 13; Lc, 9: 28 a 36). Como puderam aparecer, tão materializados, a ponto de Pedro propor a construção de três cabanas, uma para Jesus, outra para Moisés e outra para Elias, conforme o relato dos três Evangelistas? Que corpo tinham eles, se a ressurreição de Jesus foi irrepetível
Não temos conhecimento de que existam na Codificação, nem em obras subsidiárias, referências ao Sudário. Entretanto, com base em experiências mediúnicas e revelações feitas por Espíritos, podem ser levantadas algumas hipóteses:
André Luiz (Obreiros da Vida Eterna, caps. 15 e 16), em duas situações, revela que trabalhadores do Bem dissipam as energias remanescentes nos cadáveres, antes do sepultamento, a fim de que não sejam profanados por Espíritos vadios. Diante disso, é de se perguntar: quem teria condições para dissipar a energia remanescente no corpo de Jesus, se não ele próprio? E ao fazê-lo, não o teria desmaterializado completamente? Com que objetivo Jesus deixaria na sepultura o corpo físico que lhe servira de instrumento, vez que, embora não mais pudesse ser explorado por Espíritos que quisessem se apossar dos fluidos remanescentes, sê-lo-ia por certo pelos sacerdotes interessados em apagar quaisquer indícios que lembrassem o Carpinteiro? Imaginemos o que aconteceria se o túmulo não estivesse efetivamente vazio: promoveriam uma exposição do cadáver, dizendo que as aparições de Jesus eram falsas.
Jesus não procurou convencer a ninguém de que o corpo que lhe servia de instrumento para suas aparições depois da desencarnação não era mais carnal. Pretendeu, por certo, provar a vitória da vida sobre a morte.  Isso, para a época, era o suficiente. Entretanto, ao ser visto por Saulo, na Estrada de Damasco, este compreendeu perfeitamente a imaterialidade daquele corpo luminoso com que o Mestre se apresentava. Daí, suas declarações na Carta aos Coríntios, já citada.
Mas, se Jesus desmaterializara o seu corpo, como poderia deixar prova de que não havia sido retirado da cruz ainda com vida – como querem alguns fantasistas – e levado para um lugar distante, onde teria continuado a viver? Pode-se supor que tenha deixado que as radiações produzidas pela desmaterialização plasmassem no tecido do Sudário a figura do seu corpo, que tinha sido colocado sobre uma parte do tecido e coberto com a outra.
As palavras de Jesus, quando promete o Consolador, ajudam a entender por que ele decidira não falar mais sobre o assunto, deixando as explicações para mais tarde, quando a Ciência tivesse avançado e pudesse estudar e explicar aquele fenômeno. Para quando o entendimento dos homens tivesse se alargado, de molde a entender-lhe a lição sem palavras a respeito da imortalidade, quando tivessem condições de entender a condição acidental – e não essencial – do corpo físico. Analisemos suas palavras: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.” (Jo, 16: 12). E disse mais: “Aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que tenho ensinado.” (Jo, 14: 26).
O Espiritismo, na sua condição de o Consolador prometido por Jesus, veio lembrar a sublime lição de imortalidade deixada pelo Mestre, escoimando-a de todas as fantasias criadas por teólogos, clérigos e leigos, tirando-lhe o caráter milagroso, mágico, irreal, e trazendo-a ao campo do raciocínio claro, lógico e coerente. Apoiado na Ciência, pôde o Espiritismo, séculos mais tarde, demonstrar que as aparições de Jesus não significaram uma derrogação das leis eternas. Inúmeras experiências de materialização foram levadas a efeito por cientistas de renome, que provaram à saciedade que o espírito desencarnado pode materializar-se, tornando-se visível, audível e tangível, conforme relata Arthur Conan Doyle, em sua obra “História do Espiritismo”, em que cita o testemunho de pesquisadores da estatura e respeitabilidade de Sir William Crookes, Cesare Lombroso, Sir Oliver Lodge, Camile Flammarion, Charles Richet, entre outros.
Digna de destaque é a figura do Prof. Crookes, tanto pela sua contribuição à Ciência, quanto pelos seus títulos. Descobriu o tálio, inventou o radiômetro, os tubos eletrônicos de catódio frio para a produção dos raios-X. Recebeu o Prêmio Nobel de Química, o título de Cavaleiro da Rainha Vitória, recebeu a Gold Medal, a Davy Medal, a Sir Joseph Copley Medal, na Inglaterra. Na França, foi premiado pela Academia de Ciências, que lhe concedeu medalha de ouro e um prêmio de 3.000 francos.  Esse eminente homem de Ciência se destaca também nas pesquisas de fenômenos psíquicos. Durante quase quatro anos, promoveu sessões em que se materializava o Espírito Katie King, que lhe proporcionou oportunidade de aplicar todo o seu rigor científico em pesquisas que o convenceram, a ele e a outros cientistas, da veracidade dos fenômenos. Além disso, o Espírito Katie King proporcionou-lhe memoráveis ocasiões de convívio, não só com ele, mas com outros pesquisadores e até com familiares, inclusive crianças, conforme se constata na obra “Fatos Espíritas”, de sua autoria.
Alguns desses cientistas aceitaram pesquisar fenômenos de materialização, desmaterialização e rematerialização, com o objetivo declarado de provar-lhes a irrealidade, mas acabaram por se convencer dos fatos, e se tornaram espíritas convictos. É o caso de William Crookes, que teve a coragem de declarar seu convencimento a respeito da autenticidade dos fenômenos à Sociedade Real de Londres, para escândalo de muitos de seus membros ilustres. Esse eminente homem de Ciência, provando que todo testemunho da Verdade é penoso para aquele que se propõe a dá-lo, amargou com a incompreensão de muitos colegas
Nos anos que se seguiram à publicação das obras básicas do Espiritismo, houve uma verdadeira onda de pesquisas desses fenômenos, cujos resultados se acham registrados em vasta bibliografia que pode ser consultada por aqueles que, libertos do ranço religioso, se proponham a fazê-lo.
Concluindo, chega-se à hipótese mais plausível a respeito do Sudário: se ele é realmente a peça de linho sobre a qual foi depositado o corpo de Jesus, a explicação mais clara, mais racional e lógica – livre de qualquer idéia de derrogação das leis da Natureza e de milagre – é essa que o Espiritismo nos proporciona. É um raciocínio que vem explicar, não confundir. É um raciocínio que não agride a razão, como o faz a teoria da ressurreição em corpo carnal.

                                                                                     

"OS QUATRO EVANGELHOS"


José Passini
Juiz de Fora / MG
 jose.passini@gmail.com


            O Espiritismo, na sua condição de Cristianismo redivivo, não poderia deixar de receber os ataques das forças contrárias ao esclarecimento e libertação do espírito humano. Embora pareça um paradoxo, o volume e a intensidade dos ataques constituem um verdadeiro atestado da legitimidade do Consolador.

A primeira, e talvez a mais forte das investidas, foi a publicação da obra de J. B. Roustaing, conhecida, em língua portuguesa como “Os Quatro Evangelhos”.

Na obra “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, Roustaing é citado como pertencente à equipe de Kardec. Há aqueles que contestam a autenticidade de tal afirmativa. Entretanto, sabe-se que todo missionário que vem à Terra traz consigo uma equipe, constituída de Espíritos, trabalhadores de boa vontade, mas sujeitos a falhas. Zamenhof veio à Terra com um grupo de Espíritos para a implantação do Esperanto. Dentro dessa equipe, houve um Espírito que falhou. Traiu o grande Missionário, liderando um grupo que apresentou uma versão modificada do Esperanto numa convenção mundial. Sua falha foi tão grande, que foi chamado Judas por uma biógrafa de Zamenhof, tal a repercussão da sua atitude.

Roustaing, embora tenha reencarnado com tarefa definida junto à obra de Kardec, conforme relato de Humberto de Campos na obra “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, foi vítima de Espíritos que se enquadram perfeitamente na classificação de Kardec, como Espíritos pseudo-sábios, conforme item 104 de “O Livro dos Espíritos”:

    
“Seus conhecimentos são bastante amplos, mas acreditam saber mais do que realmente sabem. Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, a linguagem deles tem caráter sério, que pode iludir quanto às suas capacidades e luzes; porém, na maioria das vezes isso não passa de um reflexo dos preconceitos e das idéias sistemáticas da vida terrestre. É uma mistura de algumas verdades com os erros mais absurdos. Em meio aos quais despontam a presunção, o orgulho, o ciúme e a obstinação, de que não puderam livrar-se.”
      Roustaing desejou produzir obra própria, tornando-se presa fácil de fascinação. Esse não foi o primeiro, nem o último caso, na Humanidade, da falência de um Espírito pertencente a um grupo de trabalho. Judas, da equipe de Jesus, também falhou.

Esses quatro volumes constituem obra fantasiosa, repetitiva, que, em muitos pontos, contradiz fundamentalmente a Doutrina Espírita. É apresentada em tom professoral, catedrático, que choca frontalmente com a simplicidade, objetividade e limpidez das expressões de Kardec e dos Espíritos que dialogaram com ele.

As citações que fizermos, respostas dos Espíritos mistificadores que orientaram Roustaing, todas em negrito vermelho serão referentes à edição de 1971 de Os Quatro Evangelhos, que difere um tanto daquela de 1942, da mesma editora, pois que foram suprimidos ataques a Kardec.

Roustaing pretendeu dar nova versão à tese da virgindade de Maria, através de uma pseudo-gravidez, que teria culminado no aparecimento de um bebê fluídico, surgido de uma gravidez enganosa, de um parto fictício, de uma lactação aparente, de um desenvolvimento físico falso e de uma desencarnação mentirosa.
“Mas, não o esqueçais: todo aquele que reveste a carne e sofre, como vós, a encarnação material humana – é falível.” (pág. 166).

Estaria o Espírito querendo dizer que se Jesus encarnasse estaria sujeito a falhar? Por isso não teria encarnado?
Jesus viveu a vida de um homem normal da sua época: trabalhava, comia, bebia, hospedava-se nas casas das pessoas. Por que mudou completamente seu modo de agir depois da desencarnação? Não há nenhum registro no Novo Testamento que se tenha hospedado em casa de alguém, nem que tenha feito refeições regulares, como fazia. É claro que desejava deixar claro que não mais estava encarnado, que não mais tinha necessidades materiais.

Seu enquadramento na vida terrena, enquanto encarnado é claramente demonstrada na citação abaixo:
“E chegando sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: Donde lhe vem essas coisas? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? (Marcos, 6: 2 e 3).

Mas, embora tivesse poderes para fazê-lo quando encarnado, nunca atravessou portas fechadas, nem apareceu ou desapareceu subitamente, como o fez depois de desencarnado, demonstrando a imortalidade da alma, apresentando-se apenas com seu corpo espiritual:
“E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio deles, e disse: Paz seja convosco.” (João, 20: 26)
Há outro relato de aparecimento, este com desaparecimento também:
“E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús. E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que não o conhecessem. E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe. E eles o constrangeram dizendo: Fica conosco porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão o abençoou e partiu-o, e lhes deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele lhes desapareceu.” (Lucas, 24: 13, 15, 16, 28 a 31).
 Se Jesus não teve um corpo físico, como afirma Roustaing, por que passou a agir de maneira tão diferente depois da sua desencarnação?

Roustaing tenta apagar a notável lição de Paulo, no cap. 15 da Primeira carta aos Coríntios, onde o Apóstolo fala claramente em corpo físico e corpo espiritual.

É interessante notar a argumentação de Paulo:

“Porque se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.” (16)

“Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?” (35).

“Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual.” (44)
Se Paulo entendesse que Jesus tinha só corpo fluídico, não falaria em ressurreição.

Àqueles que perguntam sobre o que aconteceu com o corpo físico de Jesus – pois que desaparecera do túmulo – pode-se responder com os trabalhos levados a efeito por equipes de cientistas internacionais que estudaram o pano sobre o qual o cadáver de Jesus foi desmaterializado, pano esse conhecido como o Sudário de Turim. Constitui ele relíquia ciosamente guardada pela Igreja Católica Romana, que retrata a figura de um homem, de frente e de costas, que sofrera flagelações, tudo coincidindo com o que se conhece sobre Jesus. Mas, os cientistas não chegaram a conclusão alguma sobre como fora gravada a imagem. Declaram que não foi pintura, tintura, queimadura por fogo ou por ácido, nem radiação atômica. Sabemos, nós espíritas, que seu corpo foi desmaterializado.

Entretanto, não é a tese do corpo fluídico o ponto mais grave da obra. Há afirmativas que contrariam frontalmente as bases doutrinárias do Espiritismo. Vejamos algumas, dentre muitas:

Evolução do Espírito:
            Com Kardec, em O Livro dos Espíritos, aprende-se que o princípio inteligente percorre, durante milênios incontáveis, as trilhas da evolução, antes de atingir o estágio de humanidade. Aprende-se que a consciência moral que caracteriza o ser humano, libertando-o gradualmente do jugo dos instintos, desabrocha lentamente, revelando a perfeição imanente no Ser:
O Livro dos Espíritos - 607 a. Parece que, assim, se pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação, não?

            “Já não dissemos que tudo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue à da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza.”

            Respondendo a Roustaing, os Espíritos com os quais dialogou, falam numa transformação do instinto em inteligência – num determinado momento – levada a efeito por agentes exteriores e não através do próprio processo evolutivo, o que faz pensar numa espécie de “colação de grau” espiritual. Interessante notar, também, que o Espírito, depois de todas as aquisições individuais retorne ao “todo universal”, onde, certamente, perderia a sua individualidade. Além disso, como teria, um Espírito recém-saído da animalidade ter um perispírito tão sutil a ponto de quase ser invisível aos Espíritos Superiores? Vejamos a pergunta de Roustaing e a resposta dos Espíritos:

            “Como é que, chegado ao período de preparação para entrar na humanidade, na espiritualidade consciente, o Espírito passa desse estado misto, que o separa do animal e o prepara para a vida espiritual, ao estado de Espírito formado, isto é, de individualidade inteligente, livre e responsável?”

            “É nesse momento que se prepara a transformação do instinto em inteligência consciente. Suficientemente desenvolvido no estado animal, o Espírito é, de certo modo, restituído ao todo universal, mas em condições especiais é conduzido aos mundos ad hoc, às regiões preparativas, pois que lhe cumpre achar o meio onde elaboram os princípios constitutivos do perispírito. (...) Aí perde a consciência do seu ser, porquanto a influência da matéria tem que se anular no período da estagnação, e cai num estado a que chamaremos, para que nos possais compreender, letargia. Durante esse período, o perispírito, destinado a receber o princípio espiritual, se desenvolve, se constitui ao derredor daquela centelha de verdadeira vida. Toma a princípio uma forma indistinta, depois se aperfeiçoa gradualmente como o gérmen no seio materno e passa por todas as fases do desenvolvimento. Quando o invólucro está pronto para contê-lo, o Espírito sai do torpor em que jazia e solta o seu primeiro brado de admiração. Nesse ponto, o perispírito é completamente fluídico, mesmo para nós. Tão pálida é a chama que ele encerra, a essência espiritual da vida, que os nossos sentidos, embora sutilíssimos, dificilmente a distinguem.” (1º vol., pág. 308).
           
            Respondendo a Kardec, os Espíritos ensinam que o Espírito emerge lentamente da animalidade, das necessidades materiais, através de sucessivas encarnações, ao longo de milênios sucessivos, que se constituem em oportunidades absolutamente necessárias ao seu progresso. O perispírito, que sempre reveste o Espírito, vai-se modificando com o passar do tempo.

            Roustaing se refere ao períspirito como se fosse uma roupagem preparada longe do Espírito que deva usá-la: “Quando o invólucro está pronto para contê-lo, o Espírito sai do torpor em que jazia e solta o seu primeiro brado de admiração.”
            Afirma, o Espírito que respondeu a Roustaing : “Nesse ponto, o perispírito é completamente fluídico, mesmo para nós.” Que perispírito não é fluídico? Seria apenas naquele momento?

O Livro dos Espíritos - 609. Uma vez no período da humanidade, conserva o Espírito traços do que era precedentemente, quer dizer: do estado em que se achava no período a que se poderia chamar ante-humano?

            “Conforme a distância que medeie entre os dois períodos e o progresso realizado. Durante algumas gerações, pode ele conservar vestígios mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porquanto nada se opera na Natureza por brusca transição. Há sempre anéis que ligam as extremidades da cadeias dos seres e dos acontecimentos. Aqueles vestígios, porém, se apagam com o desenvolvimento do livre-arbítrio. Os primeiros progressos só muito lentamente se efetuam, porque não têm a secundá-los a vontade. Vão em progressão mais rápida à medida que o Espírito adquire mais perfeita consciência de si mesmo.”

            Os Espíritos, respondendo a Roustaing, afirmam que o Espírito só volta à vida material por castigo. Se é humanizado apenas após cometer a primeira falta, depreende-se que se não houvesse falta não haveria reencarnação. Como Roustaing explicaria a evolução do Espírito? Analise-se seu diálogo com um Espírito:

            “(...) para o Espírito formado, que já tem inteligência independente, consciência de suas faculdades, consciência e liberdade dos seus atos, livre-arbítrio e que se encontra no estado de inocência e ignorância, a encarnação, primeiro, em terras primitivas, depois, nos mundos inferiores e superiores, até que haja atingido a perfeição, é uma necessidade e não um castigo?”

            “Não; a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo, já o dissemos. E o castigo não pode preceder a culpa.
O Espírito não é humanizado, também já o explicamos, antes que a primeira falta o tenha sujeitado à encarnação humana. Só então ele é preparado, como igualmente já o mostramos, para lhe sofrer as consequências.” (1º vol., pág. 317)

            Em Kardec, aprende-se que  o progresso do Espírito é irreversível, o que é racional, pois se não houvesse a irreversibilidade do progresso espiritual não haveria segurança nem estabilidade no Universo.

O Livro dos Espíritos - 118. Podem os Espíritos degenerar?
            “Não; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda.”

            Roustaing admite possa um Espírito que já desempenhou funções elevadas no Mundo Espiritual ser tomado pela inveja, pelo orgulho, etc., o que evidencia uma nova versão para a “queda dos anjos”, conforme a teologia Católica Romana e, também, a Protestante.

            “Já tendo grande poder sobre as regiões inferiores, cujo governo aprenderam a exercer, no sentido de que, sempre sob as vistas dos Espíritos prepostos à missão de educá-los e sob a do protetor especial do planeta de que se trate, aprendem a dirigir a revolução das estações, a regular a fertilidade do solo, a guiar os encarnados, influenciando-os ocultamente, muitos acreditam que só ao merecimento próprio devem o que podem e, desprezando todos os conselhos, caem. É a queda pelo orgulho.
            Outros, por nem sempre compreenderem a ação poderosa de Deus, não admitem haja uma hierarquia espiritual e acusam de injustiça aquele que os criou, porquanto é Deus quem cria, não o esqueçais. Esses os que caem por inveja.
Até o ateísmo – por mais impossível que pareça – até o ateísmo se manifesta naqueles pobres cegos colocados no centro mesmo da luz. (...) Nesse caso, sobretudo nesse caso, mais severo é o castigo. É um dos casos de primitiva encarnação humana.      Preciso se torna que os culpados sintam, no seu interesse, o peso da mão cuja existência não quiseram reconhecer.
Qualquer que seja a causa da queda, orgulho, inveja ou ateísmo, os que caem, tornando-se, por isso, Espíritos de trevas, são precipitados nos tenebrosos lugares de encarnação humana, conforme o grau de culpabilidade, nas condições impostas pela necessidade de expiar e progredir.” (1º vol., pág. 311)

            Kardec obtém dos Espíritos Superiores resposta que deixa muito claro que o Espírito que atingiu a humanização não retorna jamais às formas animais, o que contraria frontalmente a teoria da Metempsicose esposada por Roustaing:

O Livro dos Espíritos - 612. Poderia encarnar num animal o Espírito que animou o corpo de um homem?
“Isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente.”

            Em Roustaing, vê-se que, além de admitir a Metempsicose, afirmam seus interlocutores possa um Espírito voltar à Terra, ou a outros mundos, animando corpos primitivíssimos, como larvas!

            “Haveis dito que os Espíritos destinados a ser humanizados, por terem errado muito gravemente, são lançados em terras primitivas, virgens ainda do aparecimento do homem, do reino humano, mas preparadas e prontas para essas encarnações e que aí encarnam em substâncias humanas, às quais não se pode dar propriamente o nome de corpos, nas condições de macho e fêmea, aptos para a procriação e para a reprodução. Quais as condições dessas substâncias humanas?”

            “São corpos ainda rudimentares. O homem aporta a essas terras no estado de esboço, como tudo que se forma nas terras primitivas. O macho e a fêmea não são nem desenvolvidos, nem fortes, nem inteligentes.
            Mal se arrastando nos seus grosseiros invólucros, vivem, como os animais, do que encontram no solo e lhes convenha.
            As árvores e o terreno produzem abundantemente para a nutrição de cada espécie. Os animais carnívoros não os caçam. A providência do Senhor vela pela conservação de todos. Seus únicos instintos são os da alimentação e os da reprodução.
            Não poderíamos compará-los melhor do que a criptógamos carnudos. Poderíeis formar idéia da criação humana, estudando essas larvas informes que vegetam em certas plantas, particularmente nos lírios.” (págs. 312 / 313)

Autenticidade da Encarnação de Jesus:
            Kardec mostra Jesus como o modelo mais perfeito para a evolução humana, logo, o seu corpo deveria ter a mesma constituição do corpo daqueles aos quais ele deveria servir de modelo, e seu testemunho basear-se na verdade.

O Livro dos Espíritos - 625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?
            “Jesus.”

O Livro dos Espíritos - 624. Qual o caráter do verdadeiro profeta?
            “O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. Impossível é que Deus se sirva da boca do mentiroso para a ensinar a verdade.”

            Roustaing mostra um Jesus que estaria fingindo estar encarnado, desde o seu nascimento até a sua morte, que teria sido também um simulacro, uma verdadeira encenação teatral. Além do mais, ainda o chama de um Deus milagrosamente encarnado! (1º vol., págs. 242 / 243)

            “(...) um homem tal como vós quanto ao invólucro corporal e, ao mesmo tempo, quanto ao Espírito, um Deus: portanto, um homem-Deus.” (pág. 242)

            Aqui, é declarado que o invólucro corporal de Jesus era igual ao de todos nós...

            Kardec afirma categoricamente que Jesus teve um corpo carnal e um corpo fluídico, como todos encarnados temos:
            “A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro, desde a sua concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias da vida. Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo, em seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunstâncias de sua vida, revela caracteres inequívocos de corporeidade. (...) também forçoso é se conclua que, se Jesus sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é que ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de toda gente.”
            “Aos fatos materiais juntam-se fortíssimas considerações morais.
            Se as condições de Jesus, durante sua vida, fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja sido, é tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação. (...) e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida, numa comédia indigna de um homem simplesmente honesto, indigna, portanto, e com mais forte razão de um ser tão superior. Numa palavra, ele teria abusado da boa fé dos seus contemporâneos e da posteridade. Tais as consequências lógicas desse sistema, consequências inadmissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem.
            Jesus teve, pois, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que lhe assinalaram a existência.” (A Gênese, cap. XV, itens 65 e 66)

            Roustaing mostra um Jesus que estaria fingindo estar encarnado, que fingia alimentar-se, desde o seu nascimento. Seria o guia e modelo enganando que mamava, que comia, que bebia, que sofria e que desencarnou?

            “Quando Maria, sendo Jesus, na aparência, pequenino, lhe dava o seio – o leite era desviado pelos Espíritos superiores que o cercavam, de um modo bem simples: em vez de ser sorvido pelo “menino”, que dele não precisava, era restituído à massa do sangue por uma ação fluídica, que se exercia sobre Maria, inconsciente dela.” (1º vol, pág. 243).
            “Os Espíritos superiores que o cercavam em número, para vós, incalculável, todos submissos à sua vontade, seus dedicados auxiliares, faziam desaparecer os alimentos que lhe eram apresentados e que não tinha para ele utilidade. Aqueles Espíritos os subtraiam da vista dos homens, de modo a lhes causar completa ilusão, à medida que parecia  ser ingeridos por Jesus, cobrindo-os, para esse fim, de fluidos que os tornavam invisíveis.” (1º vol, págs. 262/263).

Aparição de Moisés e Elias:
            Inegavelmente, as afirmações mais claras a respeito da reencarnação, contidas no Novo Testamento, encontram-se nos Evangelhos de Mateus (17: 10-13) e de Marcos (9: 11), onde se lê que Jesus  dialogou com Moisés e Elias no Tabor, diante dos discípulos Pedro, Tiago e João. Questionado quanto à identidade de Elias, o Mestre afirma categoricamente que João Batista foi a reencarnação do Profeta Elias.
            Em Roustaing, de maneira fantasiosa e completamente inverossímil, numa tentativa de desacreditar a reencarnação, misturando fatos e fantasias, é declarado que Moisés, Elias e, consequentemente, João Batista são o mesmo Espírito, e que ali, no Monte Tabor, um outro Espírito tomou a aparência de Moisés e conversou com Jesus. Vê-se aí, mais uma vez o ilusionismo, para não dizer a falsidade da obra de Roustaing:

            “O que, porém, Jesus naquela ocasião não podia nem devia dizer e que agora tem que ser dito é o seguinte: Moisés – Elias – João Batista – são uma mesma e única entidade. Estamos incumbidos de vos revelar isso, porque chegou o tempo em que se tem de “realizar” a “nova aliança”, em que todos os homens (Judeus e Gentios) se têm que abrigar debaixo de uma só crença, da crença – em um Deus, uno, único, indivisível, Criador incriado, eterno, único eterno: o Pai; em Jesus-Cristo, vosso protetor, vosso governador, vosso mestre: o Filho; nos Espíritos do Senhor, Espíritos puros, Espíritos superiores, bons Espíritos que, sob a direção do Cristo, trabalham pelo progresso do vosso planeta e da sua humanidade: o Espírito Santo.” (2º vol., págs 497 / 498)

            A obra é volumosa, pesada, extremamente repetitiva, escrita em tom catedrático, pretensioso, que nos remete diretamente a “O Livro dos Espíritos”, item 104, no magistral estudo que o Codificador faz a respeito da “Escala Espírita”, quando se refere aos Espíritos pseudo-sábios. São Espíritos pertencentes a comunidades espirituais que teimam em manter erros doutrinários relativamente à interpretação da Mensagem Cristã, para as quais o Espiritismo representa grande perigo por esclarecer a Humanidade.

            A respeito desses Espíritos, Emmanuel faz séria advertência, que serve também como alertamento, diante dessa verdadeira “onda editorial” que está alimentando a vaidade de médiuns invigilantes e enriquecendo editoras: “As próprias esferas mais próximas da Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da Humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.” (“A Caminho da Luz,” cap. 12),

            Felizmente, a onda de roustainguismo está passando. Mas, como existem ainda muitos volumes dessa obra em bibliotecas e livrarias, animamo-nos a fazer estas anotações.