PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

sábado, 22 de abril de 2017

AMOR, FORÇA CRIADORA.



Roberto Cury
                                                                        
Hoje inicio este trabalho contando uma pequena e significativa história que extraí do site Momento Espírita, publicado na internet .
Um professor de sociologia mandou seus alunos aos bairros pobres da cidade de Baltimore, Estados Unidos, para realizar estudos de casos individuais de 200 garotos, fazendo uma avaliação do futuro de cada um deles.
Em todos os casos os estudantes fizeram a seguinte avaliação: "ele não tem a menor chance".
Passados 25 anos, outro professor de Sociologia dedicou-se ao estudo realizado. Pediu que seus alunos efetuassem novos estudos para verificar o que havia acontecido com aqueles garotos pobres.
Os estudantes descobriram então que, com exceção de 20 meninos que haviam se mudado ou morrido, 176 entre os 180 restantes, tinham alcançado sucesso fora do comum como advogados, médicos e homens de negócio.
O professor ficou surpreso e decidiu ir mais além na pesquisa.
Felizmente todos os garotos, que agora já eram homens, moravam na cidade. Assim ele teve condições de perguntar a cada um deles, a que atribuíam o seu sucesso.
Em cada caso a resposta era sempre a mesma: "houve uma professora..." E a resposta era acompanhada de um sincero sentimento de gratidão.
Como a professora ainda estava viva, resolveu procurá-la e perguntar que fórmula mágica ela havia usado para impulsionar aqueles garotos à conquista das profissões que tanto almejavam, superando os obstáculos impostos pela condição social.
A idosa, mas ainda lúcida senhora, com brilho nos olhos e nos lábios um sorriso gentil, respondeu: "É realmente muito simples. Eu amava aqueles garotos".”

As duas pesquisas comprovam o fato que se buscou: se o amor era ou não a causa do sucesso ou do fracasso daqueles meninos.
O amor, sentimento muitas vezes contestado pelos homens, confunde-se com o “gostar de” ou com os ciúmes ou, ainda, com a violência de que se valem os mais fortes, geralmente os homens, para imporem as suas vontades sobre o ser mais fraco, geralmente a mulher, como soberania, falsa é verdade, tentando conectarem a agressividade como prova de amor. Há muita gente que usa a expressão: “quem ama, cuida”, só que os “cuidados” são a pancadaria ou as agressões ciumentas, ambas destrutivas do sentimento puro que é o amor.
O amor é um sentimento inato que nos acompanha desde que Deus nos criou inoculando, em nosso ser, a centelha do Amor Divino.
Entretanto, não basta a absorção da centelha, é preciso que desenvolvamos o Amor que nos foi dado pelo Criador.
A bondade revela o desenvolvimento deste sentimento puro e maravilhoso, mas ela é adquirida gradativamente com o passar dos tempos e das experiências e vem sempre aumentada quando o ser abrevia, pelo decurso do tempo, instruindo-se. Foi assim que o Cristo de Deus nos descortinou a porta da salvação: - Amai-vos e instruí-vos.
Maroisa F. Pellegrini Baio, in “A necessidade do Amor e da instrução”, interessante artigo insculpido na Revista Internacional de Espiritismo, Ano XC, nº 9, outubro de 2015, ensina: “(...) bondade sem conhecimento é como um poço que mata a sede do viajante, mas não tem poder para lhe ensinar o caminho certo; a inteligência sem o amor assemelha-se a um poste no qual se pendura um aviso, informando ao viajante o rumo a seguir, sem auxiliá-lo, no entanto, a matar a própria sede.”
O amor da professora fez com que desaparecessem as barreiras das condições sociais, instalando a confiança, o respeito e o gosto pelos estudos e pelo sucesso profissional, mas, principalmente despertando a força criadora em cada um daqueles meninos que irromperam cidadãos vencedores e bem sucedidos em contraste com a desalmada miséria da sua infância.
É comum a expressão: “O Amor constrói”. Eu diria que não apenas constrói, mas, também solidifica, fortalece o ânimo e disponibiliza o sucesso nas realizações quando o ser se propõe trabalhar com disposição e alegria em busca dos seus objetivos, pois só quem ama luta para conquistar o bem pretendido.
Abusivamente diria que só ama quem se instrui, quem busca o conhecimento pois que o amor é sentimento profundo pela sua origem divina e não pode jamais ser confundido com o amor dos enamorados, ou com o amor que se decanta em prosa e versos num ritmo e em rimas harmoniosos que encantam os ouvidos, embevecem as mentes apaixonadas, mas, que foge e desaparece assim que alguma contrariedade surge no horizonte dos amantes carnais.
O conhecimento ilustra, dignifica e faz crescer de forma inusitada o sentimento puro do Amor. Mas, não se trata aqui do conhecimento adquirido nos bancos escolares, do nível da pré-escola ao superior, do mestrado ou do doutorado, mas, daquele que instrui sobre a moralidade, da sublime conquista de uma sabedoria que permita enxergar a vida com olhos da compreensão, do entendimento, dos próprios defeitos e da busca incessante do bem em todas as relações consigo mesmo ou com o próximo.
O conhecimento das leis e das questões materiais, tão importantes estas para a vida de relação, deve dividir espaço com o conhecimento das leis espirituais que realmente regem o mundo e, também, as relações vivenciadas pelo ser humano que, diante disso toma consciência da necessidade da reforma íntima, condição indispensável e mesmo única para a evolução espiritual.
Entretanto, não basta adquirir o conhecimento moral. É preciso aplica-lo na encarnação, transformando-o em bondade, em auxílio ao próximo.
Mais uma vez Maroisa nos adverte: “Todos nós temos necessidade de portar o conhecimento e a bondade, se quisermos auxiliar, com segurança, nossos irmãos em dificuldades, com os quais certamente cruzaremos pelos caminhos da vida!
A vida sempre nos oferece oportunidades incontáveis para despertarmos a bondade em nosso coração colocando-nos sempre diante de irmãos necessitados ora do alimento material que nutre o corpo faminto, ora do alimento espiritual que fortifica a alma entristecida e solitária.
Sempre o amor a enlaçar-nos aos nossos semelhantes sofredores, desamados, desamparados, abandonados. E se nos envolvemos no amor ao próximo, independentemente de quem seja esse próximo, necessitamos lembrar- nos dos versos de Gibran Khalil Gibran, em O Profeta: “Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam estes vossos desejos: de vos diluirdes no amor e serdes como um riacho                                          que canta sua melodia para a noite; de acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor; de descansardes ao meio-dia, e meditardes sobre o êxtase do amor; de voltardes para casa à noite com gratidão; e de adormecerdes com uma prece no coração, e nos lábios uma canção de bem-aventurança. ”                                                     
Estes versos tão significativos são imprescindíveis para nos lembrar que cada um de nós deve se desvestir de todo orgulho e de todo egoísmo para amar verdadeiramente e isto não é fácil. Somente começaremos a amar quando nos desprendermos de nós mesmos e nos diluirmos no sentimento de todos.
Novamente o Momento Espírita nos traz o reforço da mensagem inicial: “Como se pode perceber, não há barreiras capazes de deter a força do amor verdadeiro.
O amor é de essência divina, é força criadora.
Onde quer que esse sentimento sublime se faça presente espalha luz e bênçãos renovadoras.
Quando o amor se manifesta, dissemina luz onde as trevas teimam em permanecer.
Quem ama vence as dificuldades e supera os próprios limites, contagiando com a sua ação tantos quantos dele se acerquem.
Em nome do amor, Jesus suportou a cruz infamante para legar à humanidade Sua inconfundível Doutrina.
Contagiados pelo Seu amor, os cristãos primitivos desceram às arenas, sacrificando as próprias vidas para não abjurar o Sublime Amigo.
Foi por amor que muitos apóstolos enfrentaram a fúria dos homens, com bravura e coragem, para levar a boa nova aos corações sedentos de paz.
Em nome do amor, muitos anônimos como a professora de Baltimore, se entregam aos semelhantes fomentando a esperança e demonstrando, pelos próprios atos, que vale a pena investir na vida, e, sobretudo, no amor.”

Sejamos eternos aprendizes buscando incessantemente o conhecimento através do estudo, para que assim venhamos proceder como Francisco de Assis, o apóstolo do amor infinito e roguemos: Senhor, permita-nos amar, antes de ser amado, pois que o amor é a maior força criadora à disposição da humanidade.
 
 Poeminha sobre o amor.
O poeta não é o verso,
nem prosista ao inverso,
o poeta é o amor transcendente,
qual ribombar da alegria,
porque sua poesia,
é aquela que extasia,
no coração de toda gente!
 
O poeta não se pertence,
é de cada um que nele sente,
o amor que transita
em cada vaso capilar,
veia ou artéria,
estrugindo o sangue quente,
da paixão que habita,
o corpo, nosso lar...
 
Mas, o amor não é só paixão,
nem só esfregação...
O amor vem compartir,
o espírito, a alma,
num misto de paz e alegria,
acabar co´a danação,
vivendo a vida a sorrir!
 
E sorrir é ser feliz.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Caiu do avião, do paraquedas, do arranha céu e não faleceu – “milagre”? (Jorge Hessen)


Jorge Hessen 

Só metade das pessoas que caem de uma altura de três andares sobrevivem. Se forem dez andares, quase ninguém resiste. Mas, incrivelmente, o equatoriano Alcides Moreno, um limpador de janelas de Nova York, sobreviveu a uma queda de 47 andares do edifício Solow Tower, em Manhattan, na manhã de 7 de dezembro de 2007. "É um milagre", disse Herbert Pardes, então presidente do Hospital Presbiteriano de Nova York, onde Alcides foi atendido. Os espíritas não acreditamos em “milagres”. [1] 

Consideremos outros fatos mais assombrosos. James Boole, Nicholas Alkemade, Vesna Vulóvic e Alan Magee também desafiaram as leis naturais conhecidas pela ciência ao escaparem da “morte” física a quedas de alturas elevadíssimas. 

James Boole saltou na Rússia do avião, seu paraquedas não funcionou e caiu sobre pedras cobertas de neve, a uma velocidade de 160 km/h – mesmo assim Boole não desencarnou, e apenas fraturou uma costela. 

Nicholas Alkemade, sargento e membro da RAF, estava voando pela Alemanha quando seu avião foi atacado. A aeronave logo virou uma bola de fogo em queda livre. Como seu paraquedas foi destruído pelo fogo, Alkemade resolveu ter uma “morte” rápida saltando do avião para não sofrer sendo queimado lentamente. Ele caiu de 5500 metros, mas o impacto foi absorvido por árvores e pela neve que cobria o chão. Nicholas sofreu apenas uma torção na perna. 

Vesna Vulóvic é uma aeromoça que sobreviveu a uma queda de dez mil metros. Com 22 anos, Vesna era comissária de bordo da Yugoslav Airlines. No seu vôo havia uma bomba instalada por terroristas croatas. A parte em que estava no avião caiu em uma encosta coberta de neve, e Vesna foi a única sobrevivente do acidente. As outras 28 pessoas, incluindo pilotos, comissários e passageiros, desencarnaram. 

Alan Magee é um piloto americano que sobreviveu a uma queda de mais de 6500 metros enquanto estava sob ataque, na Segunda Guerra Mundial. Ele caiu sobre o vidro da Estação de Trem St. Nazaire, em uma missão na França. De alguma forma o vidro amorteceu sua queda. Ele foi capturado por tropas alemãs posteriormente, que ficaram impressionadas com o feito. 

Como notamos, os personagens são pontos fora da curva, ou seja, não desencarnaram. Será que há alguma explicação espírita para os fatos? Das leis naturais ignoramos seus meandros, sobretudo considerando a gravitação. Recordemos que na época das “mesas girantes” os espíritos conseguiam promover a levitação de objetos pesados, desafiando, pois, as leis da física conhecida (gravidade). 

Há pessoas que sobrevivem a um perigo mortal mas em seguida “morrem” noutro. “Parece que não podiam escapar da “morte”. Não há nisso fatalidade?, perguntou Allan Kardec aos Espíritos. Estes foram categóricos: “Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é. Chegado esse momento, de uma forma ou doutra, a ele não podeis furtar-vos.”[2] O Codificador insistiu: “Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da “morte” ainda não chegou, não morreremos? Os Benfeitores pacificaram: “Não; não perecerás e tens disso milhares de exemplos. Quando, porém, soe a hora da tua partida, nada poderá impedir que partas.” [3] 

Reflitamos o seguinte: Por não ter chegado a hora da “morte” de Moreno, Boole, Alkemade, Vulóvic e Magee, considerando as situações extremas vividas, seria admissível que eles fossem resguardados por intervenções do além, numa espécie de “anulação” da lei da gravidade conhecida? Não é simples responder tais questões. O senso comum diz que ninguém “morre” de véspera. Ora, se só “morremos” quando é chegada a hora, então uma pessoa assassinada “morre” na hora certa? Como fica o livre arbítrio do assassino nesse caso? 

Importa acender a luz para uma boa discussão aqui. Por diversas razões e é natural que alguém possa ter a vida interrompida antes do tempo tanto quanto possa ter a vida delongada durante o transcurso de uma existência. 

Será que o Espírito que comete um assassinato sabia que reencarnou para matar? “Não! Responderam os Benfeitores. “Escolhendo uma vida de lutas, sabe que terá ensejo de matar, mas não sabe se matará, visto que ao crime precederá quase sempre, de sua parte, a deliberação de praticá-lo. Ora, aquele que delibera sobre uma coisa é sempre livre de fazê-la, ou não. Se soubesse previamente que teria que cometer um crime, o Espírito estaria a isso predestinado. Ora, ninguém há predestinado ao crime e todo crime, como qualquer outro ato, resulta sempre da vontade e do livre-arbítrio. [4] 

O tema parece simples, porém apresenta as suas complexidades. E para complicar um pouquinho, os Espíritos reenfatizam - “venha por um flagelo a “morte”, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de “morrer”, desde que haja soado a hora da partida.” [5] Será que tudo que se relacione à “morte” está “escrito”? (assassinato, por exemplo?). Onde encaixar o livre-arbítrio aqui? 

Reconheço, com muita humildade, que há “mistérios” inexplicáveis muito além da minha nanica razão. E mais, “do fato de ser infalível a hora da “morte” poder-se-á deduzir que sejam inúteis as precauções que tomemos para evitá-la? Os Espíritos dizem que “não!, visto que as precauções que tomamos são sugeridas com o fito de evitarmos a morte que nos ameaça. São um dos meios empregados para que ela não se dê.”[6] 

No caso dos personagens que protagonizam este artigo, considerando as condições extremas, diria quase que surreais que sucederam, como sobreviveram? Foi porque não “soou a hora da partida” deles? Hum!?... 

Quanto ao “milagre” citado por Herbert Pardes, presidente do Hospital Presbiteriano de Nova York, esclarecemos que o Espiritismo considera de um ponto mais elevado a religião cristã; dá-lhe base mais sólida do que a dos “milagres”: as imutáveis leis de Deus, a que obedecem assim o princípio espiritual, como o princípio material. Essa base desafia o tempo e a Ciência, pois que o tempo e a Ciência virão sancioná-la. [7] 

Referências bibliográficas: 

[1] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-39216175 acesso 10/04/2017 

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, per. 53, RJ: Ed. FEB, 2000 

[3] Idem, per. 53-a 

[4] Iem , per. 861 

[5] Idem, per. 738 

[6] Idem, per. 854 

[7] KARDEC, Allan. A Gênese,”Os milagres segundo o Espiritismo”, Capítulo XIII, RJ: Ed FEB, 2000 

sábado, 15 de abril de 2017

CONHECER PARA PROGREDIR

Roberto Cury

Esta é uma história que tem quase tudo a ver comigo. Entretanto, os valores me chegaram através de pessoas maravilhosas que faço questão de ressaltar neste escrito, porquanto, tiveram a ousadia de enfrentar minhas antigas posições religiosas, espirituais e também como ser humano inserido na sociedade, conseguindo me fazer enxergar desconhecidos horizontes novos e romper com tudo o que eu considerava irretocável, trazendo-me para a realidade do ente que descobriu que nada tinha a não ser um grande orgulho e uma vaidade inesgotável por ter nascido no estado paulista, até hoje considerado um país de primeiro mundo dentro do Brasil de 3º estágio, no concerto das nações civilizadas.

E foi aqui em Goiás que meu espírito se libertou das principais amarras que o prendiam na ignorância do verdadeiro bem, abandonando, de vez, as falsas idéias do cristianismo, até então vivido, entrando para o reino do “Conhecer para Progredir”.

Disse, acima, que a história tem quase tudo a ver comigo porque se eu não fosse um dos protagonistas, os demais não teriam importância, porquanto foi a minha teimosia que me manteve durante mais de 32 anos desta encarnação no obscurantismo me imaginando grande, mas, sem objetivos e nem finalidades, até porque não entendia que o que é que eu fazia perdido aqui neste mundão, sem sentido! Lembro-me que aos 16 anos fizera estes pessimistas versos: “Eta!, vida mal dividida, de uma existência perdida!”

Por outro lado, justifico que os outros não teriam importância, não fora pelo fato de que meu errôneo entendimento de uma existência perdida, me deixava totalmente órfão.

Por bondade de Deus, eles se ligaram a mim proporcionando-me investigação dos princípios norteadores da encarnação que eleva e distingue o ser humano pelo descortino da razão. São, pois, os responsáveis pela minha descoberta como ser espiritual, antes de corporal e a importância bem como da utilidade de cada passagem pelos mundos materiais.

Adentremos, sem receios, a história.

Segundo semestre de 1965, só não me lembro em que mês, Álvaro e Natália, pais de Maria Inês, a minha esposa (casáramos em julho daquele ano), mudaram-se de São Paulo para o Sarandi, pequeno lugarejo no município de Itumbiara.

Apesar de recém casados, Maria Inês e eu vínhamos de um estresse muito grande, resultado dos nossos trabalhos na Capital paulista e resolvêramos tirar um descanso na orla paulista curtindo uma praia deserta num prédio onde só nós dois estivemos todos os 15 dias, pelos lados da conhecida Cidade Ocian que nem sei se ainda existe com esse nome. Foi lá que nasceu a idéia maluca. - “Vamos mudar pra Goiás?”, disse eu que nunca antes havia imaginado morar neste estado. Maria Inês respondeu: -“Vamos, mas, primeiro você vai conhecer pra saber se é isso mesmo que você quer”.

Em dezembro vim a Itumbiara, hospedando-me em casa de Julio Menezes e dona Tarsila, tios de Maria Inês. Encantei-me com o Rio Paranaíba e com as possibilidades de pesca eu que tanto adorava pescar e que a anos não o fazia porque na Capital Paulista não tinha tempo, nem disposição, nem oportunidade.
Professor, percorri os colégios e recebi promessas de muitas aulas, afinal eu vinha do centro mais avançado à época. Incontinente, aluguei uma casa na Sapolândia (Beira Rio).

Voltando a São Paulo embalamos móveis e outros utensílios, consegui um caminhão de carroceria simples (ficou mais barato) e logo no começo de janeiro de 1966, cheguei com a mudança recebendo, de chofre, a notícia desagradável de Zé Cheiro, dono da casa, de que não poderíamos morar na mesma porque ela estava a venda.

Reclamei que não tinha onde colocar os móveis e ele permitiu que eu deixasse lá, mas, sem poder armá-los, até que arrumasse um outro local. Logo, consegui um barracão da Dra. Zenaide e passamos a morar com as dificuldades naturais daquela época.

Nem tantas aulas prometidas me foram dadas, mas, logo me chegaram alunos particulares e pude, com isso, manter a casa e cuidar de Maria Inês que logo realizou seu sonho de gravidez. Em 16 de outubro, ainda sob a comemoração do dia do professor, chegou Marileila, a primogênita.

Antes, porém, o Instituto Francisco de Assis, orientado e dirigido por um grupo espírita, convidara-me e eu aceitei, alegremente, muitas aulas de Português nos vários cursos ministrados ali.

Apesar de católico, convivi com muitos espíritas. Vigilato Pereira de Almeida, Presidente do Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, pai de Lívia, esposa de Diógenes Mortoza da Cunha. Vigilato, não perdia nenhuma ocasião e sempre me abordava dizendo: - “Roberto, você ainda vai ser espírita”. Jamais refutei, em consideração à idade e à postura de venerável amigo, mas, sorria sempre e interiormente dizia-me: “É nunca!”.

Diógenes trabalhava no Banco do Brasil e apesar de morarmos na mesma rua e próximos um do outro jamais havíamos nos encontrado até um dia em que ele, saindo do banco, para o almoço e eu descendo a rua, na mesma calçada, deparei-me com o bancário. Tão log meus olhos se cruzaram com os dele, senti uma inexplicável repugnância, apesar de nunca tê-lo visto antes daquele dia, mudei de calçada.

No final do ano de 1967, alguns alunos do curso comercial, pretendendo fazer vestibular de Direito me convidaram para dar aulas de Português e Espanhol. Silvia, cedeu seu escritório de contabilidade que mantinha com o marido, para as aulas. Foi lá que me vi frente a frente com Diógenes e sem mais nem menos começamos a discutir como se nos conhecêssemos de muito girando toda a discussão apenas por questões de ideias entremeadas de um rancor surdo entre nós. Gastamos todo o tempo das aulas em discussão e os alunos nos chamaram à razão dizendo-nos que se fôssemos ficar brigando, eles nos dispensariam pois o que queriam era o aprendizado.

Pacto feito de não mais discutirmos, o resultado das aulas foi sucesso absoluto, pois tanto os alunos quanto eu e Diógenes conquistamos aprovação e iniciamos o curso na Faculdade de Direito de Uberlândia – MG, hoje Universidade Federal.

Do início de 1968 ao fim de 1972, com a desistência de três deles, bacharelamo-nos em Direito.

Em 1973, mudara-me para Santa Helena de Goiás, onde exerci a Procuradoria Jurídica da Prefeitura Municipal e advoguei tanto no cível, quanto no penal.

Transcorria o ano de 1974 e o meu espírito inquieto se assoberbava com certas questões de ordem religiosa, quando numa noite em que estive profundamente preocupado, orei assim: “Jesus, meu amigo e meu irmão (nunca acreditei que Jesus fosse Deus como pregam as igrejas), você sabe que estou muito confuso. Orienta-me e me ilumine para que eu saiba como proceder. Dormi e se sonhei (devo ter sonhado sim) de nada me lembro, a não ser que acordei eufórico no desejo de ler obras espíritas. Até então nunca lera nada sobre Espiritismo.

Pensei: - “Como fazer. Nunca vi livro espírita nas livrarias de Santa Helena e não conheço nenhum espírita aqui para que eu possa me orientar ou conseguir obras.”

Decidi ir a Itumbiara, pois tinha, lá, meus conhecidos e apesar de Vigilato já estar desencarnado, seus descendentes, seu genro Diógenes e outros poderiam me orientar no novo e indisfarçável propósito.

Peguei meu fusquinha e me mandei pra lá. Além de “filar” o almoço na casa de Diógenes e Lívia, ainda ganhei “O que é o Espiritismo” e “O Livro dos Espíritos”, com a recomendação de que lesse o primeiro e só depois estudasse O Livro dos Espíritos.

A leitura dinâmica que possuía à época me permitiu engolir O que é o Espiritismo em meia hora, ficando assustado pois senti que já conhecia praticamente quase tudo que estava ali. Sim, assustado, pois jamais tinha lido qualquer assunto de espiritismo e, jamais conversara com ninguém sobre nenhum tema espírita, como então poderia conhecer?

Entretanto, o que mais me tornou convicto de que agora estava no caminho certo foi descobrir, na primeira questão de O Livro dos Espíritos: O que é Deus? Deus suprema inteligência e causa primária de todas as coisas. Eis o Deus que sempre procurara e nunca antes havia encontrado, pois não aceitava aquele Deus que fizera o Mundo em seis dias e no sétimo teve de descansar, ou o Deus que pediu o sacrifício do primogênito de Abrahão como prova de sua lealdade, ou, ainda, o Deus que teve de fazer Adão dormir para, retirando dele uma costela, criar Eva.

O Deus cruel, falho, ora terrível, ora fraco, ora arrependido de ter feito Adão, o deus consagrado no Velho Testamento, nunca pude aceitar.

Deus, Suprema Inteligência, Suprema Sabedoria, Causa primária de todas as coisas.

Durante dois anos seguidos, um dos irmãos desencarnados, possivelmente, companheiro de sacerdócio, (descobri, com o tempo, que fora padre em algumas passagens terrenas, de outras encarnações), não me folgou, nem quando ia ao banheiro, lembrando-me que só a Igreja é que estava certa, que esses negócios de espírito eram coisa do demo, mal sabendo que ele não pertencia ao mundo encarnado e que, apesar de estar me azucrinando todo o tempo, também não era demo, mas apenas um espírito que ainda não compreendera que a vida de relação é passageira e que a verdadeira vida é a Espiritual que jamais se acaba.

Finalmente, quando numa noite, encontrando-me em Goiânia, pelos idos de 1976, depois da desencarnação de Maria Inês, após participar de um culto do Evangelho no Centro Espírita Amor e Caridade, fui convidado pelo Presidente Amir Salomão David a permanecer e assistir a reunião mediúnica e para minha surpresa, o meu obsessor se manifestou na minha mediunidade inconsciente, contando a história da sua desencarnação. Foi aí que se deu a libertação do espírito que me obsidiava servindo, ainda, aquela manifestação, para desenvolverem-se, em mim, os trabalhos na seara do Cristo com a assistência aos espíritos necessitados.

Passado mais um tempo, em julho de 1979 mudei-me para Goiânia, frequentando um e outro centro sem compromissos maiores até que em 1981, quando já morava no Privê Atlântico, o culto do Evangelho no lar, por sugestão do espírito Padre Clarion, que tanto me obsidiara antes,  foi transformado, abrindo-se as portas da residência a quem quisesse participar das reuniões.

Sem que soubéssemos, ali se dava o início do Grupo de Doutrina Espírita Professor Herculano Pires, que hoje está totalmente consolidado, graças a Deus, servindo de amparo e conforto a todos que o procuram e que tem como principal meta CONHECER PARA PROGREDIR