PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O que Herodes quer saber ?

Por Jane Maiolo (*)

“E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo. Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém; então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer.”[¹]

Durante dois mil anos a comunidade cristã comenta o nascimento de Jesus, o Cristo. Encarado por uns como episódio místico, por outros como fato alegórico, por muitos como lenda, por quase todos como o maior acontecimento de toda a história da Terra. Muitos estudiosos dedicam parte das suas existências tentando encontrar provas científicas que atestem uma possível fraude histórica a respeito do nascimento do Cristo.

Mais, a Humanidade prossegue altiva, mergulhada nas pesquisas científicas, históricas, geográficas, arqueológicas sem se dar conta da grandiosa transformação real e marcante que a presença física e espiritual d’Ele causou e ainda ​causa entre nós. Onde haveria de nascer o Cristo? Quer saber Herodes. A dúvida, nimbada de medo, era talvez sustentada pela insegurança e neurose de um soberano que temia a perda do trono para um legítimo descendente real.

A palavra Jesus provém do termo “Yeshua"( forma alternativa de Yehoshua) significando “salvar” e é considerada , ainda,  uma forma reduzida (pós-exílio babilônico) do nome de Josué que significa “Deus' (YHWH) salva”, lembrando aqui que há o termo grego Iesous correspondente ao Yeshua hebraico. Já o termo grego “Cristo” é correspondente a “ungido” em hebraico, assim sendo, aplicada a Jesus ganha o sentido de o Esperado ou o Enviado de Deus.

Onde haveria de nascer o Cristo? Quer saber Herodes.Onde esperar a Salvação ?

O nascimento de Jesus estabelecera uma nova era, constituíra novas perspectivas, magnas esperanças, intensas alegrias. Com Ele esperançosos recomeços, auspiciosas possibilidades, sublimes amanheceres. 

Mais onde haveria de nascer o Cristo?

“…Porque não havia lugar para Eles na hospedaria.”[²]

Nossos hotéis, hospedagens, estalagens, hospedarias e pensões estão lotados. Não há lugar para Ele nascer! Mergulhados nos problemas do ser, do destino e da dor esquecemos de vislumbrar a possibilidade do nascimento do Cristo em nós.

Para ser a nossa Salvação Ele tem que ser vivido por nós. Temos que hospedá-Lo no coração. Não importa qual a pousada, se uma choupana, se um palácio, ou se numa simples manjedoura.O que vale é abrigá-lo. Imperioso refletir que esses locais são estados vibratórios da alma e não espaços físicos.

A Doutrina Espírita no seu tríplice aspecto: Ciência, Filosofia e Religião nos ensina a compreender o verdadeiro sentido do nascimento de Jesus, pois com a Ciência Espírita dilatamos nossos sentidos, com a Filosofia Espírita aprendemos a dialogar e a aprofundar nosso raciocínio e com a religiosidade oferecida pelo seu conteúdo moral verticalizamos nossos sentimentos e compreendemos a preciosidade da fé raciocinada, meditada, sentida e vivida.

Onde haveria de nascer o Cristo? Quer saber Herodes.

Negamos o nascimento do Cristo quando somos indiferentes à dor do próximo, quando paralisamos nossas ações no bem, quando mutilamos nossos gestos de fraternidade ou quando amputamos nossas realizações solidárias. Negar o nascimento do Cristo é negar o nosso retorno à casa do Pai.

 “E Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação”.[³]

Possamos todos nós passar pela vida e dizer tal qual o velho Simeão em Jerusalém que não passaria pela morte antes de ver o excelso Senhor.
 
Referências bibliográficas:
(1)            (Mateus 2:1-4)
(2)            (Lucas 2:7).
(3)           Lucas 2:27-30)

*Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Dirigente da USE Intermunicipal de Jales. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Jornal O rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP -Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita. janemaiolo@bol.com.br 

Que é a verdade?

Por Jane Maiolo (*)

“Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”. Disse-lhe Pilatos: “Que é a verdade?” (João, 18:37).

Decorridos dois mil anos, essa inquirição de Pilatos a Jesus ainda ressoa em nossa consciência.
Que é a verdade? E Ele se calou, talvez porque o legítimo Prefeito da província romana da Judéia não contasse com acervo psíquico-moral para aceitar e compreender as verdades emudecedoras que pudessem brotar dos lábios afásicos do  Mensageiro Divino.
A verdade de Jesus, naquele tempo, não cabia em nossas almas, e ainda hoje não há espaço para ela. Espíritos de terceira ordem na escala espírita – conforme nos ensina o codificador da Doutrina Espírita Allan Kardec – somos incapazes de aceitar a mensagem de Jesus, e vivê-la em sua plenitude e simplicidade. Talvez pelo fato de ser tão simples, não conseguimos nos ajustar emocionalmente ao seu intrincado valor moral.
Somos criaturas viventes no século 21, atreladas ao falso intelectualismo, que nos afasta sobremaneira do pensamento Crístico do primeiro século.
Jesus personifica a justiça, e nós amamos a injustiça porque andamos pari e passu com seus benefícios efêmeros.
Jesus expressa o amor absoluto, e somos símbolos, estereótipos e nos desenvolvemos arquétipos das paixões atrofiantes.
            Jesus inspira liberdade, e estamos nos atrelando aos velhos conceitos de dominação e subjugação  pela matéria e através da mente.
            A verdade de Jesus ainda está presa aos lábios dele: ouça quem tiver ouvidos de ouvir.
            Que é a verdade? E Jesus mais uma vez contou com os emissários a fim de não violentar nossa mente, um tanto quanto infantil. Aos surdos é preciso gradativamente acostumar-se com o som.
Quando da vinda do Mestre ao Orbe terrestre, contou com João, o Batista, para aplainar o caminho. Não o Seu Caminho , mas o caminho ascensional daqueles que queriam seguir a verdade.
            E, mesmo assim, a verdade permanece abafada, conspurcada, camuflada e, por fim, distanciada do pensamento Crístico.
            Que é a verdade? Clama a multidão oprimida e massacrada pela descrença e cientificismo do século 19.
            As vozes do céu empreendem novos esforços, novas luzes, novos caminhos. Jesus, na sua soberania de Governador Espiritual da Terra, destaca para o trabalho árido e renovador o pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, oferecendo a todos que desejarem a mensagem imortalista e consoladora, capaz de libertar as consciências, com as verdades universais.
O codificador Allan Kardec, pseudônimo por ele adotado visando  não vincular a Doutrina dos Espíritos nascente a nenhuma personalidade, se vê em momentos angustiantes diante dos caminhos a trilhar. Por onde começar? Pelas conclusões científicas tão discutidas pelos homens da época ou pelas indagações filosóficas tão em evidência no meio cultural? Pensaria ele: seria justo desligar a doutrina dos espíritos do caráter religioso e consolador? Não.
A Doutrina Espírita, renovadora por sua natureza, corporifica-se e  estampada na primeira questão de O Livro dos Espíritos  a célebre interrogação: Que é Deus?
Desta forma, deixa o legado de um patrimônio universal sobre a verdade, obrigando-nos a todos – cientistas, filósofos, religiosos – a responder tal inquirição, não fugindo à verdade, nunca dantes tão clara e profunda.
Que é a verdade? E o Espirito de Verdade responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, sem usar de violência ou precipitação, sem se arvorar em juiz ou defensor, sem constranger ou afastar as criaturas de Deus. A Verdade é! Simplesmente é...

Referências bibliográficas:
João 18:37
KARDEC Allan. O Livro dos Espíritos, questão 1, RJ: Ed. FEB, 1990



 *Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Dirigente da USE Intermunicipal de Jales. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Jornal O rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP -Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita. janemaiolo@bol.com.br -